O coronavírus é um inimigo invisível, um invasor que franqueia todas as fronteiras nacionais, dispensando passaportes e autorizações. Ele é, no momento, a arma mais letal de todas, até aqui construídas pelo homem, superando os aviões F-117 Nighthawk; Nortrop Grumman B-2 Spirit (americanos), Sukhoi T-50 (russo), Interceptador J-31 (chinês), todos da linha Stealth (invisíveis), que apesar e todos têm de ser dirigidos. O coronavírus não!

Então a única arma capaz de o vencer é a disciplina, o rigor, a competência, o profissionalismo, a boa gestão pública e o respeito pela Constituição, a lei e as medidas de excepção, a serem tomadas, sem extrapolar nunca a Lei Magna.

O que os líderes das nações mais poderosas não conseguiram e resistiam à sua implantação, para preservação do ambiente, visando o controlo do efeito estufa, tendente à redução de gases que destroem o ambiente, como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), clorofluorcarbonetos (CFCs) e outros halocarbonetos, o ozono (O3) e o óxido nitroso(N2O), o coronavírus impôs, a todos e, voluntariamente, os países mais poluentes, como a China e os Estados Unidos, que abandonou o Protocolo de Quioto, vergou-se a força deste minúsculo vírus biológico.

É por via dessa força que os países vêem adoptando medidas de excepção para controlar a sua propagação, através do contágio humano, impondo regras e iniciativas rigorosas, para debelar esta pandemia.

Infelizmente, Angola na sua crónica desorganização dos órgãos públicos não está preparada para enfrentar o vírus se este atingir proporções mais altas (esperemos que Deus nos ajude e isso não venha a ocorrer). Nos hospitais falta tudo, desde organização, camas, oxigénio, balões respiratórios, casas de banho, água, sabão, papel higiénico, álcool, lençóis, alimentação adequada, higiene, entre outros.

No capítulo público, o estado de emergência vai colocar em casa durante 15 ou 30 dias a maioria da população activa que está na informalidade, provocando essa situação um vírus (caos) social, com proporções imprevisíveis, pois ganhando ao dia, sem esse provento, bem poderá subir a criminalidade, a indigência, a droga, os suicídios e a prostituição. Noutro extremo, o vírus económico resultará do fecho das pequenas e médias empresas que, muito provavelmente, não conseguirão se reerguer e terão a porta do desemprego como a primeira opção para os seus recursos humanos.

Angola gastou dinheiro que estava como reserva para uma situação como esta, que era do Fundo Soberano, que por razões político-eleitorais colocou no PIMM, cerca de 2.5 biliões (mil milhões) de dólares, quando os municípios não têm organização e os seus órgãos estão contaminados pelo vírus da corrupção.

A SONANGOL que poderia de imediato injectar dinheiro fresco, nessa altura, por orientação do Titular do Poder Executivo, na luta barroca e vitórias de Pirro contra José Eduardo dos Santos e o seu clã, queimou um bilião de dólares, o mesmo que Paris emprestou a Angola, para comprar acções da OI e PT na UNITEL, tudo para fragilizar os outros privados e preparar a entrega a custo zero, a outros da mesma estirpe, ligados ao actual poder. Era desnecessária essa compra, até tendo em conta os discursos do Presidente da República que na maioria das vezes entram em contradição com a sua prática.

Uma outra compra desnecessária é a de uma aeronave Boeing, nesta fase, num investimento de mais de 300 milhões de dólares, quando a TAAG no momento precisa de uma séria e profunda reestruturação interna.

Com toda essa situação mais a baixa do preço do petróleo só mesmo a sorte poderá nos salvar da hecatombe, pois não temos nem sequer a possibilidade de ver o Titular do Poder Executivo ajudar as empresas e os cidadãos como estão a fazer Portugal e os Estados Unidos, por exemplo.

Nesta condição, no velho jargão cristão: “oremos irmãos”, para o pior não invadir as nossas fronteiras com intensidade e, finalmente, cumpramos a quarentena e as demais orientações das autoridades públicas, pois o inimigo é perigoso.

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