O deputado do MPLA, general Leal Monteiro Ngongo diz que a UNITA não é um partido democrático. Tem razão. Democracia só mesmo no MPLA, que está no Poder há 45 anos, e cujos presidentes da República nunca foram nominalmente eleitos. O general deputado e sargento militar ou sofre de Alzheimer ou está a revelar uma total ausência de honestidade intelectual.

Recorde-se que o também Titular do Poder Executivo é o nomeador dos Juízes de todos os Tribunais Superiores, do Procurador-Geral da República, dos reitores das universidades públicas, dos presidentes dos conselhos de Administração das Empresas Públicas, dos Governadores Provinciais, do Comandante em Chefe das FAA, do Chefe de Estado Maior General das FAA, do Comandante Geral da Polícia Nacional, do governador do Banco Nacional de Angola, do PCA do Fundo Soberano, enfim, nomeador de tudo e de todos…

Leal Monteiro Ngongo, questionou (e bem, ou não fosse do MPLA!) a democracia no seio da UNITA, dizendo que o partido fundado por Jonas Savimbi nunca foi democrático, ao contrário do seu cuja pureza democrática está bem patente nos massacres de 27 de Maio de 1977.

“Qual é a democracia que existe no seio da UNITA, quando o único lugar em que os arautos da democracia estavam a defender a verdadeira democracia, nos lugares ocupados pela UNITA nunca houve democracia, pois nunca permitiam entrada de um outro partido político para fazer campanhas eleitorais em territórios ocupados por eles”, expôs.

Bem visto. Isto porque a UNITA sempre teve livre acesso aos locais dominados pelo MPLA, partido este que até ajudou a aumentar o número de militantes do Galo Negro, tudo fazendo para os cortar a meio e, assim, duplicar o seu número.

Ngongo recorreu à célebre frase do presidente fundador dos “maninhos”, Jonas Savimbi: primeiro o angolano; segundo o angolano e terceiro o angolano” para questionar que tipo de angolanidade a UNITA queria, quando, segundo o político “matavam-se entre si”. Bem que o general deputado (sargento militar) poderia dizer que a UNITA aprendeu com o MPLA a matar os seus. Ou será que nos massacres de 80 mil angolanos no 27 de Maio de 1977 as vítimas eram da UNITA ou da FNLA?

“Que angolano sempre é este e onde para a família Chingunji que foi morta por aqueles que dizem primeiro angolano? Então eles não foram angolanos?”, questionou. E questionou bem. Todos sabemos que a UNITA é que foi responsável pelos cerca de 80 mil angolanos torturados e assassinados em todo o país depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime. Também foi responsável pelo massacre de Luanda que visou o aniquilamento e de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA, Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral, Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.

Todos sabemos que o massacre do Pica-Pau em que, no dia 4 de Junho de 1975, perto de 300 crianças e jovens, na maioria órfãos, foram assassinados e os seus corpos mutilados no Comité de Paz da UNITA em Luanda… foram obra da UNITA.

Ou que o massacre da Ponte do rio Kwanza, em que no dia 12 de Julho de 1975, 700 militantes da UNITA foram barbaramente assassinados, perto do Dondo (Província do Kwanza Norte), perante a passividade das forças militares portuguesas que garantiam a sua protecção, foi obra da UNITA.

Ou que, entre 1978 e 1986, centenas de angolanos foram fuzilados publicamente, nas praças e estádios das cidades de Angola, uma prática iniciada no dia 3 de Dezembro de 1978 na Praça da Revolução no Lobito, com o fuzilamento de 5 patriotas e que teve o seu auge a 25 de Agosto de 1980, com o fuzilamento de 15 angolanos no Campo da Revolução em Luanda foram obra da UNITA.

Foi, aliás, a aviação da UNITA que, em Junho de 1994, bombardeou e destruiu Escola de Waku Kungo (Província do Kwanza Sul), tendo morto mais de 150 crianças e professores, que, entre Janeiro de 1993 e Novembro de 1994, bombardeou indiscriminadamente a cidade do Huambo, a Missão Evangélica do Kaluquembe e a Missão Católica do Kuvango, tendo morto mais de 3.000 civis.

Para o deputado general do MPLA, a democracia na UNITA não passa de uma utopia em querer pôr “areia nos olhos”. “Nós estamos aqui a querer trazer areia nos olhos. Vamos dizer a verdade. É preciso refundar a UNITA”, disse