O Governo angolano (do MPLA há 51 anos e ainda sem atingir os índices e dinâmicas de desenvolvimento de 1974) disse hoje que peso do sector agropecuário no Produto Interno Bruto (PIB) situa-se actualmente em cerca de 23%, quase o dobro em dez anos.
A informação foi avançada hoje pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, afirmando que o país assiste hoje a uma transformação na estrutura da sua economia, resultando na “mitigação progressiva das suas vulnerabilidades externas”.
“Embora as exportações petrolíferas continuem a dominar a geração de recursos cambiais, o sector agropecuário tem demonstrado um crescimento assinalável. Em dez anos quase duplicou o seu peso na estrutura do PIB, situando-se, atualmente, em cerca de 23%”, afirmou o governante no seu discurso de encerramento da Conferência Internacional sobre Desinflação Sustentável e Credibilidade da Política Monetária.
Lima Massano deu nota também que o segmento alimentar representa 58% da indústria transformadora e o índice de produção industrial cresceu 66% em relação ao período homólogo, conforme os dados de Setembro do INE.
Para o governante, que encerrou a conferência comemorativa dos 50 anos do Banco Nacional de Angola (BNA), os referidos dados são importantes porque, precisou, cerca de 56% do Índice de Preços no Consumidor em Angola tem origem na classe de bens alimentares e bebidas não alcoólicas.
“Isto significa que a transformação estrutural em curso na nossa economia sustenta o caminho para a consolidação da desinflação (desaceleração do ritmo dos preços)”, indicou, defendendo incentivos e estímulos públicos contínuos para a atracção de mais investimento na agricultura, na indústria transformadora, nas infra-estruturas logísticas e na valorização da produção nacional.
O governante afirmou, por outro lado, que o país viveu durante os seus 50 anos de independência períodos recorrentes de inflação elevada, até mesmo hiperinflação, mas as reformas legislativas agregaram um novo paradigma ao setor.
Afirmou que as reformas e alterações legislativas ao longo dos anos forma complementadas pelo ajustamento de instrumentos de política monetária, “visando mitigar o seu alcance e assegurar a sua eficácia”.
“Vivemos actualmente um período de estabilidade de preços na nossa economia, sendo fundamental que os progressos alcançados sejam duradouros e permaneçam salvaguardados face ao ressurgimento de pressões inflacionistas”, notou.
“É precisamente neste ponto que a credibilidade assume importância decisiva”, referiu, considerando ao mesmo tempo que uma política monetária credível é aquela em que os objectivos são claros, as decisões coerentes, a comunicação é transparente e os resultados confirmam, ao logo do tempo, o compromisso com a estabilidade de preços.
O ministro, que governou o BNA entre 2010 e 2015 e entre 2017 e 2023, disse ainda que a conferência sobre o cinquentenário do banco central proporcionou uma oportunidade de reflexão e de partilha de experiências sobre questões fundamentais para a condução da política económica, a sustentabilidade do processo de desinflação e o reforço da credibilidade da política monetária.
O QUE O MINISTRO NÃO DISSE
José de Lima Massano poderia ter resumido a situação parafraseando o Presidente do MPLA, ou o Presidente da República, ou o Titular do Poder Executivo, ou o general João Lourenço, quando disse que “o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500”.
Vejamos, em síntese, como estava a Angola dos portugueses, em 1974. Era o segundo maior produtor mundial de açúcar; o terceiro maior produtor mundial de café; o quarto maior produtor mundial de algodão; o primeiro exportador africano de carne bovina; o segundo exportador africano de sisal; o segundo maior exportador mundial de farinha de peixe.
Tinha, por via do Grémio do Milho, a melhor rede de silos de África; o CFB – Caminho de Ferro de Benguela, do Lobito ao Dilolo-RDC, o CFM – Caminho de Ferro de Moçâmedes, do Namibe até Menongue, o CFA – Caminho de Ferro de Angola, de Luanda até Malange e o CFA – Caminho de Ferro do Amboim, de Porto Amboim até à Gabela.
Também tinha no Lobito estaleiros de construção naval da SOREFAME; pelo menos três fábricas de salchicharia; pelo menos quatro empresas produtoras de cerveja, de proprietários diferentes; pelo menos quatro fábricas diferentes de tintas; pelo menos duas fábricas independentes de fabricação ou montagem de motorizadas e bicicletas; pelo menos seis fábricas independentes de refrigerantes, nomeadamente da Coca-Cola, Pepsi-Cola e Canada-Dry, bebidas alcoólicas à base de ananás ou de laranja. E havia ainda a SBEL, Sociedades de Bebidas Espirituosas do Lobito.
Tinha a fábrica de pneus da Mabor; três fábricas de açúcar, a da Tentativa, a da Catumbela e a do Dombe Grande; era o maior exportador mundial de banana, graças ao Vale do Cavaco; tinha uma linha de montagem da Hitachi, dos óleos alimentares da Algodoeira Agrícola de Angola, tinha a indústria pesqueira da Baía Farta e de Moçâmedes, e a EPAL, fábrica de conservas de sardinha e de atum.
Nesses tempos os alunos (incluindo o actual Presidente do MPLA) não se sentavam numa pedra, ou numa lata de “Nido”, porque as salas de aulas tinham carteiras de madeira, produzidas localmente.
Hoje, ao contrário do que acontecia nessa altura, 68% da população angolana é afectada pela pobreza; a taxa de mortalidade infantil é das mais altas do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças; apenas 38% da população angolana tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico.
Hoje, ao contrário do que acontecia nessa altura, apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade; 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.
Hoje, ao contrário do que acontecia nessa altura, 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos; a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.
Hoje, ao contrário do que acontecia nessa altura, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao MPLA; Angola é um dos países mais corruptos do mundo e que tem mais de 20 milhões de pobres…
