UKB avança com mestrado em ensino primário

Um curso de mestrado em ensino primário é a grande aposta da Universidade Katyavala Bwila, em Benguela, para o ano académico 2019, visando a formação de professores que possam contribuir para a urgente melhoria da qualidade do ensino a esse nível.

Essa informação foi avançada hoje, quarta-feira, à imprensa, pelo reitor da UKB, Albano Ferreira (foto), referindo que o Isced Benguela começa a qualificar-se e a destacar-se num conjunto de instituições de ciências da educação em Angola, por ter desenvolvido estudos profundos sobre currículos de formação de professores e assumir a responsabilidade de formação de docentes de qualidade.

Contudo, ressaltou também a necessidade de reestruturação da rede de instituições do ensino superior (unidades orgânicas) e a revisão do plano de desenvolvimento da instituição como grandes desafios no ano académico de 2019.

“Temos que rever o plano anterior e gizar novos planos que relevem o papel da universidade e o impacto que ela deve ter no desenvolvimento local”, disse.

Ao analisar o ano académico de 2018, Albano Ferreira considerou-o de positivo, na medida em que a UKB, além de ter cumprido com o programa proposto, iniciou um novo curso de licenciatura em engenheira e gestão logística de transporte, com elevado nível de pertinência para a região centro e sul , como resultado de um projecto de cooperação entre Angola e a França.

Relativamente a pós graduação, no ano transacto iniciaram seis novos cursos, sendo quatro em Benguela e dois no Cuanza Sul.

O ano académico passado foi também marcado com a licenciatura de 1.225 estudantes e pelo ingressado na UKB de 1.684 estudantes, o que permitiu atingir uma população estudantil de 10.156 estudantes, incluindo os de pós graduação.

No domínio da investigação científica, foi lançado no município do Cubal o projecto de criação do Centro de Investigação em Saúde, da faculdade de Medicina, que prevê ser apoiado pelo Hospital da Nossa Senhora da Paz (local) e pelo instituto de pesquisas da Universidade de Barcelona (Valdebromo).

Ao nível da província do Cuanza Sul está prevista a constituição de um Centro de Pesquisa em Ciências da Educação que se ocupará da formação em termos de doutoramento.

No quadro do reforço da actividade cientifica, a UKB vai implementar projectos de desenvolvimento local para potenciação do turismo nas províncias de Benguela e do Cuanza Sul, aliados a estudos de antropologia e história, contando com a parceria do ISCED Benguela e da Universidade de Paris.

No domínio da mobilidade internacional, foram enviados três estudantes para a Polónia, onde realizaram estágios de fim de curso na Universidade Médica de Varsolave.

Um novo regulamento de admissão, em que aprovam apenas candidatos com nota igual ou superior a 10 valores no exame de acesso, vai marcar a abertura do ano académico 2019, na Universidade Katyavala Bwila, em Benguela, anunciou também Albano Ferreira.

Segundo o responsável, neste ano lectivo serão admitidos um mínimo de 1.157 estudantes para o funcionamento normal dos diferentes cursos das unidades orgânicas da UKB, de um universo de 1.509 vagas disponíveis.

Espera-se que a população estudantil no da UKB no ano lectivo 2019 ronde os 15 mil estudantes, distribuídos pelas seis faculdades adstritas a universidade, nomeadamente de Direito, Economia, Medicina, Ciências da Educação de Benguela e do Sumbe, e pelo Instituto Superior Politécnico, no regime regular e pós laboral.

O reitor garantiu estarem criadas as condições para o arranque do ano lectivo 2019, a 25 deste mês.

História da Universidade Katyavala Bwila

A Universidade Katyavala Bwila é, nos termos do seu Estatuto Orgânico, uma pessoa colectiva de direito público, com estatuto de estabelecimento público, goza de autonomia científica, pedagógica, administrativa, financeira, disciplinar, patrimonial, vocacionada para o ensino, a investigação científica e a prestação de serviços à comunidade, nos termos da legislação em vigor no subsistema de Ensino Superior. O Estatuto Orgânico da UKB foi aprovado pelo Decreto Presidencial Nº 241/11, de 6 de Setembro.

O surgimento da UKB foi o corolário do processo de desenvolvimento do ensino superior na zona do litoral centro, designadamente nas províncias de Benguela e Cuanza-Sul. Foi em Benguela onde se criou o primeiro núcleo do ensino superior.

O quadro legal que permitiu utilizar os mecanismos para a criação de uma comissão instaladora do ensino Superior na Província de Benguela foi o despacho do Presidente da República nº 10/89 de 15 de Setembro.

A Comissão Instaladora do Centro Universitário de Benguela (CICUB) foi credenciada 4 anos mais tarde para tratar de assuntos relacionados com a criação do referido Centro Universitário (CUB) junto do Ministério da Educação, da Reitoria da UAN e direcções das Faculdades como consequência de um compromisso assumido pessoalmente pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em Agosto de 1992, na cidade do Lobito.

Das actividades da CICUB resultou a abertura de um núcleo do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em regime presencial a partir de 1993, vocacionado para formar licenciados para atender a necessidade da formação de professores do primeiro e segundo ciclos do Ensino Geral. Assim, o ISCED emerge como primeira instituição do ensino superior em Benguela, a 30 de Março de 1993, por despacho do Reitor da UAN, José Luís Guerra Marques, passando a denominar-se CUB, Centro Universitário de Benguela.

Na altura do seu arranque, em Março de 1993, o ISCED contava com uma matrícula de 202 estudantes distribuídos pelas especialidades de Psicologia, Pedagogia, Matemática, Geografia e História e o corpo docente era constituído por 19 docentes.

No ano académico seguinte, criou-se um núcleo da Faculdade de Direito na modalidade de ensino à distância. Mesmo assim, a capacidade de ingresso estava longe de satisfazer a demanda dos candidatos ao ensino superior oriundos não só de Benguela e arredores, mas também do Cuanza-Sul, que na altura não dispunha de nenhum estabelecimento de ensino superior.

Os primeiros ensaios de criação de uma instituição de ensino superior na Província do Cuanza-Sul remontam à década de 1980 com a frequência no ISCED de Luanda de alguns estudantes do Sumbe. Em 1986, estes estudantes formaram o 1º Núcleo que dois anos mais tarde fracassou devido a dificuldades estruturantes relacionadas com transportes, infra-estruturas e ao estado de instabilidade que assolava o país.

Em 1997 fora nomeado para Governador da Província do Cuanza-Sul, Francisco Higino Lopes Carneiro, que, preocupado com a situação, criou as condições para o surgimento do ensino superior nesta região, o ISCED do Sumbe. Em Março de 2000 foram realizados os exames de aptidão para os cursos de Psicologia e Psicologia, tendo sido seleccionados um total de 101 candidatos dos quais 51 de Psicologia e 50 de Pedagogia.

Depois das várias diligências junto das instituições acima referidas, só no dia 21 de Maio de 2001 teve início o primeiro ano lectivo, cuja aula magna foi proferida por Augusto Eduardo Kâmbwa, então Director do ISCED de Luanda, contando com apenas cinco docentes locais e maioritariamente itinerantes do ISCED de Luanda.

O ensino superior na Região do litoral centro-sul do nosso território nacional viria a ganhar um novo ímpeto com o Projecto de Desenvolvimento do Ensino Superior em Benguela (PRODESB), resultante de um Acordo Geral de Cooperação entre o Governo de Benguela (GOB) e a Universidade Técnica de Lisboa (UTL), homologado pelo Reitor da Universidade Agostinho Neto (UAN), a 5 de Julho de 2001. Com a assinatura deste acordo, a questão do desenvolvimento do ensino superior em Benguela começou a ser debatida com mais acuidade. Foram adoptadas novas orientações estratégicas, com o objectivo de melhor sistematizar os eixos de intervenção e as linhas de actuação do PRODESB. Na sequência deste esforço cruzado, surgiram os cursos de Direito, já em regime presencial, Informática, Economia e Educação Especial, para os quais foram disponibilizadas novas infra-estruturas. O plano de execução do PRODESB estava previsto para um horizonte temporal de 10 anos, de 2002 a 2011.

Em 2002 iniciou a mobilidade docente do ISCED de Benguela, com a introdução dos cursos de História e Matemática. De modo sucessivo, foram introduzidos em 2003 o curso de Geografia, sob a orientação metodológica do ISCED de Benguela, em 2005 os cursos pós-laborais de Psicologia e Pedagogia e o Curso Regular de Contabilidade e Gestão, com dependência metodológica da Faculdade de Economia, passando a depender da Escola Superior de Ciência e Tecnologia do Uíge até 2009, donde provinham a maioria dos docentes. Neste mesmo ano, foi introduzido o Curso Pós-laboral de História.

O Pólo Universitário do Cuanza-Sul (ISCED do Sumbe) foi anexado ao Centro Universitário de Benguela no ano de 2002.

Folha 8 com Angop

Artigos Relacionados

4 Thoughts to “UKB avança com mestrado em ensino primário”

  1. Carlos Pinho

    A ideia é boa e a intenção é certamente a melhor.
    O problema é a matéria-prima. Se é fraca para a Licenciatura, também o será para o Mestrado.
    Isto acaba por ser uma espécie de pescadinha de rabo na boca. A formação dos professores é fraca, os alunos que daí resultam são fracos e estes por sua vez resultam a professores fracos, porventura melhores que os seus anteriores mestres, e assim sucessivamente. É uma sequência de ciclos que demorará várias décadas a aperfeiçoar. Porém tem de ser feita!
    Mas, saliente-se, agora alguém está a tentar pegar no problema de um modo mais consistente.

  2. Nguna Kawalo

    sr. Carlos pinho deixe-me fazer a v. ex.ª uma pergunta: acha que os professores primários em Portugal são bons? sabe onde é que se formaram? acha que os pais tugas confiam no ensino público? acha q os professores (a exemplo dos enfermiços por exemplo) tugas não ganham demasiado bem para quem n tem motivação nenhuma? o ensino em angola é mau mas olhe para o seu país primeiro pois as universidades ditas privadas foram um cancro que contaminou a Tuga e que esperemos q n contamine Angola…

  3. JOSÉ ROBERTO GOMES

    Quero contato da Universidade para divulgar esse mestrado aqui no Brasil e assim levar professores brasileiros para estudar e trabalhar em Angola como professor público.

  4. Carlos Pinho

    Caro Nguna Kawalo

    Não sei se este é o local adequado para um diálogo entre comentadores. Essa decisão pertence aos moderadores. Contudo, e correndo o risco de abusar da bondade desses moderadores vou tentar responder-lhe, se bem que o português do seu texto deixe muito a desejar, o que aliás vem de encontro aos meus temores quanto à matéria prima que sai das escolas angolanas.
    Primeiro, as suas considerações são logo à partida preconceituosas. É que, sabe, eu nasci em Angola e se não tenho documentos angolanos é porque a atual lei da nacionalidade é racista e facciosa. Segundo ela eu sou filho de estrangeiro e como tal não posso ter a nacionalidade. Ora, face ao direito internacional, à data de 10 de Novembro de 1975, em Angola só havia portugueses. No fundo eu não tenho a nacionalidade por uma razão muitíssimo simples, é que eu sou branco, filho de portugueses. Por outro lado não me identifico ideologicamente com o partido dominante em Angola e isso piora a situação (O MPLA bebeu dos conceitos totalitários: quem não é por mim é contra mim).
    Por isso tenho o direito de opinar sobre o que se passa em Angola, embora para lá ir tenha de pedir um visto que não é nada barato.
    Segundo, as escolas públicas portuguesas são boas. Infelizmente fazendo-se a comparação com Angola, posso até dizer que são muito boas. Tanto primárias como secundárias e universitárias.
    O problema das escolas angolanas, a todos os níveis é que com os disparates que se fizeram em Angola a partir de 1974 e se prolongaram até 1978, muitos quadros de qualidade (e por isso professores) se puseram a andar para fora do país. sabem quem ganhou com isso? Portugal!
    Nunca ninguém está contente com o que ganha e todos querem mais. falta saber se o país pode pagar. E aí é que está o busílis. Não há dinheiro para muito mais. E como diz o ditado, “casa onde não há pão, todos falam e ninguém tem razão”, a atual greve dos enfermeiros (Enfermiços é um adjectivo, como tal não existe nenhuma profissão com este nome. Voltamos à qualidade do português do seu texto) é prova disso e os próprios líderes da classe dos enfermeiros portugueses começaram a perder a cabeça e atiraram-se aos médicos. É uma briga que tem essencialmente (a meu ver) uma base política. É que para o ano há eleições e as várias correntes ideológicas estão a preparar-se para a corrida. Como Angola não é propriamente uma democracia aberta, talvez o Sr. Nguna Kawalo não perceba que por ali, também há algum folclore dessa luta política. Há por ali muito circo e guerrinhas.
    Terceiro, escolas e universidades privadas, há boas e más. Olhe, oBrasil é um exemplo acabado disso, mais do que Portugal, onde o peso das privadas é muito pequeno. De qualquer modo muitas das privadas, aquelas de pior qualidade, têm sido fechadas.
    Como Angola perdeu os quadros que tinha, tanto no processo de descolonização/independência (muitos eram os tais brancos porcos e maus), como na consequência do 27 de Maio de 1977 (novamente porcos e maus, se bem que já eram menos os brancos), tudo devido a gravíssimos erros de governação dos líderes angolanos que nunca estiveram à altura do que lhes era exigido, tudo o sistema de ensino, como aliás o da saúde (isto para não ir mais longe) ruiu. No segredo dos gabinetes, já mais de um dirigente angolano a nível de docência, me disse: isto do modo que foi o processo de independência e os anos que lhe sucederam foi um perfeito disparate.
    Não me quero estender mais, isto dava pano para mangas. Como disse no meu comentário inicial, a ideia do mestrado é boa mas vai levar décadas a dar fruto. O mais sensato, sem por de lado o mestrado, que repito, deve ir para frente, era iniciarem-se o mais depressa possível cursos de formação de curta duração para melhorar as capacidades dos actuais professores primários. Isto daria uma resposta imediata às necessidades de Angola e não deixava os actuais alunos do primário e do secundário sob a batuta de professores com formação deficiente. O mestrado irá servir uns poucos mas é preciso atacar em força a formação deficiente dos atuais professores angolanos, que se reflecte depois nos seus alunos.
    A finalizar, quando falo da fraca matéria-prima, não quero dizer que as pessoas em Angola são inferiores, mas que a fraca formação que receberam as tornam mais fracas e pouco ou nada competitivas. Melhora-se a matéria prima atacando desde já a formação dos professores com cursos curtos e repetitivos, que cheguem a todo o país, para que estes benefícios que os professores recebam cheguem rapidamente aos alunos. E o mestrado lá estará para os melhores, ou os que tenham melhores condições económicas e financeiras. Tudo isto deverá ser feito em simultâneo.

    Um abraço,

    Carlos Pinho

Leave a Comment