Em comunicado, assinado pelo seu presidente – Carlos Manuel Cumba Vemba, o MIC – Movimento Independentista de Cabinda, diz que “acompanhou atentamente o debate promovido pela Rádio Ecclésia, a número 1 no Jornalismo isento e neutro em Angola e em Cabinda, na passada sexta-feira dia 30 de Outubro, sobre a Implementação do Estatuto Especial para Cabinda”.

Eis, na íntegra, o comunicado MIC: «Recordemos que no limiar da década de 50 eclodiram com maior força e determinação as reivindicações pela Independência de Cabinda desavergonhada e traiçoeiramente capturada por Portugal e, mais tarde por Angola que à revelia dos cabindas os então Movimentos de Libertação Nacional de Angola (FNLA, MPLA e UNITA) nos Acordos de Alvor (1975) anexaram Cabinda ao território angolano com a conivência de Portugal, violando gravosamente o artigo 73 da Carta da ONU, a Conferência de Berlim e as Constituições portuguesas de 1822 e de 1933 que distinguiam Cabinda de Angola.

Estes dois territórios luso-falantes sempre foram citados nos fóruns internacionais como povos distintos, para materializar a anexação de Cabinda, em 1974 Angola invadiu este território militarmente com forte apoio das forças portuguesas, porquanto, ambos já se sentiam atraídos pelo brilho dos clarões de petróleo em consequência tem pés e cabeça reafirmar terminantemente que Angola sob a condução do MPLA oligárquico faz a guerra em Cabinda por petróleo, parafraseando e concordando com o memorável Líder da UNITA Jonas Savimbi, muito embora esse também fosse um grande cúmplice da desgraça Cabindesa, por viverem desterrados e escravos no seu próprio solo pátrio durante mais de quarenta anos.

Em jeito de resposta à ocupação ilegítima, ou seja, anti-Cabindesa no dia 8 de Novembro rebenta a famosa e memorável “Guerra Clássica” como é chamada em Cabinda que opunha as forças da FLEC contra a coligação comunista MPLA-cubanos-russos-congoleses, invasores-ocupantes. Pela primeira vez na sua história, Cabinda viria a conhecer uma guerra em toda a extensão do seu território, uma guerra que a metrópole reconhece implicitamente, consequentemente o povo viu-se obrigado a abandonar a sua terra e procurar refúgio nos países vizinhos, onde a presença e o testemunho da Igreja Católica, liderada pelos padres de Cabinda, foram determinantes.

Depois de várias tentativas de enterrar ou de retardara solução Cabindesa, o Governo de Angola ludibriou a Comunidade internacional com o nado-morto “Acordo de Paz e o Memorando de Entendimento entre o Estado Angolano e a FLEC/RENOVADA”, uma das entidades integrantes do FCD, um dos irrefutáveis factos esses que imprimiu o carácter unilateral e Anti-Cabindês o nado-morto Acordo de Paz que afinal significou para os Cabindas: Imposição, Humilhação, Rendição estrangulamento da longa, sagrada e resiliente Vontade Política Cabindesa; mas, infelizmente não surtiu efeito nenhum porque para além da rejeição total do Povo de Cabinda, particularmente muitos guerrilheiros preferiram abster-se para não afogarem as convicções independentistas do Povo, os levianos abraçaram o projecto em troca de acomodação porque queriam a todo o custo viver à grande e à francesa.

A Direcção Política do MIC, diz basta ao gangsterismo político!, à máfia política, o Povo está farto de politiquice, caturrice do FCD. Porquanto, infatigavelmente, luta, ora, chora e morre pela independência e não pelo Estatuto Especial, pois Cabinda não é parte específica de Angola, ora, sim, um Território Distinto dela em conformidade escrupulosa com a sua realidade histórico-geográfica, Cultural, Antropológica e com outros indesmentíveis factos jurídico constitucionais validados pelo Tribunal da Razão, condições ou elementos basilares da existência como Nação; porém, o MIC objectivamente e de pedra e cal defende que o Povo de Cabinda (coisificado pelo Presidente angolano, João Lourenço) deve ser inadiável e inescapavelmente juiz final do seu próprio destino político, ou seja, qualquer estatuto político para Cabinda deverá resultar de uma consulta popular, referendo, como sinal indicativo que este é digno de respeito político e não uma mercadoria para satisfazer os interesses colonialistas angolanos e de uma corja de Cabindas, por sinal politicamente fracassados aos olhos legítimos do referido povo.

O direito à autodeterminação impõe uma inadiável e melindrosa interpretação e aplicação, até porque o Povo de Cabinda é inegável usufruidor desse, o que pressupõe dizer que este direito está inseparavelmente atrelado ao Referendo, queremos, assim dizer Referendo Independentista tal e qual o que hodiernamente acontece no Saara Ocidental onde a qual Angola, obstinada e patologicamente se encontra na Frente Político-Diplomáticas o inestimável apoio dos seus comparsas Africanos e Internacionais.

Referendo Independentista, a Alternativa Política Cabindesa para a Solução Cabindesa».