A expressão “Fake News” não foi inventada por Donald Trump mas foi e continua a ser muito usada por Trump para tentar camuflar os seus cambalachos e vigarices muitíssimo evidentes. O uso abusivo dessa expressão motivou muitos ditadores em todo o mundo, incluindo na Re(i)pública da Angola do MPLA, a copiar Trump, usando essa expressão, com demasiada frequência, na tentativa de acusar instituições e pessoas ligadas à comunicação social de distorcerem a verdade, para poderem continuar como ditadores, déspotas, corruptos, sanguinários, manipuladores retrógrados de mentalidades e matumbos.

Por Domingos Kambunji

A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos ficou manchada pela ajuda dos serviços secretos da Rússia. Essa interferência provocou uma investigação, liderada por Robert Muller, que produziu um relatório muito pormenorizado acerca deste cambalacho de Trump & Putin.

Ainda que o relatório não revele a prática de crimes, ele demonstra que houve bastante conivência e comprova que Trump e seus colaboradores recorrem à mentira, demasiadas vezes, para tentarem impor os seus sofismas e falácias como verdade absoluta.

Trump e a sua secretária para a comunicação social, Sarah Sanders, abusando do pódio do poder, tentaram, sem pausas, demonstrar que muitos órgãos de comunicação abusaram da mentira para destruírem o presidente dos Estados Unidos. Entre muitas outras instituições, Trump acusou a CNN, a MSNBC, o The New York Times e o Washington Post de serem “Fake News”. A investigação muito profissional e honesta de Robert Muller veio demonstrar que as notícias sobre os cambalachos do Trump eram verdadeiras e Trump e Sarah Sanders são mentirosos, muitíssimo mentirosos.

Sarah Sanders, como boca de aluguer de Donald Trump, não se cansava de acusar o FBI de ser uma organização de corruptos e mentirosos. A “grande comédia” teve o seu clímax quando a porta-voz de Trump foi entrevistada pelo grupo de procuradores de Robert Muller, sob juramento de dizer a verdade, na presença de membros do FBI, e foi obrigada a admitir que é mentirosa.

O procurador-geral de Donald Trump, William Barr, que não consegue ser suficientemente honesto e imparcial para desempenhar o cargo para que foi empossado, o de Procurador-Geral da República dos Estados Unidos, antes de tornar público o relatório de Robert Muller, apareceu numa conferência de imprensa a tentar ensinar os cidadãos dos Estados Unidos a ler esse relatório. Uma leitura atenta desse documento veio provar que o William Barr é tão mentiroso como Sarah Sanders e Donald Trump.

Toda esta longa introdução serve de mote para analisarmos as recentes intervenções do Ministério da Propaganda e Educação Patriótica de João Melo & seus kapangas no jornal da Angola do MPLA, da RNA do MPLA e da TPA do MPLA, contra as “Fake News” das redes sociais. Os “deturpados do MPLA no paralamento” nacional até criaram leis para condenar o que eles dizem ser “Fake News”.

Este Ministério e os órgãos oficiais de informação demagógica, obedientes a mutumbos do Departamento de Informação e Propaganda do Bureau Político do Comité Central do MPLA, andam muito preocupados com o jornalismo honesto das edições digitais e das redes sociais, por desmascarar as mentiras que os marimbondos publicam. Até organizam seminários, conferências e debates sobre “Fake News”, pensando que com essas estratégias estão a perfumar-se para disfarçarem o cheiro intenso a catinga cerebral.

Alguns dos jornalistas honestos, que publicam os seus textos nas redes sociais, foram condenados em Angola por difamação, como traidores e por falta de patriotismo por recusarem viajar na carroça do conformismo, do parasitismo, do servilismo e das falácias que transporta os directores e principais colaboradores do JA do MPLA, da RNA do MPLA e da TPA do MPLA.

Na Re(i)pública da Angola do MPLA a desonestidade é uma prática demasiado entranhada nas instituições. Presentemente não há a possibilidade de se efectuar uma investigação séria e imparcial porque não há separação de poderes nas instituições. A “porcariadoria-geral da reipública” é do MPLA, o “paralamento” nacional é do MPLA, os tribunais são do MPLA e a Comissão Eleitoral é do MPLA, para protegerem os marimbondos que acusam os independentes do sistema parasitário de publicarem “Fake News”. Eles conseguem manter-se no poder abusando da mentira.

A dúvida continuará suspensa nos ares de Angola: Será que o DIP do MPLA, o Ministério de João Melo e os órgãos oficiais da informação do MPLA se escudam nas práticas de Trump para acusarem o jornalismo livre das redes sociais de “Fake News”, ou será que Donald Trump continuará a inspirar-se e a motivar-se apenas na informação oficial demagógica do JA, da RNA e da TPA do MPLA para continuar a ser um grande mentiroso?