O Presidente angolano, João Lourenço, felicitou o português Durão Barroso pela sua “merecida nomeação” para presidente do Conselho de Administração da Aliança Global para as Vacinas (GAVI). Camarada e amigalhaço de longa data do MPLA, Durão Barroso está sempre em alta.

Numa mensagem distribuída à comunicação social, João Lourenço expressou as mais calorosas felicitações e a satisfação ampliada por comungarem a mesma língua e os grandes objectivos de protecção da saúde da população mundial.

O chefe de Estado angolano, igualmente Presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo, considerou relevante a nomeação de Durão Barroso no papel que a GAVI tem vindo a desenvolver para mobilizar recursos financeiros e promover acordos com as entidades capacitadas no desenvolvimento e produção de vacinas, para combater doenças da infância e, recentemente, para que os países mais pobres do mundo possam aceder de forma equitativa à vacina contra a pandemia de Covid-19.

“Angola acredita que também terá acesso a estas vacinas através da iniciativa COVAX, onde somos subscritores e estamos comprometidos na preparação de condições para que este processo cubra todas as pessoas de risco do nosso país”, disse o Presidente.

João Lourenço sublinhou que Angola está ciente de que, com a capacidade de Durão Barroso, bem como a extensa e variada experiência em funções executivas de alto nível, levará com sucesso estas e outras iniciativas em favor das crianças e das pessoas mais vulneráveis da sociedade, que sem a intervenção de organizações como a GAVI permaneceriam excluídas do acesso aos benefícios que a ciência e a tecnologia podem oferecer.

O Presidente destacou a longa parceria entre Angola e a GAVI, que data de 2002, altura em que a organização iniciou o apoio a Angola na expansão da cobertura de vacinação infantil às populações mais desfavorecidas, principalmente das áreas rurais.

Segundo João Lourenço, a GAVI apoiou Angola, de 2006 até 2015, com mais de 100 milhões de dólares (85,1 milhões de euros), para o financiamento da introdução de novas vacinas mediante um mecanismo de co-financiamento gradual entre o Governo angolano e a GAVI, o que permitiu ao Estado ir assumindo gradualmente o custo das novas vacinas.

“Actualmente, o apoio da GAVI mantém-se para intensificar a vacinação de rotina, aquisição de cadeia de frio, formação de recursos humanos em logística, vigilância epidemiológica, sistema de informação, entre outras”, lê-se no documento.

O plano pós transição 2019-2020, indica ainda a nota, está em implementação com um orçamento de 20 milhões de dólares (17 milhões de euros), sendo expectável a sua extensão para contribuir no esforço de Angola em garantir a cobertura universal na vacinação e cuidados primários de saúde.

O antigo primeiro-ministro português e ex-presidente da Comissão Europeia foi nomeado na terça-feira presidente da GAVI, numa reunião realizada em Genebra, de acordo com um comunicado da organização.

Durão Barroso iniciará funções em Janeiro de 2021, substituindo a economista e antiga ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, cujo mandato termina em Dezembro deste ano. O cargo não é remunerado.

Actualmente, Barroso é ‘chairman’ e director não-executivo da Goldman Sachs International, sediada em Londres.

A GAVI é uma parceria público-privada que ajuda a vacinar metade das crianças do mundo contra algumas das doenças mais mortíferas. Desde a sua criação em 2000, ajudou a imunizar mais de 760 milhões de crianças, evitando, assim, mais de 13 milhões de mortes, e reduzindo para metade a mortalidade infantil em 73 países em desenvolvimento.

Camarada Durão Barroso, o MPLA está contigo

Em 2014, José Manuel Durão Barroso, camarada de primeira linha do MPLA e amigo íntimo do clã presidencial de José Eduardo dos Santos e, agora, também de João Lourenço, defendeu em Lisboa que Portugal devia assumir uma relação “descomplexada” com Angola, frisando que eventuais “sobressaltos” são normais.

Os “sobressaltos são próprios das relações íntimas. A relação é boa mas não é perfeita, tem de ser descomplexada e mais assumida” e que venha a corresponder aos interesses dos dois países, disse Durão Barroso, que intervinha numa conferência organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal — Angola, sem especificar casos.

Por outras palavras, o camarada Durão Barroso entendia e continua a entender que – como sempre foi a sua tese – Portugal deverá continuar a política de subserviência e sabujice política (da qual ele é um dos mais eficazes defensores), pelo menos enquanto o MPLA estiver no poder o que, calcula-se, deverá acontecer nos próximos 55 anos.

“Em Portugal temos a tendência de ver Angola de uma perspectiva portuguesa, mas é interessante olhar para Angola de outra perspectiva. Olhar de fora”, sublinhou o rapazola Durão Barroso, acrescentando que as relações conheceram uma evolução nas últimas duas décadas.

Ou seja, Portugal deve olhar para Angola na única perspectiva válida, a do MPLA, sabendo que esta é a torneira que mais alimenta o submundo de Lisboa, seja a nível das lavandarias ou de outros negócios.

Para Durão Barroso, Angola é hoje um “parceiro indispensável” da Europa nas questões do Golfo da Guiné e é essencial verificar que se trata de um país que “dá confiança” para conter a pirataria, o tráfico de droga e o terrorismo.

Mais. Dá confiança até para cortar cerce qualquer perspectiva de Primavera interna, o que é uma garantia férrea para os interesses de alguns portugueses, nomeadamente dos que vegetam na latrina do chamado arco de governo.

Segundo o ex-presidente da Comissão Europeia, a parceria tem sido “reclamada” pelos EUA, notando-se, afirmou, um incremento nas relações com Washington. E, como todos sabemos, apesar das investidas da ex-Administração Obama, José Eduardo dos Santos e a agora João Lourenço e os seus mais queridos súbditos continuam a achar que água portuguesa é a que lava mais branco.

“Angola tem uma das Forças Armadas mais importantes e experimentadas na África subsaariana”, disse o ex-presidente da Comissão Europeia, antigo chefe da diplomacia portuguesa, ex-primeiro-ministro e ex-militante do MRPP, reforçando o papel do país em posições no contexto regional.

Durão Barroso referia-se objectivamente ao terrorismo na Nigéria e ao avanço do radicalismo islâmico; “na falta de consolidação” da República Democrática do Congo, nas ameaças transfronteiriças mas, sobretudo, ao Golfo da Guiné, “com a ameaça real da pirataria”.

Angola tem tido também um papel relevante sobre as questões na Região dos Grandes Lagos, tendo também, frisou Barroso, “oferecido” Luanda como sede para a Comissão para o Golfo da Guiné.

Para Durão Barroso, Angola sendo membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) tem resistido ao acordo de comércio livre com os Estados da região dando mais importância às ligações com Portugal, Brasil e China do que aos países vizinhos.

“Angola sabe que há uma posição dominante da África do Sul e não quer estar em segunda posição em relação à região para um dia integrar o ‘Economical Partnership Agreement’ numa posição de força”, considerou.

“Os africanos quando falam de Angola falam como um país especial. Joga a sua influência na região mas, ao mesmo tempo, não se quer deixar fechar em quadros sub-regionais”, reforçou o camarada Barroso.

Antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, no início dos anos 1990, Durão Barroso recordou também os acordos de paz de Bicesse que conduziram à realização das primeiras eleições supostamente livres em Angola, em 1992.

Finalmente, Barroso diz estar confiante de que Angola privilegia três pilares fundamentais: o Estado de Direito “porque sem Estado de Direito não há confiança”; Educação “porque é a base de tudo” e a construção de infra-estruturas “porque são necessárias”, sobretudo para as relações com os países da região.

Sendo assim, sublinhou que Portugal – o maior investidor estrangeiro em Angola em áreas não petrolíferas – deve apostar também na ajuda à educação, “a todos os níveis escolares”; formação profissional, agricultura e sectores como água e saneamento.

Folha 8 com Lusa