Angola registou 11 novas infecções pelo novo coronavírus e um óbito, a oitava morte, de um total agora de 166 casos positivos, informou hoje a ministra da Saúde. Sílvia Lutucuta disse que a vítima mortal é de um cidadão de 61 anos, transferido da província do Cuanza Norte, com síndrome respiratório crónico agravado e que tinha já de base uma doença pulmonar infecciosa grave e diabetes.

Segundo a ministra, o doente chegou ao banco de urgência do Hospital Militar já num estado crítico, “e que foi a óbito em pouco tempo”. Convenhamos que a expressão “foi a óbito” é do mais fino e vernáculo português, o que aliás não é de estranhar.

“Para além deste, temos dois casos no Cuanza Norte, que furaram a cerca sanitária e do ponto de vista de vínculo epidemiológico têm vínculo com a cerca sanitária do Hoji-Ya-Henda”, referiu a ministra, salientando que já foram identificados e isolados 39 contactos.

E isto acontece, reconheçamos, porque as ordens não estão a ser respeitadas. Como se já não bastasse haver pessoas a furar a cerca sanitária, apareceram agora “dois casos que furaram a cerca”…

Relativamente aos infectados, com idades entre um mês e 61 anos, dois do sexo feminino e nove do sexo masculino, cinco estão relacionados com a cerca sanitária da Clínica Multiperfil, profissionais variados (técnicos de manutenção, motoristas, farmacêutico e médica).

A titular da pasta da Saúde lembrou que a doença já chegou à província do Cuanza Norte, por isso “está a um passo de chegar a qualquer outro lugar se os cidadãos não cumprirem com as medidas de prevenção individual e colectiva”.

“Continuamos a ter casos suspeitos em investigação (460), temos contactos sob vigilância (1.244), pessoas em quarentena institucional (499) e continuamos a apelar para as medidas de protecção individual, lavagem frequente das mãos ou uso do álcool gel e da máscara em lugares públicos e o distanciamento entre as pessoas”, informou.

Sílvia Lutucuta disse que as autoridades sanitárias tudo estão a fazer para controlar a situação, o que não quer dizer que não vão surgir novos casos.

“Pelos nossos números não estamos no pior cenário, mas se não cumprimos com as medidas que estão muito bem delineadas no nosso competente despacho do estado de calamidade podemos estar a um passo da circulação comunitária, como também podemos ter muitos casos”, frisou.

Dos 166 casos positivos, 64 foram considerados recuperados. A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 449 mil mortos e infectou mais de 8,3 milhões de pessoas em 196 países africanos e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

Enquanto isso, cidadãos angolanos retidos no território sul-africano desde o início da pandemia da Covid-19, em Março último, lançaram um grito de socorro às autoridades angolanas, para facilitar o regresso ao país.

Mais de 600 cidadãos, que manifestaram o desejo de regressar a casa, fizeram o seu registo na Embaixada Angolana em Pretória, com destaque para estudantes, doentes e outros, que por vários motivos se deslocaram a este país e acabaram confinados por força da Covid-19.

A solicitação foi feita directamente à embaixadora de Angola, Filomena Telo Lobão Delgado, durante um encontro decorrido nas instalações da Missão Diplomática em Pretória.

Durante o encontro, os diplomatas ouviram as principais preocupações dos cidadãos, que têm enfrentado inúmeros problemas devido à falta de meios financeiros, que os impedem de responder aos compromissos assumidos no território sul-africano.

Da lista de dificuldades expostas, destaca-se a carência alimentar, não-pagamento das rendas de casa, bloqueio das contas bancárias por caducidade dos vistos.

Em resposta, a embaixadora Filomena Delgado disse ter tirado (é claro) boa nota das preocupações apresentadas e que iria accionar os mecanismos junto dos Ministérios das Relações Exteriores, da Saúde e da Comissão Multissectorial.

A diplomata disse que as instituições referenciadas têm consciência da situação dos angolanos na África do Sul e no momento oportuno poderão definir os critérios, métodos e formas de regresso ao país.

A África do Sul está a observar o Nível de Alerta 3 do recolhimento, mas, devido ao elevado índice de infecções por Covid-19, mantêm-se encerradas todas as fronteiras do país. Apenas são autorizados voos humanitários, de repatriamento e para questões de saúde, desde que devidamente justificadas.

Até à presente data, não existem casos de angolanos infectados pelo coronavírus neste país.

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