O governador do Namibe, Archer Mangueira, deu uma ordem/lição aos membros do Governo provincial para informarem jornalistas sobre as decisões tomadas pelo seu executivo. “Os servidores públicos devem saber lidar com os órgãos de comunicação social, por serem as principais fontes de informação credível”, disse o governador.

“É necessário que os directores dos gabinetes e seus representantes estejam disponíveis para prestarem declarações à imprensa das reuniões ou outros eventos em que se justifique a cobertura jornalística”, acrescentou Arher Mangueira, sublinhando que esses dirigentes “não devem deixar os jornalistas sem informação para não se especular”.

“Não fugir à imprensa e comunicar o que pode ser confirmado com absoluta certeza”, é o princípio a seguir pelo Governo.

Já em 2017, João Lourenço pediu aos “servidores públicos que mantenham uma maior abertura e aprendam a conviver com a crítica e com a diferença de opinião, favorecendo o debate de ideias”.

A tese de Archer Mangueira segue a regra de ouro do MPLA: olhai para o que dizemos e não para o que fazemos. O MPLA, no poder em Angola há 45 anos, encorajou o executivo liderado pelo seu Presidente, João Lourenço, no combate contra aquilo que ele próprio criou como uma instituição nacional: corrupção, impunidade, bajulação, nepotismo e branqueamento de capitais.

O apelo, recorde-se, foi feito pela vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, em 2018 ao presidir à principal cerimónia das comemorações do 62.º aniversário da fundação do partido, que decorreu em Waco Cungo, na província do Cuanza Sul.

“É nossa tarefa apoiar o executivo na construção de uma Angola próspera, cada vez mais democrática, solidária e inclusiva, onde o mais importante continua a ser a resolução dos problemas do povo, a implementação de políticas públicas, que correspondam aos anseios e expectativas dos cidadãos, o que passa por uma aposta na melhoria das condições de vida dos cidadãos”, afirmou Luísa Damião.

A vice-presidente do MPLA reiterou que, nesse sentido, os titulares de cargos de responsabilidade política no partido e no Estado “devem ser os primeiros detentores de atitudes que dignificam o ‘M’ e Angola, através de “um comportamento exemplar”. Há 45 anos que que os angolanos ouvem essa ladainha. Mas como o partido acha que somos todos matumbos, insiste em continuar a tapar o Sol com uma peneira.

Após referências históricas sobre o caminho percorrido pelo MPLA desde 1956, em que saudou todos os responsáveis pelo então movimento que combateu o regime colonial português, Luísa Damião regressou à actualidade, para manifestar o apoio do MPLA às operações “Transparência” e “Resgate”. Recordam-se?

Que mais é que a Luisinha poderia dizer? É claro que ela sabe o que diz mas, como sempre, não diz o que sabe. Todo o cuidado é pouco, até porque ainda não está provado que os decretos presidenciais, os de hoje como os de ontem, sejam suficiente para que os jacarés passem a ser vegetarianos.

“Devemos apoiar e encorajar o executivo a prosseguir com a ‘Operação Transparência’, que visa combater a imigração ilegal e exploração ilícita de diamantes e à defesa da soberania nacional e protecção dos recursos minerais, e a ‘Operação Resgate’, que visa combater as actividades que provocam a desorganização dos centros urbanos com actos de vandalismo que prejudicam a segurança, a ordem e a saúde pública, bem como os bens patrimoniais do Estado”, sublinhou Luísa Damião.

Para que as operações atinjam os objectivos, prosseguiu, “os militantes, simpatizantes, amigos do MPLA e a sociedade civil devem desempenhar o papel de fiscalizador activo”. Devem mesmo, Luísa? Ao fiscalizarem não correm o risco de chocarem com uma daqueles balas-marimbondo que Savimbi mandou vaguear eternamente nos nossos céus? Não correm o risco de serem acusados de estarem ao serviço de Eduardo dos Santos, o “querido líder”, o “escolhido de Deus”, o “arquitecto da paz” bajulado por Luísa Damião, João Lourenço e tantos outros e que de um dia para o outro passou de bestial a besta?

Luísa Damião lembrou, a propósito do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que a “ocasião propícia” para se fazer “uma reflexão sobre os casos cada vez mais crescentes e graves de violência” que se registam na sociedade angolana, “onde as mulheres e crianças são as principais vítimas”.

“O respeito pelos direitos humanos passa pela educação dos cidadãos e a elevação da sua cultura jurídica. Gostaria de lembrar que a violência doméstica é um crime público e todos nós devemos denunciar os casos que ocorrem na nossa comunidade”, referiu, defendendo que há necessidade de se reflectir sobre a pertinência de se proceder a alterações na Lei contra a Violência Doméstica.

“A sociedade está chocada com os recentes casos, em que mulheres sofreram violência dos seus parceiros, onde uma delas foi assassinada e colocada numa fossa. Precisamos de paz no seio das nossas famílias. Acabemos com a violência no seio das famílias. Temos que reflectir sobre a pertinência da alteração da Lei contra a Violência Doméstica, para torná-la mais severa e punir os prevaricadores” acrescentou.

E então os massacres do 27 de Maio de 1977 não merecem uma reflexão, mesmo que pequenina? É chato haver angolanos com memória que acham que a verdade não prescreve, não é Luisinha? Não é Archer Mangueira? Não é Presidente João Lourenço?

Sobre a vida do partido, e tendo como pano de fundo as eleições autárquicas previstas para já adiadas para 2020, Luísa Damião pediu “coesão e unidade”, ao mesmo tempo que deve manter uma “contínua renovação”, adaptando-se, sempre, “às condições das várias fases e etapas da luta do povo angolano”.

“Para que o MPLA esteja à altura dos novos desafios, é fundamental que os dirigentes e os militantes do partido dediquem especial atenção ao trabalho político-partidário, o que passa pelo fortalecimento da sua organização e funcionamento, em todos os níveis e escalões. Nenhum partido nasce pronto e acabado”, sustentou.

Desde a declaração da independência, em 11 de Novembro de 1975, que Angola é liderada pelo MPLA, de onde saíram todos os Presidentes do país (nenhum nominalmente eleito) – António Agostinho Neto (1975/79), José Eduardo dos Santos (1979/2017) e João Lourenço (desde Setembro de 2017),.

MPLA não luta contra o que é seu: a corrupção

A luta contra a corrupção, impunidade e bajulação deve continuar a ser baluarte dos militantes do MPLA, visando a estabilidade socioeconómica do país. Deve continuar? Mas alguma vez existiu? Se todos os corruptos conhecidos (para além dos que se presume) são do MPLA, não adianta chamar a raposa para defender as galinhas.

Hoje, como desde sempre, o MPLA os militantes a empenharem-se, ao máximo, no cumprimento de todas as orientações, o que – repetem – vai tornar o partido mais transparente. Bem que, ao menos, os dirigentes do MPLA poderiam perder a arrogância que os leva a pensar que são intelectualmente superiores e que, por isso, podem passar à esmagadora maioria dos angolanos (sobretudo aos nossos 20 milhões de pobres) constantes atestados de matumbez.

Falar de transparência num partido que sempre foi opaco é como falar de jacarés vegetarianos, de bagres voadores ou de loengos a nascerem nas mangueiras.

“Hoje o partido é o que governa, por isso é preciso cumprir as orientações do seu Presidente nas lutas que tem estado a abraçar, no sentido de tornar os comités de acções e os militantes em verdadeiros activistas políticos do MPLA, mas também, virados no campo do desenvolvimento socioeconómico do país, em prol do bem-estar dos angolanos”, defendeu em 2018 o membro do Comité Provincial do MPLA no Huambo, José Manuel dos Santos, esquecendo-se de recordar que João Lourenço ainda não descobriu nenhum traidor ou marimbondo que não fosse do… MPLA.

José Manuel dos Santos aconselhou os militantes a serem firmes nos ideais do partido que, ao longo do seu percurso histórico, observou várias mudanças, mas de forma pacífica e com maturidade que nutre esta agremiação.

Aqui a criatura tem razão, reconhecemos. Repare-se (…) “ao longo do seu percurso histórico, observou várias mudanças, mas de forma pacífica e com maturidade”. De facto, que melhor exemplo de pacifismo e maturidade poderíamos querer do que aquele que levou, no dia 27 de Maio de 1977, os dirigentes do MPLA – a começar pelo seu presidente, Agostinho Neto – a mandar assassinar milhares e milhares de angolanos… do MPLA?

José Manuel dos Santos considerou positivo o percurso histórico do MPLA, tendo em conta o facto de ter conquistado a independência, consolidado a integridade territorial, a unidade nacional, implantado a democracia, o multipartidarismo, o sistema de comércio livre, entre várias mudanças importantes que ocorreram no país.

Com políticos deste nível o MPLA tem o futuro garantido. Basta mantê-los sempre com as palas (cada uma das duas peças que se colocam na parte lateral exterior de cada um dos olhos de certos animais, sobretudo burros, para diminuir a visão lateral) mas de modo a que vejam bem o chicote da fuba podre, do peixe podre e da porrada se refilarem.

Como bons repetidores, acéfalos mas com voz, estes pigmeus mentais limitam-se a bajular o senhor das “ordens superiores”, repetindo até à exaustão o que lhes mandam, mesmo não sabendo o significado do que estão a dizer.

O Presidente da República, João Lourenço, encorajou (em tese) as acções de fiscalização, inspecção e auditoria contra a corrupção. E se ele disse isso, os repetidores… repetem e vão, na primeira oportunidade, abrir as portas à… corrupção.