No dia 4 de Maio, a Sonangol E.P, veio a público informar, “como é desejável numa empresa que se pugna pela total transparência e respeito pelos seus clientes, que o mercado nacional tem estado a registar alguns constrangimentos no abastecimento de combustíveis”. Poucos dias depois o Presidente João Lourenço mandou o Presidente do Conselho de Administração, Carlos Saturnino, ir dar uma volta ao bilhar grande…

Carlos Saturnino explicou que a situação decorria, fundamentalmente, dos seguintes factores:

a) Dificuldades no acesso às divisas para a cobertura dos custos com a importação de produtos refinados. De referir que a Sonangol procede a importação de derivados mediante pagamento em divisas, para a venda ao mercado nacional em kwanzas.

b) Elevada dívida dos principais clientes do segmento Industrial, que consomem aproximadamente 40% da totalidade do combustível, cuja falta de pagamento condiciona a disponibilidade de kwanzas para a aquisição de cambiais.

c) Avarias sistemáticas nos navios de cabotagem, sendo que cada anormalidade no abastecimento em decorrência da referida causa implica um período de tempo para a reposição da rotina dos mercados.

Associados a estes factores, concorrem, de igual modo, explicou a Sonangol, outros como o estado técnico das estradas nacionais que condicionam o abastecimento por esta via, única alternativa para algumas regiões do país, assim como as condições atmosféricas que em determinados períodos dificultam a atracação dos navios.

Não obstante, a Sonangol assegurava ao público o seu total e permanente empenho para regularizar os mercados, tendo já efectuado o pagamento aos fornecedores de produtos importados, estando em processo de descarga quantidades suficientes para repor as condições de abastecimento.

Adicionalmente, foram iniciados os procedimentos para o lançamento do concurso público internacional para renovação da frota de navios.

Tendo consciência do transtorno causado, a Sonangol, pediu ao público em geral que racionalize o uso dos combustíveis, reafirmando o compromisso do retorno à normalidade nos próximos dias.

Nada disto convenceu João Lourenço e Carlos Saturnino, o perito dos peritos escolhido a dedo pelo Presidente da República para não só manter robusta a galinha dos ovos de ouro como a pôr a dar mais ovos, foi pregar para outra freguesia.

Com uma lágrima no canto do olho, serão alguns que recordam que a Campeã do Mundo de Jiu Jitsu, Kiriana Neto, apresentou, no dia 3 de Maio, ao Conselho de Administração da Sonangol E.P, na sala Girassol do edifício sede, a medalha de Ouro conquistada no passado dia 20 de Abril de 2019, em Abu Dabhi nos Emiratos Árabes Unidos.

Kiriana Neto, de sete anos de idade, começou a praticar a modalidade desde os três, tem no seu currículo oito medalhas, sendo seis nacionais e duas internacionais, e aproveitou o momento para mostrá-las ao embevecido Presidente do Conselho de Administração, Carlos Saturnino, que, acompanhado dos administradores Executivos Rosário Isaac, Baltazar Miguel e Gaspar Martins, ouviu do pai da atleta explicações sobre o percurso e competições em que a pequena tem participado.

De referenciar que, antes da conquista do título mundial, Kiriana foi campeã africana de Jiu Jitsu em Durban, Africa do Sul, no passado dia 3 de Março.

A mais jovem campeã do mundo foi (mas isso de nada valeu a Carlos Saturnino) patrocinada pela Sonangol E.P., no âmbito da sua política de responsabilidade social, e exibiu a Marca da petrolífera angolana durante a competição.

Na era “saturniniana” a Sonangol (versão João Lourenço II) foi incluída na lista das 100 melhores empresas a nível mundial e considerada a melhor empresa totalmente integrada de África, em 2018, pela revista britânica “World Finance”.

Na altura, Carlos Saturnino riu-se e, provavelmente, terá enviado uma cópia do galardão a Isabel dos Santos.

A distinção foi feita (segundo a revista) com base em critérios de resolução dos problemas enfrentados, como o esforço de trabalho e a criatividade. Coisa pouca quando comparada com a falta de combustíveis.

A “World Finance” é uma revista trimestral, impressa e divulgada online, que oferece cobertura e análises abrangentes do sector financeiro, dos negócios internacionais e da economia global, e tem como alvo, uma audiência de profissionais de finanças e investidores corporativos e privados.

“É um orgulho para todos nós, que construímos a Sonangol, E.P. todos os dias, receber um reconhecimento internacional desta dimensão”, lê-se na nota publicada no site da concessionária nacional de hidrocarbonetos.

Apelemos à memória, coisa que o Executivo do MPLA abomina. O Banco Espírito Santo Angola (BESA) foi novamente considerado, em 2012, o Melhor Banco de Angola. Recordam-se? E quem terá sido a organização, impoluta e credível, que chagou a tal conclusão? Exactamente a World Finance. E o prémio chamava-se “Best Commercial Bank Award”.

A nomeação do BESA pela prestigiada publicação internacional teve em conta a performance do banco, analisando critérios como a reputação, a excelência de gestão e a qualidade dos seus serviços. O Banco Espírito Santo Angola foi ainda considerado “Best Trade Finance Bank” e “Best Foreign Exchange Provider” pela World Finance.

Após consultas intensivas a banqueiros, executivos multinacionais e analistas do mundo inteiro, a revista internacional World Finance voltava nesse ano a eleger o Banco Espírito Santo Angola como o Melhor Banco de Angola.

A World Finance destacava que o BESA foi o primeiro banco a oferecer serviços de private banking no país e tinha uma unidade de comércio internacional forte. A revista salientava também a sua eficiente emissão de cartões de crédito, bem como a oferta do banco em matéria de fundos de investimento e serviços de gestão de fundos de pensão.

A World Finance atribuiu ainda, em 2012, outras duas distinções ao BESA. O prémio Best Trade Finance Bank 2012, que reconhece a qualidade das melhores instituições do sector de “trade finance” de 71 países, de todo o mundo, por meio de uma selecção efectuada pelo painel de especialistas internacionais – que integra analistas, executivos de multinacionais e especialistas em tecnologias – e o prémio Best Foreign Exchange Provider in Angola 2012, cuja distinção anual é atribuída às instituições com a melhor performance na execução de transacções internacionais.

A World Finance elegeu também o BESA como o “Best Commercial Bank” no âmbito da atribuição dos “Best Banking Awards 2012”. Uma distinção aliás que já havia sido feita em 2011. O prémio atribuído de novo ao BESA, visava reconhecer a instituição com a melhor performance no mercado angolano.

Com as distinções atribuídas em 2012 o Banco Espírito Santo Angola somava na altura 23 prémios internacionais, provenientes das mais prestigiadas organizações que analisam e avaliam a performance dos mercados financeiros internacionais. O banco volta assim a consolidar a sua posição de Melhor Banco em Angola, um reconhecimento que traduzia o esforço de melhoria contínua do seu posicionamento, a eficácia operacional e estratégica dos seus serviços e a excelente performance das suas equipas, em todas as vertentes de actuação do banco.

A World Finance é uma revista fundada em 1987, com a missão de ajudar os líderes empresariais, banqueiros e investidores a traçar o rumo dos negócios e das finanças mundiais. A revista produz análises, artigos e prémios que são a herança de muitos anos de experiência nos mercados financeiros internacionais, e fornece uma valiosa fonte de dados sobre 192 países.

Por último, apesar de todos estes prémios o BESA… faliu. E embora a situação não seja comparável à da Sonangol, nem Álvaro Sobrinho a Carlos Saturnino, a verdade é que um faz lembrar o outro.