Pequenos e médios empresários angolanos, que são a esmagadora maioria, solicitaram ao Governo a elaboração de um plano de alívio económico, nesta fase da Covid-19, que passa por financiamentos com taxas bonificadas, linha de crédito com garantia do Estado e redução de impostos.

As preocupações foram hoje abordadas pelos filiados da União dos Pequenos e Médios Empresários (UPME), que congrega associados do sector do comércio, com vista a encontrar soluções para a economia do país que, de facto, ninguém sabe se está viva ou apenas em estado vegetativo graças a estar ligada ao ventilador.

Em declarações à imprensa, a presidente da UPME, Beatriz Franck (foto), relatou “as imensas dificuldades” porque passam os pequenos e médios empreendedores angolanos, desde 2016, agravada com a pandemia provocada pelo novo coronavírus. Em bom rigor, os pequenos e médios empresários (tirando os que são do MPLA e que têm assessoria militar de generais) já deveriam estar vacinados contra as “imensas dificuldades”, tão velhinhas elas são.

“Temos dificuldades para importar a mercadoria, no acesso às divisas, ao crédito bancário, taxas elevadíssimas aduaneiras, aeroportuárias, portuárias, custo elevadíssimo do metro quadrado”, enumerou Beatriz Franck.

A empresária lamentou o facto de o sector do comércio não ter sido abrangido pelas medidas de alívio económico feitas pelo executivo, pese embora garantir o maior número de empregos no país. E isso não aconteceu porque, desde sempre, o MPLA não está interessado no que é pequeno ou médio. Só o que for em grande interessa, seja a construção de satélites, a “Wall Street de Luanda” ou o genocídio de 27 de Maio de 1977.

“O alívio fiscal também não nos beneficiou em nada, porque o grupo A era para pagar no final de Abril e o grupo B no final de Maio e agora com a cobrança coerciva do IVA, nós estamos sem condições de cumprir com essas obrigações que o Estado está a imputar a todo custo de pagar, porque não temos receitas”, frisou.

Beatriz Franck disse que já foi solicitado um encontro com o Presidente João Lourenço para que oiça as preocupações deste grupo de empresários, bem como para apresentação de propostas e soluções curto prazo, com vista a garantir o emprego dos mais de 4.000 funcionários do sector. Ao que tudo indica (até porque na nossa exemplar democracia é assim que as coisas funcionam), o que o Presidente da República decidir terá força de lei, até porque não estamos a ver qualquer oposição do Presidente do MPLA ou do Titular do Poder Executivo…

A empresária, cometendo um “crime” contra a segurança do reino, teceu críticas à equipa económica do Governo (a tal que tem os melhores peritos do MPLA, apesar de terem o cérebro no intestino grosso), questionando o contexto em que são baseadas as medidas de alívio económico aprovadas para esta altura.

“Porque numa situação asfixiante para o sector empresarial, eles adoptarem políticas que apenas beneficiam o Estado, isso é inconcebível. O Estado só ganha se tiver o tecido empresarial forte, porque nós é que geramos economia, que pagamos os impostos, se absorverem demais de nós quem será o maior prejudicado é o Estado, porque vai agravar a taxa de desemprego e reduzir as contribuições fiscais”, concluiu.

Beatriz Franck esquece-se que há 45 anos que o MPLA não está interessado em criar riqueza mas, apenas isso, ricos.

Entre os vários participantes ao encontro esteve João Matos, empresário no ramo do retalho de moda, que considerou as dificuldades transversais a todos, sobretudo com a situação da Covid-19, “com as operações completamente paralisadas”.

Apesar da abertura agora do mercado, João Matos afirmou que “existem dificuldades enormes a nível de pagamento de salários, de cumprimento das obrigações, sejam com os fornecedores, com a banca e com a carga tributária”.

O empresário sublinhou que a crise económica que o país atravessa, há mais de cinco anos, deixou os empreendedores “completamente descapitalizados” para poderem conseguir enfrentar a pandemia.

Uma das preocupações “fulcrais” para todos os operadores de centros comerciais, prende-se com a questão da renda, apontou João Matos, salientando que a mesma ainda é indexada ao dólar, o que “cria bastantes dificuldades para os operadores”.

“Aliás se repararem, nós nos maiores shoppings de Luanda estamos a ver constantes alterações de operações, isto porque o negócio está difícil, as rendas têm sido indexada à moeda estrangeira e têm sido actualizadas. Vivemos um bocadinho da condescendência dos proprietários dos shoppings, que vão não actualizando em tempo real, mas a actualização é feita”, frisou.

Por sua vez, Valdemiro Neto, representante do sector da construção civil, lembrou que depois do sector informal este é o que mais empregos gera, nesse sentido é urgente a tomada de medidas para não elevar a taxa de desempregos no país.

De acordo com o empresário, os problemas estão identificados, apontando a falta de financiamento, de diálogo transparente com os governos provinciais, a burocracia para a cedência de documentos, entre outros.

Valdemiro Neto realçou que estão já a registar-se despedimentos nesta fase, empresas que encerraram os negócios, na ordem dos 7% das cerca de 2.400 pequenas e médias empresas de construção civil cadastradas, que “não conseguiram cumprir nem com o pagamento de 50% dos salários”.

Folha 8 com Lusa

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