O líder (ou ex-líder segundos os miaus da oposição interna) da coligação angolana CASA-CE, Abel Chivukuvuku, exonerado da presidência por cinco dos seis partidos da coligação, disse hoje que tomou conhecimento do seu afastamento pela comunicação social e que o mesmo “não tem qualquer respaldo legal”. Não ter tido conhecimento pelo MPLA foi uma sorte…

“S em preocupação, porque entendi que é meramente uma comunicação que não tem força legal e só o Tribunal Constitucional pode confirmar quem é o líder da CASA-CE, e por isso, vou aguardar que o tribunal se pronuncie, até lá, estou sereno e tranquilo”, disse hoje, Abel Chivukuvuku em declarações à Lusa.

Cinco das seis agremiações familiares a que os próprios chamam “partidos” que integram a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) deliberaram (como o Folha 8 noticiou) na quarta-feira a exoneração de Abel Chivikuvuku, tendo nomeado em substituição André Mendes de Carvalho “Miau”.

A decisão foi anunciada numa conferência de imprensa conjunta de cinco dos seis partidos e movimentos da CASA-CE depois de ter sido dado um prazo de 72 horas para que Abel Chivukuvuku apresentasse a demissão.

Hoje, Abel Chivukuvuku disse “não estar surpreso” com a posição dessas agremiações familiares porque, explicou, “é algo que se vem arrastando já há alguns anos” e que não foi “o primeiro a ser afastado”.

“Primeiro foram quase todos os independentes dos órgãos, depois foram os secretários províncias e eu fui o último que querem afastar”, afirmou.

Na conferência de imprensa participaram representantes do Partido para o Desenvolvimento e Democracia de Angola – Aliança Patriótica (PADDA-AP), Partido de Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA), Partido Pacífico Angolano (PPA) e Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional Angolana (PDP-ANA), tendo estado ausente o Bloco Democrático.

“Nós, partidos políticos, enquanto entes jurídicos constituintes da CASA-CE, deliberamos a demissão do Doutor Abel Epalanga Chivukuvuku do cargo de presidente da CASA-CE, com efeito imediato, por quebra de confiança. Em sua substituição, é indicado o companheiro André Mendes de Carvalho ‘Miau'”, referiu o líder do PADDA-AP, Alexandre Sebastião André, salientando que a decisão tomada foi “profundamente reflectida”.

Recorde-se, aliás, que Alexandre Sebastião André é especialista em atitudes “profundamente reflectidas”. Diplomou-se no assunto quando foi chefe-adjunto do Departamento Geral do Gabinete do Chefe do Estado Maior General das FAPLA Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (1985 a 1988), Chefe do Gabinete Jurídico do Instituto de Geografia e Cartografia de Angola – Ministério da Defesa (1988 a 1998), Vice-Presidente do “PAJOCA – Partido Angolano da Juventude Operária, Camponesa de Angola (1991 a 1998), Secretário da Comissão dos Direitos Humanos, Petições e Reclamações dos Cidadãos da Assembleia Nacional (1993 a 2008), Presidente do PAJOCA (1998 a 2008), Membro do Conselho de Estado da República (1999 a 2008) e Presidente do Partido PADDA- Aliança Patriótica (2009).

Questionado se considera uma traição o seu afastamento na liderança da segunda maior força política na oposição angolana, Abel Chivukuvuku disse que não e justificou: “não, porque eu trabalho para o país e sei que os angolanos reconhecem isso”.

Quanto à indicação do deputado André Mendes de Carvalho indicado para sua substituição, disse ser “irrelevante”.

Abel Chivukuvuku sublinhou que se considera um servidor, por isso, assinalou, vai “continuar a servir o país em todas as capacidades possíveis”, sem avançar mais pormenores.

A CASA-CE, criada em 2012, elegeu 16 deputados nas eleições gerais de 2017, duplicando o número de assentos em relação ao ano da sua constituição.

Abel Chivukuvuku, também deputado com mandato suspenso, “sem pretensões” de tomar o seu assento na Assembleia Nacional, assegurou que “estará presente” nas eleições autárquicas previstas para 2020 e nas eleições gerais de 2022.

“Estaremos presentes nas autarquias, estaremos presentes nas eleições de 2022. Nas autarquias, provavelmente, apoiando autarcas e não como candidato, reservo-me para 2022”, garantiu.

Folha 8 com Lusa

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