O nosso amigo Parreira, com o propósito de reflectirmos a prestação dos animais e a sua valência, obrigou-me a viajar no tempo. Fui de carroça, nosso transporte, também, no século passado e, com ímpar maestria no farfalhar do verbo, rebuscou um texto genial, que ainda faz morada no acervo mental de muitos agricultores, daquela e desta época, com tempo e vício de leitura.

Foi uma viagem fantástica, com um espectacular roteiro, que importa partilhar pela excelência da fauna, tempo, gentes, restaurantes, hotéis e, finalmente, animal de sublime nobreza e mais-valia nos campos e, cada vez mais, no campo. Irresistível!

FÁBULA

Há muito, muito tempo, havia um Rei que queria pescar.

Chamou o seu meteorologista e pediu-lhe a previsão do tempo para as próximas horas. Este assegurou que não iria chover.

A noiva do monarca, que vivia perto de onde ele iria, vestiu a sua roupa mais elegante para o acompanhar.

No caminho, ele encontrou um camponês montando o seu burro, que quando viu o rei lhe disse:

– Majestade, é melhor regressar ao Palácio porque vai chover muito.

O rei ficou pensativo e respondeu:

– Eu tenho um meteorologista, muito bem pago, que me disse o contrário. Vou seguir em frente.

E assim fez.

Choveu torrencialmente.

O Rei ficou encharcado e a noiva riu-se dele ao vê-lo naquele estado.

Furioso, o Rei voltou para o palácio e despediu o meteorologista.

De seguida, convocou o camponês e ofereceu-lhe emprego.

O camponês disse:

– Mas Majestade, eu não entendo nada disso. Mas, se as orelhas do meu burro ficam caídas, então é porque vai chover.

Então, o Rei contratou o burro.

E assim começou o costume de contratar burros para trabalhar junto ao Poder…

Desde então, baixar as orelhas, é a razão para burros ocuparem as posições mais bem remuneradas em qualquer governo.

NOTA FINAL: Se conhecer qualquer semelhança com a realidade gregária, veja se não é mera coincidência…