O país parou. Literalmente! A fome e a miséria, essas dispararam a alta velocidade. O desemprego e a inflação sobem drasticamente. Os impostos asfixiam os empresários e apunhalam os consumidores. Todos não conseguem respirar. A transparência, nos actos de contratação económica sucumbiu, antes da implantação. Foi um nado-morto.

Por William Tonet

O combate aos crimes de corrupção, a gigantesca bandeira desfraldada ao mundo pelo novo líder do regime, virou, face à selectividade da espécie, um engodo, por falta de pragmatismo, isenção e imparcialidade. A bandeira virou panfleto.

A actuação desalinhada da equipa económica, assente no liberalismo económico contra-natura, denota primarismo, incompetência gritante, tornando-se a principal responsável pelo descalabro económico e o desemprego.

A roubalheira na administração pública é o novo espaço gourmet da corrupção, cujo mérito é a mudança na liderança.

O Fundo Soberano poderá fechar as portas, brevemente, afirma fonte fidedigna ao Folha 8, ao denunciar a churrascada com os cinco (5) mil milhões de dólares, com chancela do Titular do Poder Executivo, alegadamente, para acudir situações urgentes…

Depois do PIIM (Plano Integrado de Intervenção nos Municípios), um programa de investimentos a fundo perdido, ver alocado 2 mil milhões e quinhentos milhões de dólares, o desvario norteia a acção especulativa de governadores e administradores municipais, todos do MPLA, todos ao serviço da estratégia de domínio absoluto do MPLA, nas obras e outros tantos no COVID-19, sobram pouco mais de 500 milhões, segundo confirmação de um economista da instituição…

Verdade ou mentira, nada espanta se a realidade for mesmo dramática, face ao gritante despreparo da equipa económica que, contudo, é embrulhado como de alta competência.

Manuel Júnior pode ter sido um aluno brilhante, nos bancos da universidade inglesa, mas como profissional e técnico, como conhecedor da realidade prática, tem sido, segundo a crítica, um verdadeiro desastre, uma monstruosa nulidade.

As suas acções, de tão desconexas e irrealistas, não conseguiram, nem conseguem, em três anos, final do mandato, alavancar a economia real. Elas não vitaminam as indústrias, a agricultura, nem as empresas prestadoras de serviço, logo tudo parou, incluindo o sistema financeiro.

Não sou economista, não coloco a foice em seara alheia, reconheço, mas adoro a economia, ler e comparar as experiências, as reformas económicas e constatar a realidade de outros países, onde os economistas responsáveis e patriotas, colocam o pobre, o trabalhador, as pessoas, no centro do orçamento.

A actual moldura económica é criminosa, anti-soberania, anti-Angola, pois nunca em tão pouco tempo, houve tanto desemprego, miséria, fome e mortes por falta de uma colher de comida ou 1000 kwanzas, para comprar meia lâmina de paracetamol.

A política liberal de Manuel Júnior, infelizmente, secundada pelo Presidente da República é entreguista, uma vergonha e uma verdadeira traição ao país, ao estender numa bandeja, sem contrapartidas, as riquezas nacionais, aos estrangeiros, permitindo-lhes investir a 100%.

Isso é colonialismo económico! É o oposto à independência.

É traição ao sonho da maioria dos angolanos, depois de 500 anos de colonização, poderem ser, verdadeiramente, independentes e empreendedores, capazes de, a médio prazo, concorrer em pé de igualdade, com empresários internacionais.

As acções económicas até aqui têm sido desastrosas, irracionais, anti-patrióticas e não mobilizam o Fundo Monetário Internacional, tão pouco os países ocidentais, a abrir os cordões à bolsa, pelo contrário, com tanto primarismo, aumento de impostos desenfreados, gastos desnecessários, má gestão e contínua locupletação do erário público, o escárnio internacional e o cinismo, continuarão a ser a resposta.

O ministro de Estado da Economia e o Presidente da República parecem ser os únicos orgulhosos da economia estar, cada vez mais, na mão de empresários estrangeiros fortes, com os angolanos a definhar, num mar de dificuldades e transformados em capachos. Parecem ter orgulho no aumento dos angolanos que, para além pobres, passam a ser escravos.

Tenho vergonha de, ao sair a rua, ver o comércio alimentar grossista, o retalhista, as distribuidoras de medicamentos, as farmácias, empresas de materiais de construção, as lojas de venda de materiais de construção, a indústria de inertes, os grandes terrenos, os restaurantes, pastelarias, tudo na mão de estrangeiros, que não se coíbem, de a céu aberto, escravizar os autóctones angolanos. Alguns nem se inibem de mostrar e demonstrar o seu mórbido gozo, o orgasmo próprio de quem –eventualmente – se acha superior.

Não é chauvinismo. É realismo!

Um país subdesenvolvido, como Angola, com uma liderança pragmática e nacionalista, querendo ser, verdadeiramente livre e independente, adoptaria métodos de potenciar a sua classe empresarial, impondo o investimento estrangeiro, em joint-venture ou empresas mistas; 51 a 49%, proibindo investimentos de estrangeiros a 100%.

Como pode um angolano consciente, acreditar numa equipa económica, orgulhosa em transformar os cidadãos em escravos do século XXI, pelos novos colonizadores económicos, com a cobertura dos “nossos”?

Senhor Ministro, Senhor Presidente da República, não ouso apresentar teses reformistas ou planos de rigor, por apenas dominar a economia andarilha, aquela que corre e movimenta, diariamente, milhões de autóctones, nas sanzalas, carreiros, ruas e avenidas, âncora de um comércio informal vigorante, onde na falta de carteira assinada e reforma, a receita diária é a base de sobrevivência diária, que sucumbe a qualquer quarentena e confinamento. Aquela que é o espelho do país real.

Os senhores estão a matar as poucas poupanças e o orgulho humano, ao atirarem, diariamente, para os tambores de lixo, milhares de famílias, para aí, recolherem os sobejos alheios, para alimentar os filhos, tudo devido à falta de políticas empregatícias.

Não existem empregos com o encerramento diário de empresas e serviços e, mais grave, sem um fomento efectivo da Produção Nacional, que não conta com qualquer tipo de incentivos reais.

Hoje o produto nacional custa mais caro que o importado, pelo facto da equipa económica, para além das vãs promessas, não conceder, subsídios nem incentivos, importantes, como reduzir os custos da água, energia, combustível, baixa de impostos, entre outros.

Logo, é uma comédia a propaganda de redução das importações quando não há capacidade interna de produção, nem reais incentivos, para o fomento e engajamento de novos produtores.

Os bancos comerciais não inspiram confiança aos empresários e famílias, pela incapacidade em garantir os pagamentos pontuais de facturas, transferências de ajudas familiares ou exportação de lucros, para o exterior.

Existem, hoje, famílias angolanas, no exterior, a ter de recolher aos abrigos para tomar uma sopa, por estarem há mais de três meses sem receber ajuda familiar da banca nacional.

O Titular do Poder Executivo prometeu mais rigor, mas denota o contrário, com o volume de instabilidade na gestão diária, com auxiliares a serem nomeados e exonerados em 24 horas ou, ainda, governadores provinciais exonerados, seis meses depois, mas logo, nomeados para outras paragens, sem escrutínio do desempenho anterior, nem no capítulo da roubalheira.

A promessa de 500 mil empregos, na campanha eleitoral de João Lourenço, têm o mérito de estar a oferecer o inverso, desemprego, muito próximo dos 500 mil, em três anos.

Com uma política “raivosa” e selectiva contra antigos camaradas de partido, acusados de corrupção tem conseguido ganhar a descrença popular, pela alta do custo de vida e o desemprego galopante.

O Candando uma das maiores cadeias de supermercado ameaça despedir 1000 trabalhadores, o Banco Postal foi forçado a encerrar e despedir, 659, igualmente os bancos BANC, com 545 e o Banco Mais, com 693. A Nocal colocará na rua 350 e a EKA, 300 trabalhadores enquanto o BPC anunciou 1500 trabalhadores, a TAAG 1600 trabalhadores, estão na forja, o KERO poderá despedir 650, enquanto 450 trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes, estão no desemprego e com 54 meses sem salário, terão a companhia de 200 trabalhadores do hotel HCTA.

Num cenário em que muitos países capitalistas estão a nacionalizar grandes empresas, João Lourenço quer privatizar a favor de estrangeiros as grandes companhias angolanas, num cenário, em que os investidores estrangeiros, pese as facilidades, têm desconfianças elevadas.