A Polícia (do MPLA) está a reprimir com violência a manifestação que está a decorrer na capital, Luanda, no Dia da Independência de Angola. Os agentes usaram gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes. Já há dois mortos, vários feridos, entre os quais e em estado grave Nito Alves. Luaty Beirão levado para local desconhecido. Acompanhe em pormenor no Facebook do Folha 8 (https://www.facebook.com/pg/jornalfolha8/posts/).

O Dia da Independência de Angola está a ser marcado por confrontos violentos entre a polícia e centenas de pessoas que saíram às ruas de Luanda para exigir melhores condições de vida e que seja marcada uma data para as primeiras eleições autárquicas no país.

O activista Nito Alves é uma das vítimas das agressões. O jovem, um dos integrantes do conhecido grupo de revolucionários 15+2, ficou inconsciente depois de ser agredido por vários polícias e já foi levado para o hospital numa ambulância.

Já foram detidos vários manifestantes, em diversos pontos que dão acesso ao centro da cidade e já se registaram duas mortes de manifestantes atingidos pelos tiros da Polícia.

O Largo da Independência, onde decorre o protesto, está sob forte aparato policial. Operações de controlo também foram montadas em várias zonas da cidade.

A manifestação acontece no dia em que Angola assinala 45 anos de independência. O Governo Provincial de Luanda proibiu a realização deste protesto, evocando motivos como o incumprimento do Decreto Presidencial sobre o estado de calamidade pública, que impede ajuntamentos de mais de cinco pessoas nas ruas.

O activista angolano Benedito (Dito) Dali, um dos organizadores da manifestação, classificou como “um terror” a acção das autoridades a impedir a acção de protesto.

“Uma situação de terror que estamos a viver aqui, um verdadeiro estado político, que este regime institucionalizou neste país, que não permite que as pessoas se manifestem livremente face ao descontentamento”, disse Dito Dali.

Segundo o activista, um dos rostos do conhecido grupo 15+2, detidos e julgados em 2017, os manifestantes foram afastados, depois de terem conseguido chegar próximo ao cemitério de Santa Ana, local marcado para a concentração.

“Estamos aqui num bairro onde nos escondemos, mas estamos a sair para poder ler o manifesto e apelar ao pessoal para que voltem para as suas casas”, referiu Dito Dali. Para o activista, “o essencial já foi conquistado”, porque conseguiram “deixar a máquina desesperada”.

“Movimentaram a máquina de Estado por causa de uma simples manifestação”, frisou Dito Dali, realçando que “há vários detidos, alguns feridos”, entre quais Nito Alves.

Instado a comentar a acusação da polícia, sobre actos de desordem cometidos pelos manifestantes, Dito Dali disse que “essa foi sempre a linguagem deles”.

“Sempre nos acusaram de desordem, de queimas de pneus, o que não é verdade, sabemos que a polícia tem estado a infiltrar agentes nas manifestações para criar desordem e distúrbio, para depois imputar responsabilidades aos manifestantes”, retorquiu.

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