O MPLA (para quem não sabe é aquela seita (1) que desgoverna Angola desde 1975) vai iniciar amanhã, sábado, dia 20 de Abril de 2019, às 9 horas o que chama de “Campanha pública para a moralização da sociedade” angolana, com a realização do respectivo acto oficial (claro) de lançamento, a ter lugar na Tenda do Hotel de Convenções de Talatona, em Luanda, sob a superior e emblemática orientação da vice-presidente do Partido, Luísa Damião.

A campanha, diz o Departamento de (des)Informação e Propaganda do Comité Central do MPLA, tem o lema “combater a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade é garantir um futuro melhor e bem-estar das famílias angolanas”, e estender-se-á por todo o país, até 2021, considerando-se, contudo, como uma actividade permanente do MPLA, a todos os níveis.

É brilhante o uso deste circunlóquio (2). De facto, em vez se de propor combater “a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade”, bastaria dizer que a ideia era combater o ADN do MPLA.

É contudo evidente que a estratégia é apenas para financiadores verem. Isto porque se fosse mesmo para levar a sério o MPLA estaria condenado à extinção, ou não fosse a maior seita do mundo com o maior número de corrupto, bajuladores e similares por metro quadrado.

Com essa acção de educação patriótica e lavagem cerebral, o MPLA diz desejar contribuir para a moralização da sociedade angolana, sobre o combate à corrupção, ao nepotismo, à bajulação e à impunidade, através de uma ampla campanha pública sistemática (com o dinheiro do Povo); apoiar o Presidente do Partido e o Executivo na eufemística (3) luta contra esses males; prevenir actos idênticos na sociedade; divulgar as leis aprovadas sobre a corrupção, o repatriamento coercivo de capitais, o branqueamento de capitais e demais legislação; incentivar os cidadãos a denunciarem essas práticas lesivas e promover os valores morais, cívicos e éticos, a cidadania e o patriotismo.

Com esta estratégia de marketing, o MPLA espera, como resultados, o aumento do diálogo e da consciencialização da sociedade sobre a necessidade imperiosa do combate ao seu ADN nas diferentes valências, cado da corrupção, nepotismo, bajulação e impunidade; a abertura de espaços de debate sobre temas candentes da actualidade no País e o engajamento da sociedade no combate a práticas de improbidade pública.

Igualmente, acrescenta a seita, a assumpção do fenómeno como um problema social, cultural e económico, a ser combatido por todos; o apoio ao Presidente do MPLA e ao Executivo, na materialização do Programa de Governo 2017/2022 (não será, antes, 2017/2052?) e a promoção do resgate dos valores morais e cívicos no seio da sociedade angolana.

Garante o MPLA que académicos, líderes religiosos e membros da sociedade civil vão dissertar, ao longo da campanha, sobre os diferentes temas propostos, com o propósito do engrandecimento da Pátria angolana (do MPLA) e da construção e consolidação da Nação (do MPLA), porque desde 1975 que Angola é o MPLA e o MPLA é Angola.

Assim, através da sua página oficial de “fake news” no Facebook, o MPLA vai garantir (palavra de Presidente) a transmissão online de toda a cerimónia de amanhã, sábado, 20.

Informação pedagógica ao Departamento de Informação e Propaganda do MPLA e respectivas sucursais (ERCA, PGR, etc.):

(1) Grupo organizado que tem ideias ou causas em comum = Bando, Partido.
(2) Figura de estilo que consiste em dizer por várias palavras aquilo que pode ser dito por uma.
(3) Figura de estilo com que se disfarçam as ideias desagradáveis por meio de expressões mais suaves.

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