QUEM ELEGE O VENCEDOR É A COMUNIDADE INTERNACIONAL

A UNITA negociou mal as últimas eleições e no futuro devem aprender a resistir a todo tipo de pressão, opressão e repressão. Para quem não sabia fica desde já a saber que as eleições de 2022 foram negociadas, houve um pacto ou melhor um acordo entre o MPLA, UNITA e a comunidade internacional.

Por Malundo Kudiqueba

MPLA, UNITA e a comunidade internacional foram os grandes vencedores das últimas eleições e o maior derrotado foi o povo angolano. O MPLA saiu vitorioso ao continuar no poder, a UNITA recebeu garantias, promessas e outros benefícios enquanto a comunidade internacional continuou a solidificar os seus interesses económicos em Angola.

Abel Chivukuvuku disse, por outras palavras, que o voto do povo angolano não tem valor.

Abel Chivukuvuku concedeu uma entrevista polémica à RTP-África onde confirmou que a UNITA/FPU recebeu ordens superiores do Ocidente para aceitar os resultados eleitorais de 2022.

Abel Chivukuvuku tentou culpar a comunidade internacional e esqueceu-se reconhecer as falhas da própria UNITA que aceitou sem hesitar a primeira proposta que lhe foi apresentada pela comunidade internacional com o conhecimento e consentimento do MPLA. UNITA/FPU está comprometida até porque não há relatos de terem sido coagidos ou obrigados aceitar as condições do acordo em questão.

Abel Chivukuvuku deve explicar as coisas tal como aconteceram e não omitir factos. O que aconteceu foi um mau acordo mas Abel Chivukuvuku está a usar de forma inteligente a palavra pressão da comunidade internacional para camuflar a situação.

A declaração de Abel Chivukuvuku sugere que o mesmo cenário pode repetir-se nas próximas eleições. Se a pressão internacional foi um factor decisivo no passado, é razoável questionar se a UNITA enfrentará novamente essa mesma situação. A persistência de tais circunstâncias pode levar a um ciclo vicioso de desconfiança e descontentamento, onde as eleições são vistas não como uma expressão genuína da vontade do povo, mas como um teatro manipulado por interesses externos.

Para evitar que esse cenário se repita, é imperativo que sejam implementadas reformas que garantam a transparência e a credibilidade do processo eleitoral. Além disso, é essencial que a comunidade internacional respeite a soberania de Angola e apoie o fortalecimento das suas instituições democráticas, em vez de pressionar por resultados que sirvam a interesses externos.

A afirmação do líder do PRA-JA/SA é um grande exemplo das complexidades e desafios que cercam o processo eleitoral em Angola. É vital que todos os envolvidos, tanto a nível nacional quanto internacional, trabalhem juntos para assegurar que as futuras eleições sejam um reflexo fiel da vontade do povo angolano. Somente assim poderemos construir uma democracia sólida onde os resultados eleitorais são respeitados e a soberania nacional é preservada.

Quando a comunidade internacional exerce pressão significativa sobre os resultados eleitorais, a soberania de um país é posta em cheque. A ideia de que o povo angolano não tem a última palavra na eleição do seu presidente é profundamente perturbadora. A soberania nacional é um princípio fundamental que deve ser respeitado e protegido.

Angola é um país rico em recursos naturais, com vastas reservas de petróleo, diamantes e minerais, além de possuir uma posição estratégica no continente africano. Esses factores fazem de Angola um ponto de interesse para a comunidade internacional, que busca manter relações estáveis e lucrativas com o país. Nesse contexto, surge a preocupação de que a comunidade internacional possa preferir a estabilidade garantida pelo actual regime, mesmo que isso signifique comprometer os princípios democráticos.

Este artigo de opinião examina como esses interesses moldam as relações internacionais e afectam a soberania e a democracia em Angola.

Para muitas potências estrangeiras, a estabilidade política em Angola é vista como crucial para a protecção dos seus investimentos e interesses económicos. A incerteza política que pode vir com a mudança de governo é frequentemente percebida como um risco que eles preferem evitar. Como resultado, há uma tendência de apoiar o “status quo”, mesmo quando isso significa fechar os olhos para práticas antidemocráticas ou violação dos direitos humanos.

Empresas multinacionais e governos estrangeiros têm biliões de dólares investidos em Angola, particularmente no sector de petróleo e diamantes. A garantia de contratos lucrativos, a continuidade dos negócios e a segurança de seus investimentos são prioridades para esses actores. A ameaça de instabilidade política que poderia interromper essas operações é vista como um risco a ser evitado a qualquer custo.

Já agora, gostaria de informar que existem acordos bilaterais entre Angola e vários países ocidentais que incluem cláusulas que garantem a protecção dos seus investimentos e a continuidade dos projectos em andamento. Esses acordos criam uma relação de dependência mútua que muitas vezes privilegia a manutenção do regime actual, visto como um parceiro confiável que cumpre as suas promessas e mantém a estabilidade necessária para os negócios. O MPLA fez chantagem política contra os países ocidentais ao não querer assumir nenhuma responsabilidade caso tivéssemos distúrbios, conflitos ou manifestações de violentas logo a seguir as eleições.

Esse apoio explícito da comunidade internacional ao governo de Angola pode ser visto como uma forma de interferência na soberania do país. Quando os interesses estrangeiros se sobrepõem à vontade do povo angolano, a legitimidade do processo democrático é comprometida. Isso cria uma percepção de que as eleições são apenas um ritual, sem impacto real nas políticas do país.

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