O 27 de Maio de 1977 foi uma realidade cruel. Indescritível! Um genocídio sem paralelo depois da segunda Guerra Mundial. A barbárie de Agostinho Neto e a sua “camarilha” em nada, ou em muito pouco, se ficou a dever, à protagonizada por Adolph Hitler, na Alemanha.

O líder do MPLA chegado ao poder através da batota e fraude, ao violar os Acordos de Alvor, mancomunado com os capitães de Abril, ligados ao Partido Comunista Português, era a encarnação do ódio, da barbárie, do demónio que, chegado à mais alta magistratura do poder do Estado, apenas ampliou estratosfericamente os crimes que cometia, em pequena escala, durante a luta de libertação nacional, onde enterrou vivo, um vice-presidente, Matias Miguéis, queimou vivo numa fogueira, o comandante Paganini, da Frente Leste, entre outras monstruosidades.

A estória deste homem está prenhe de mistérios e espanta que, desde 1979, o MPLA tente branquear a sua história, inocentando-o do cometimento de crimes hediondos contra o seu Povo, contra a humanidade, imprescritíveis e insusceptíveis de amnistia.

Os sobreviventes do 27 de Maio de 1977, todos, na sua multirracialidade, estão impedidos de se acovardarem, agora, de desistirem de exigir justiça ou a criação de uma verdadeira Comissão da Verdade, Reconciliação e Perdão.

Os sobreviventes têm de unir forças para juntar todo o acervo das diferentes alas, para, numa organização única: PLATAFORMA 270577, serem capazes de levar as suas vozes, os seus sentires e a memória dos seus camaradas, barbaramente assassinados às mais altas cortes internacionais de Direitos Humanos, para cadastramento do Genocídio de Maio de 1977, comandado por Agostinho Neto.

É hora, também, de haver justiça, em relação à nossa honra, sempre vilipendiada por um regime arrogante, insensível, discriminador e MENTIROSO, que ousa tratar as vítimas, 43 anos depois, como coisas descartáveis.

A coisificação é um acto vil e abjecto que deve ser denunciado e rejeitado, por todos.

Chegou a hora de dizer BASTA!

A sacanagem política e regimental não pode ter cobertura institucional, contando com a nossa omissão. Temos de ser combatentes da verdade, lá onde nos encontrarmos, pois é o mínimo que a memória dos nossos camaradas, lá onde estão nos exigem.

Temos de denunciar todos os actos bárbaros e os respectivos actores, mas sempre na senda da verdade, sem ódio, sem raiva, sem falsidade e sem mentiras, para não nos transformarmos nos monstros que o regime do MPLA/Neto se tornou.

Nos últimos dias, Maria Luísa Abrantes colocou um dado novo, na peregrinação sobre a barbárie do 27 de Maio 77, que muitos, não tinham a real dimensão e, na proximidade da personagem, emergiam dúvidas e hesitação, não só pelo passado histórico de nacionalismo do pai, como ainda, depois, pela acutilância no mundo jurídico, que vem mantendo, nos últimos anos, a agora jubilada juíza Luzia Sebastião.

Luísa Abrantes, também conhecida por Milucha apontou o dedo a Luzia Sebastião (foto), mais conhecida por Gi, de também ter as mãos manchadas de sangue, durante o genocídio de 1977.

É incrível, que, até tu Gi te tenhas metido nestes assassinatos, nesses crimes contra a humanidade e, nunca tenhas mostrado arrependimento.

Porquê, Gi, te calaste? Porque te deixaste apanhar sem honra nem glória como escória, quando bem poderias antecipar essa denúncia sentida e, com todos os contornos de ser verdadeira… Da Ruth Mendes já a maioria sabia, tal como da Xinda Dias da Silva, bem como dos Ludy Kissassunda, Henrique Santos Onambwe, Toka, Carlos Jorge, Eduardo Veloso, Carmelino, Kifofo, Geitoeira e o Job, mas de ti, com essa violência verbal repressiva, não e não!

Vamos ao que disse Maria Luísa Abrantes “Milucha”:

«Em primeiro lugar, para que a alma do “Tilu” e de tantos outros mártires do 27 de Maio, fruto da ambição desmedida de alguns e da carnificina de outros, descanse em paz, teriam de entregar os corpos aos familiares e lhes honrar com um funeral condigno.

O “Tilu” era um jovem médico cirurgião de 28 anos, que completaria 29 anos no dia 28 de Outubro de 1977 e Professor Universitário, desde o Hospital de Santa Maria em Lisboa, onde iniciou essa função como monitor, porque terminou o seu curso aos 22 anos com notas brilhantes.

Em segundo lugar, não podem misturar os dois acontecimentos do dia 27 de Maio, com os assassinatos perpetrados pela UNITA, ou pela FNLA na sua agressão ao Estado Soberano de Angola independente.

Em terceiro lugar, eu nunca aceitarei qualquer reconciliação, nem poderá existir reconciliação sem que os generais Ludy, Onambwe, o General Toka , os Sr. Carlos Jorge, o Sr. Veloso, o Sr. Carmelino, o Sr. Kifofo, a Sra. Luzia Sebastião, a Deputada Ruth Mendes, a Sra. Xinda Dias da Silva, o Sr. Geitoeira, o Sr. Job, secretário do falecido Lúcio Lara, etc., que ainda estão vivos, expliquem o que se passou e onde foram enterrar os corpos.

Em que rios ou mar foram atirar os corpos.
Em que barranco foram atirar os corpos.
Em que local foram queimar os corpos.

Eu quero ver a coragem e a boca da Gi, que gritou para mim no corredor do Ministério da Defesa quando me fui entregar: “Fui eu que te mandei buscar!”.

Como é que uma directora das Escolas primárias, que não era militar, mas professora primária no tal “maqui” tinha poder para mandar prender?

Mas mandou! Eu fui uma delas. Por isso, mesmo não sendo militar, ofereceram-lhe uma patente militar e ela exigiu outra mais elevada e assim foi feito?

Esta falsa vontade de reconciliação é fictícia e visa apenas criar um ambiente mais favorável ao MPLA para as próximas eleições autárquicas, porquanto se o actual PR e o ex-PR não pretendem reconciliar-se, que moral existe para nos pregarem um fictícia reconciliação?

A semelhança da pregação de uma fictícia luta contra a corrupção, com o Eng. Manuel Vicente, generais Dino e Kopelipa e seus associados, Carlos Silva, Edeltrudes, ex-amigos de fação Kundy Payama, Tulumba, etc, etc.?»

Multirracialidade & MPLA

O MPLA vai mal. Muito! João Lourenço é a reencarnação de Agostinho Neto, quando chegou ao MPLA em 1962 e quebrou a sua unidade, combatendo os líderes criadores e que o antecederam. A história está a repetir-se e, ninguém, melhor, que os próprios militantes para denunciar o que vai no ninho dos marimbondos.

Tudo vai mal. Tudo é uma farsa. A denúncia, vinda do covil, já não se cala nem consegue atirar a podridão para debaixo do tapete, por esta razão, talvez, Maria Luísa Abrantes “Milucha” tenha deixado outro alerta. Existe um racismo incubado. Existe discriminação da maioria face às minorias e das minorias face à maioria. A raça, não ficou resolvida, infelizmente, quando Angola é um país multirracial. Atentemos a mais um texto alerta de “Milucha”.

“Com o devido respeito pela opinião de quem quer que seja, há questões que não me podem passar em branco.

Há 11 negros e 9 mulatos no Governo, sem contar com os Ministros de Estado.

Entre todos, 4 tem mãe negra chamados “cafusos“ para nos confundir e dividir e 2 também têm pai “mulato“, 3 dos quais santomenses. Todavia, mulato nunca foi raça. Se retirarmos 3 Ministros Santomenses, uma das quais mestiça, ficariam 10 negros e 7 mulatos.

Mas cadê os brancos?

Ainda faltam os brancos, que também lutaram pela independência. Se não fosse a revolta dos cravos a 25 de Abril em Portugal, cadê a independência de Angola com os Movimentos na guerrilha a lutarem uns contra os outros? Porque não denunciam o lobby dos São Tomenses, bem implantado na Presidência?

Já viram quantos São Tomenses, ou filhos de São Tomenses caíram de pára-quedas na Presidência, no Governo, na diplomacia, nos Conselhos de Administração sem nunca terem feito serviço militar obrigatório como fizeram os Cabo-verdianos residentes?

Pensem bem, mas é em trabalhar e deixemo-nos de bocas populistas.

Se quiserem faço a lista.

A morte é certa.

Por favor, vamos fazer a diferença antes de partir.»