O Caetano Júnior anda muito preocupado por um canal televisivo de Portugal ter dado tempo de antena a um cidadão português de extrema-direita, com um passado criminal. De facto a liberdade de expressão não deve servir para limpar a imagem ou promover aqueles que são inimigos da liberdade de pensamento construtivo.

Por Domingos Kambunji

Todavia, é de estranhar que o Caetano ande muito preocupado com o que acontece em Portugal e se esqueça de observar aquilo que aconteceu e acontece no seu quintal.

O ditador sanguinário Agostinho Neto é herói nacional no quintal do Caetano. Iniciador da guerra civil em Angola, inimigo da liberdade de pensamento, de informação e do sistema judicial, autor de crimes contra a humanidade, o Agostinho deveria merecer uma extensa crónica do Caetano expressando a repulsa pela actividade asquerosa deste presidente do MPLA.

Mas não. O Caetano tenta desviar a atenção para o que acontece em Portugal onde, apesar de alguns defeitos, as instituições e a Constituição não são obedientes aos caprichos do Presidente.

A presidente da Argentina está a ser investigada e julgada por crimes que alegadamente praticou. Quem está a investigar as actividades criminais e a corrução praticadas pelo emérito do MPLA José Eduardo dos Santos e seus sucessores?

O jornalismo investigativo diz que o João Lourenço é milionário com uma riqueza oriunda de percursos muito cinzentos. O comandante-chefe das “ordens superiores e das viagens ao estrangeiro em aviões de luxo” diz que não, que não é milionário.

O sistema judicial da Re(i)pública da Angola do MPLA e o Caetano não investigam porque a justiça e a comunicação social são propriedade e devem ser obedientes ao Presidente.

O Ministro do inTerror do tempo do José Eduardo dos Santos , reciclado por João Lourenço, o Ângelo que não é anjo, ficou famoso a planear e a implementar actividades repressivas contra cidadãos angolanos que se manifestavam em defesa de valores democráticos e contra a corrupção do MPLA.

O Caetano não pode escrever sobre a “folha de serviço” deste déspota obediente às ordens superiores da ditadura do MPLA porque a sua actividade redactorial é remunerada pelo pirão governamental.

O famigerado general Zé Maria especializou-se em inventar conspirações paranóicas contra o poder ditatorial do MPLA, para proteger o sistema político que amordaçava e, nalguns aspectos, ainda amordaça a liberdade de pensamento e expressão. O Caetano também irá propor que o Zé Maria seja beatificado e venha a adquirir o estatuto de herói nacional, como aconteceu com o déspota sanguinário Agostinho Neto?

Ainda se recordam do tempo em que o actual Ministro da Propaganda e Educação Patriótica do MPLA , João de Melo, convidava os militantes do partido a organizarem contra-manifestações para combater os defensores de valores democráticos e uma maior justiça social?

Agora o João Melo também diz que é democrata e até afirma que a comunicação social oficial que lhe presta vassalagem está bastante melhor (na UCI – Unidade de Cuidados Intensivos do comité central do MPLA).

É óbvio que o Caetano deve afastar as atenções deste cata-vento a exercer funções de Ministro da Propaganda e Educação Patriótica, orientando-as para o que se passa em Portugal. Senão o Caetano corre o risco de voltar à situação de… fuba podre… peixe podre… pano ruim… 50 kwanzas…

Estes, entre muitíssimos outros “digerentes” do MPLA, “ficaram célebres pelos mais infames motivos”. O Caetano, bajulador-adjunto do jornal da Angola do MPLA não se manifesta contra as “folhas de serviço” destes sobas do MPLA, que não deixam dúvidas, porque, pelo que parece, tem falta de frutos dos tomateiros.

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