O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), António Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, exortou hoje, sábado, na cidade do Lubango, os militares a estarem sempre prontos para garantir a salvaguarda da democracia e o normal funcionamento dos órgãos de soberania no país. Esta afirmação, como outras deste general, coloca-nos enquanto país ao nível da Coreia do Norte e no topo do anedotário mundial “hardcore”.

O General de Exército discursava na reunião que, segundo a Angop, balanceou o ciclo de treinos táctico-operativos e combativos decorridos de 16 a 19 de Outubro, na província do Cuando Cubango, envolvendo 1.218 militares, no âmbito do cumprimento da directiva sobre a preparação operativa, combativa, educativa e patriótica.

O General considerou fundamental a preparação permanente das tropas para o aperfeiçoamento das técnicas de combate, de modo a fazer face aos riscos e ameaças que podem pairar sobre o país. Aclarou que acções combativas permitiram dominar, cada vez mais, a arte operativa nos escalões táctico-operacional e superar as dificuldades do quotidiano.

O chefe do Estado-Maior General das FAA, acompanhado dos comandantes das regiões norte, leste e sul do país, inteirou-se, igualmente, das obras que decorrem na Escola Inter-Armas de Sargentos (EIAS), arredores da cidade do Lubango, província da Huíla.

Em Agosto de 2015 já o então chefe do Estado-Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas (importante: para Educação Patriótica), general Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, explicava tudo sobre a persistente candidatura ao anedotário ditatorial do MPLA, na altura presidido por José Eduardo dos Santos e tendo como vice-presidente e ministro da Defesa o General João Lourenço.

Ou seja, devido à sua posição geoestratégica e às suas potencialidades em recursos naturais, Angola tem sido alvo de várias tentativas de desestabilização através do incentivo “de reformas correntes à desobediência e desacatos às autoridades legalmente instituídas”.

O general fez estas afirmações quando discursava na abertura do 6º curso de estratégia e arte destinado a oficiais generais e almirantes das Forças Armadas Angolanas.

Será então de concluir, ou não fosse o general Egídio de Sousa Santos “Disciplina” responsável pela “Educação Patriótica”, que os jovens activistas se inserem nessa monumental e poderosa tentativa de desestabilização, como tipificava na altura a alcateia de altos dirigentes ao serviço de sua majestade o rei Eduardo dos Santos.

De acordo com o oficial general, neste “sentido deve-se prestar maior vigilância a estes cenários para não permitir que a paz duramente conquistada à custa do suor e sangue de muitos filhos da pátria seja perturbada”. Quatro anos depois, tudo (ao que parece) continua na mesma e nem mesmo a passagem do General “Disciplina” a chefe máximo das FAA conseguir resolver a questão.

Está bem visto, reconheça-se. Provavelmente os jovens activistas estariam, para além de um golpe de Estado, a preparar-se para a guerra, pondo a paz, “duramente conquistada à custa do suor e sangue de muitos filhos da pátria”, em causa. Um pouco à semelhança do que hoje “tentaram”, em Luanda, os estudantes que se manifestaram contra as propinas.

O curso de “de estratégia e arte” de2015 enquadrou-se nas perspectivas e estratégias de formação definidas pelo comando superior das Forças Armadas Angolanas e materializadas pelo Estado-Maior General por intermédio dos seus órgãos de ensino militar.

“Esta formação marca uma etapa importante no âmbito da implementação da directiva do Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, José Eduardo dos Santos, que prevê um conjunto de tarefas concretas na perspectiva «Angola 2020», nas quais se destaca a formação contínua dos quadros a todos os níveis como premissa fundamental para a modernização da instituição castrense”, explicou na altura o general António Egídio de Sousa Santos “Disciplina”. Hoje só teve de substituir o nome do “querido líder”.

“Todavia, o sucesso de qualquer formação depende em última instância do engajamento efectivo que cada discente tiver no estudo das matérias que forem ministradas, além do factor coabitação entre docentes, discentes, conteúdo, métodos de ensino e aprendizagem”, afirmou o general Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, justificando a cada vez maior necessidade de reeducar os angolanos, militares ou não, já nascidos… ou não.

Egídio de Sousa Santos “Disciplina” afirmou estar convicto de que as Forças Armadas Angolanas “estão no bom caminho no concernente à formação, produzindo valores que possam enobrecer as estruturas de ensino militar, a instituição castrense, e o país em geral no contexto interno e externo em última instância, o soldado que constitui a unidade de um todo que são as Forças Armadas Angolanas”.

Esperava-se na altura (e continua-se à espera) que, para a completa segurança e desenvolvimento do país, os participantes encarnem os “Princípios fundamentais e bases ideológica do MPLA”, e se inspirem – por exemplo – no “Discurso do Presidente José Eduardo dos Santos na abertura do VI Congresso do partido”.

Com quase 44 anos de independência, 17 depois da paz, a estrutura militar angolana continua a trabalhar à imagem e semelhança dos Khmer Vermelhos de Pol Pot. Eduardo dos Santos gostava e, presume-se, deve ter passado esse gosto ao seu sucessor, general João Lourenço.

Espera-se igualmente que os militares não se esqueçam, como fez Setembro de 2009 o substituto do comandante da Região Militar Norte para Educação Patriótica do MPLA, Coronel Zeferino Sekunanguela, de enaltecer o contributo do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto na luta de libertação nacional.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica”, que falava numa palestra sobre “Vida e obra de Doutor Agostinho Neto”, disse nessa altura que Agostinho Neto foi o Fundador do movimento nacionalista, da Nação angolana e contribuiu para a luta de libertação nacional.

Assim sendo, “Educação Patriótica” é sinónimo do culto das personalidades afectas ao regime do MPLA, banindo da História de Angola qualquer outra figura que não se enquadre na cartilha do partido que, cada vez mais, não só se confunde com o país como obriga o país a confundir-se consigo.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” reconheceu então – e tudo continua mesma – que o primeiro presidente de Angola foi um grande estadista e político que contribuiu também para a libertação de outros povos africanos rumo à independência dos seus países.

Só é pena que Agostinho Neto não tenha nascido há uns séculos para ser possível dizer que também contribuiu para a independência de Portugal. Mesmo assim, é de crer que qualquer oficial superior da tal “Educação Patriótica” sempre pode dizer que Neto ajudou a democratizar o regime português.

Aliás, citando Zeferino Sekunanguela, foi graças à sabedoria de Agostinho Neto que o povo de Angola conseguiu libertar-se da escravatura e da colonização portuguesa e de todas os crimes promovidas pelos inimigos de Angola.

Ainda de acordo com Zeferino Sekunanguela, certamente agora secundado pelo general “Disciplina”, Agostinho Neto salientou-se também como médico profundamente humano, como escritor e político de renome internacional. De facto, melhor do que Agostinho Neto só… só… quem estiver no Poder.

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