O número de mortes provocadas pela Covid-19 em África subiu para 1.423 nas últimas horas, com 31.933 casos da doença registados em 52 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia neste continente que precisa urgentemente de mais de 15 milhões de kits para combater a Covid-19.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), nas últimas 24 horas o número de mortos subiu de 1.374 para 1.423, enquanto as infecções aumentaram de 30.329 para 31.933.

O número total de doentes recuperados subiu de 8.409 para 9.566.

O norte de África mantém-se como a região mais afectada pela doença, com 944 mortos em 12.988 casos registados. Na África Ocidental, há 201 mortos e 8.003 infecções e na Austral contabiliza 101 mortos, em 4.896 casos de covid-19.

A pandemia afecta 52 dos 55 países e territórios de África, com cinco países – África do Sul, Argélia, Egipto, Marrocos e Camarões – a concentrarem cerca de metade das infecções pelo novo coronavírus e mais de dois terços das mortes associadas à doença.

O Egipto regista 317 mortos 4.534 infectados, a África do Sul conta 87 mortos e 4.546 doentes infectados, enquanto Marrocos totaliza 161 vítimas mortais e 4.065 casos e os Camarões contabilizam 56 mortos e 1.592 infectados.

O maior número de vítimas mortais regista-se na Argélia (425), em 3.382 doentes infectados.

Entre os países africanos lusófonos, Cabo Verde lidera em número de infecções, com 106 casos, e mantém o registo de um morto. A Guiné-Bissau regista 53 casos de infecção pelo novo coronavírus, com uma morte, e Moçambique tem 76 casos declarados da doença. Angola tem 26 casos confirmados de Covid-19 e dois mortos e São Tomé e Príncipe, o último país africano de língua portuguesa a detectar a doença no seu território, regista quatro casos positivos. A Guiné Equatorial, que integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mantém 214 casos positivos de infecção e um morto, segundo o África CDC.

Falta de testes pode falsear estatísticas

Os países africanos estão numa corrida contra o tempo para adquirir testes que ajudariam a intensificar a luta contra o novo coronavírus. O continente precisa de mais de 15 milhões de kits para combater a Covid-19.

De acordo com o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), África precisa de mais de 15 milhões de testes. No entanto, é possível fornecer apenas um milhão nas próximas semanas. Esse é precisamente o grande desafio dos países africanos, já que identificar e rastrear aqueles que estão infectados é fundamental para dar a África uma oportunidade de combater o vírus, disse o director da CDC África, John Nkengasong, em entrevista à agência Associated Press (AP).

“Nos próximos três ou seis meses, provavelmente precisaremos de 15 milhões de testes”, acrescentou. “No entanto, apenas uma primeira remessa com milhares de testes começa a chegar. Vamos começar com esses milhares”, afirmou o director.

O CDC de África adquiriu um milhão de testes da Alemanha, que lançará a partir desta semana, disse Nkengasong. O centro espera apoio de outros parceiros, apesar de não existir muita esperança de que a ajuda chegue em breve.

Na África do Sul, o país do continente mais assolado pela doença, tem sido seguida uma estratégia de testes muito agressiva, diz Nkengasong. Etiópia e Nigéria são os países mais populosos do continente africano e, em ambos, foram realizados cerca de 9.000 e 7.000 testes, respectivamente.

Na Nigéria, a Coligação contra a Covid-19 (CACOVID), liderada pelo sector privado, encomendou 250.000 kits de testes e outros 150.000 kits de extracção para acelerar o teste molecular do coronavírus mortal. A coligação é composta por 50 empresas que são lideradas pela Fundação Dangote. “Se todos fazem as suas próprias coisas, isso cria uma cacofonia”, disse à AFP Zouera Youssoufou, directora da Fundação Dangote: “Então, toda a gente dá o que pode, dependendo do tamanho, e pode reunir recursos”.

A CACOVID também está a construir sete centros de isolamento de emergência nas principais cidades e procura ajudar a aumentar as taxas de testes, que actualmente continuam nos 5.000.

No Gana, que possui apenas dois centros de testes em Accra e Kumasi, estão a ser usados drones para transportar amostras de Covid-19 para as instalações, porque os hospitais das áreas rurais estão a lutar para chegar às partes mais remotas do país devido a desafios logísticos, como falta de combustível.

Algumas instalações médicas em Tamale, norte do Gana, entregam as suas amostras através de serviços postais, o que tem atrasado o processo. “De carro era muito caro por causa das viagens de ida e volta ao centro de testes. Mas com o drone, os resultados chegam em 24 horas. É bom para nós”, disse à DW a enfermeira Alimatu Dawuni, que tem estado na linha da frente no combate à pandemia.

Em Nairobi, no Quénia, o Presidente Uhuru Kenyatta, num discurso recente, saudou empresas locais que estão a fazer máscaras faciais e outros Equipamentos de Protecção Individual (EPI). Os estudantes da Universidade Kenyatta também desenvolveram um protótipo e um ventilador económico para uso em hospitais locais.

“A nossa capacidade de teste aumentou drasticamente e testamos mais de dez mil indivíduos. O Ministério da Saúde recebeu mais reagentes de teste que nos permitirão melhorar nossa capacidade de testes, começando com áreas específicas e, eventualmente, para a população queniana em geral”, disse Kenyatta.

No Burkina Faso, o cenário é sombrio. O país confirmou o seu primeiro caso em 9 de Março de 2020, mas até agora analisou apenas 3.000 pessoas que tiveram contacto com os infectados. Alfred Ouedraogo, secretário-geral de um sindicato de médicos do Burkina Faso, disse que “em média realizam-se 100 exames e isso significa que a taxa de penetração ainda é muito baixa”.

Além dos testes, Alfred Ouedraogo recomenda que os estados se preparem para acompanhar a evolução do vírus, a fim de reagir a uma possível mutação.

Na República Democrática do Congo (RDC), Magloire Bell, especialista em seguros de saúde, diz que a triagem continua a ser o maior desafio hoje em África. No entanto, acima de tudo, permitiria que as populações conhecessem a situação do HIV no país. A especialista acha que é insuficiente o milhão de kits de teste fornecidos pela União Africana (UA).

“O gesto da União Africana é louvável, mas é mais simbólico do que eficaz. Se fizermos o cálculo rapidamente, isso dá 19.000 testes por país”, disse ela à DW.

A UA lançou um fundo público-privado com o objectivo de arrecadar cerca de € 370 milhões de governos, credores internacionais e empresas para reduzir as transmissões e apoiar a resposta médica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o teste de todos os casos suspeitos é vital para suprimir a disseminação do vírus, pois permite que as autoridades de saúde tratem e isolem todos os pacientes e os seus recentes contactos sociais.

Em todo o mundo, indivíduos ricos, de Bill Gates a Jack Dorsey do Twitter, prometeram contribuições significativas para enfrentar a pandemia global. O homem mais rico da China, Jack Ma, enviou mais de um milhão de kits de testes e equipamento de protecção para África.

Na África do Sul, o magnata da mineração Patrice Motsepe, a família Rupert e os empresários Oppenheimers prometeram aproximadamente 47 milhões para ajudar nas consequências da crise.

Tony Elumelu, presidente do Banco Unido da África (UBA) e uma das pessoas mais ricas da Nigéria, disse à AFP que é necessário um “Plano Marshall” para ajudar África a enfrentar a tempestade. “Há uma necessidade urgente de governos africanos e parceiros internacionais intensificarem um pacote de estímulo económico de emergência para o continente”, disse o magnata, que ofereceu cerca de 12 milhões da sua fortuna para enfrentar a crise.

Mas as autoridades reclamam que não é fácil fazer com que grandes empresas em África e credores internacionais ajudem rapidamente. “Por enquanto, ninguém realmente participou”, disse uma autoridade da UA à AFP sob condição de anonimato. “Os mais inclinados a dar rapidamente são os chineses. É por isso que recebemos a ajuda rapidamente de Jack Ma.”

Queremos que os bilionários africanos sigam esse exemplo, mas infelizmente com muita frequência, é apenas um caso de aparências”, afirmou a fonte. O funcionário apontou as promessas de apoio durante a epidemia de ébola que devastou a África Ocidental de 2014 a 2016. “Além de Dangote e Motsepe, muito poucas pessoas realmente liberaram o dinheiro”, disse.

O império de Dangote, o homem mais rico de África, está espalhado por todo o continente, com os seus tentáculos de negócios e fábricas. Youssoufou, da fundação Dangote, insiste que quer “comprometer-se com o continente”, mas disse que a prioridade é ajudar a Nigéria.

Agora, à medida que os números aumentam, empresas e governos da região estão intensificando seus próprios esforços para mobilizar fundos.

Folha 8 com DW