O Governo de Angola apelou hoje à população para se abster de participar em qualquer iniciativa que coloque em causa a ordem e tranquilidade pública, na sequência dos acontecimentos registados recentemente em Portugal, com cidadãos angolanos e portugueses de origem angolana, no bairro da Jamaica. Meia dúzia manifestaram-se hoje, no Seixal, guiados e instruídos pelo Bloco de Esquerda que não quer perder este nicho de mercado… eleitoral.

Por Orlando Castro (*)

Num comunicado, o Ministério do Interior de Angola relaciona o apelo com o facto de estar a “acompanhar, com alguma preocupação”, diversos “pronunciamentos de vários cidadãos nacionais e estrangeiros” após os desacatos naquele bairro do Seixal.

“Considerando que alguns destes pronunciamentos incitam e instigam à desordem e à violência, o que é punível pela lei penal angolana, o Ministério do Interior apela à população para se abster de participar em quaisquer iniciativas que possam colocar em causa a ordem e a tranquilidade públicas, a integridade física dos cidadãos nacionais ou estrangeiros, bem como a propriedade privada, tornando público que os seus órgãos não permitirão que a ordem social seja subvertida”, lê-se no documento.

No comunicado, o Ministério do Interior aconselha todos os cidadãos a aguardarem “com serenidade” os resultados do inquérito mandado instaurar pelas autoridades portuguesas e adianta que as estruturas competentes do Governo de Angola estão a acompanhar a questão.

Desde o incidente registado naquele bairro, a 19 de Janeiro, que as redes sociais em Angola têm incitado a acções de retaliação violenta contra cidadãos portugueses que residem no país.

A contestação nas redes sociais, em que os portugueses são acusados de “racismo” e de “xenofobia”, tem gerado uma série de ideias, desde manifestação diante da embaixada de Portugal em Luanda e no consulado em Benguela, à exigência ao Estado angolano que proceda ao levantamento do número de cidadãos lusos em Angola, para expulsar os ilegais.

Numa das mensagens nas redes sociais, um grupo de cidadãos subscreve estas e outras ideias, garantindo que se o Governo angolano não se pronunciar até à próxima quarta-feira, irá desencadear as acções propostas.

Na quinta-feira, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas do Ministério das Relações Exteriores, Domingos Vieira Lopes, disse que o assunto está a ser tratado pelo Consulado e a Embaixada de Angola em Portugal, que juntamente com as autoridades portuguesas estão a avaliar a situação e apurar as responsabilidades.

“Até lá vamos aguardar e vamos ter serenidade, para que depois do levantamento que a polícia está a fazer se emitir um comunicado final”, disse Domingos Vieira Lopes à margem de uma reunião da Assembleia Nacional.

O governante angolano referiu que foi já emitido um comunicado principalmente dirigido à comunidade angolana, “para que respeitem a lei do país de acolhimento e que não se envolvam em situações menos boas”.

“O que ocorreu no domingo foi lamentável, mas estamos a tratar isso em fórum próprio”, salientou.

Na manhã de domingo, a polícia foi alertada para “uma desordem entre duas mulheres”, tendo sido deslocada para o local uma equipa de intervenção rápida da PSP de Setúbal. Na ocasião, um grupo de homens reagiu à intervenção dos agentes da PSP quando estes chegaram ao local, atirando pedras.

Na sequência destes incidentes, ficaram feridos, sem gravidade, cinco civis e um agente policial, que foram assistidos no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A PSP decidiu abrir um inquérito para “averiguação interna” sobre a “intervenção policial e todas as circunstâncias que a rodearam”, da qual resultaram, além dos feridos, um detido, que saiu em liberdade.

O caso foi divulgado nas redes sociais através de um vídeo parcial sobre o ocorrido, o que tem gerado várias debates de cidadãos angolanos e portuguesas sobre o assunto.

Bloco de Esquerda à espera de… votos

U ma deputada do Bloco de Esquerda, Sandra Cunha, esteve hoje na manifestação de apoio aos moradores do bairro da Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, onde defendeu que Portugal tem um “problema de racismo institucional”. Esqueceu-se, contudo, de também dizer que Portugal tem em alguns dos seus deputados um problema de nanismo intelectual e civilizacional, para além de um manifesto complexo de inferioridade.

“O combate à violência passa também pelo combate aos preconceitos, ao racismo, à xenofobia e nós sabemos que Portugal tem um problema de racismo institucional, é um problema estrutural, é um problema que não é só o Bloco que o afirma”, referiu Sandra Cunha. E, a fazer fé no que os bloquistas revelaram neste caso, tem também um problema atávico de imbecilidade e nescidade.

A deputada falava aos jornalistas em frente à Câmara do Seixal, onde decorria uma manifestação de apoio aos moradores do bairro da Jamaica, no qual os moradores não compareceram, contra as alegadas agressões, racismo policial e por habitações dignas.

Para Sandra Cunha, deveria haver “uma maior aposta” na educação e formação das forças policiais. É uma boa medida que deveria, inclusive, ser alargada a alguns deputados portugueses (quase todos os do BE) para quem os angolanos são uns matumbos que precisam de cães-guia para saberem onde devem urinar.

“O relatório da equipa contra o racismo e insegurança da Comissão Europeia, que saiu no ano passado, refere precisamente e faz recomendações nesse sentido porque há focos de violência, racismo e discriminação nas forças policiais. O papel das forças policiais é absolutamente crucial para garantir a segurança da população, valorizamos o trabalho dos elementos e consideramos que a sua imagem não pode ser manchada pelo comportamento de alguns”, frisou.

Tem razão. Aliás, se a qualidade intelectual dos deputados portugueses se medir pela de Sandra Cunha, é bem certo que os portugueses também precisam de muitos cães-guia…

Quando questionada sobre as críticas de que o Bloco de Esquerda tem sido alvo, a deputada garantiu que o partido apenas está a defender o fim da violência. Mentira, senhora deputada. O seu partido está a defender um nicho de mercado (eleitoral) e está a ser racista, passando-nos um atestado de menoridade e matumbez.

“Não é um aproveitamento quando faz parte daquilo que o Bloco de Esquerda sempre fez, estar contra o racismo, contra a discriminação, que é alias aquilo que todas as pessoas, e ainda mais com responsabilidades políticas, se deviam manifestar por uma sociedade igualitária e sem violência. Estamos aqui a mostrar que esta gente não é violenta”, frisou.

“As pessoas são livres de participar e apoiar aquilo que entenderem. O Bloco de Esquerda sempre esteve do lado da igualdade, do respeito, da luta contra a discriminação, contra a violência e é por isso que estamos aqui também para prestar esse apoio e para dizer que estamos numa manifestação física, como se pode ver, e que exige aquilo que são valores fundamentais da nossa democracia, que são a igualdade, a liberdade, a não violência, o não ao racismo e combate à descriminação”, mencionou.

Sandra Cunha alertou também para a realidade económica e habitacional dos moradores de Vale de Chícharos.

“O bairro da Jamaica tem graves carências económicas, vive em condições de habitabilidade desumanas e o Bloco de Esquerda conseguiu na Assembleia da República que o processo de realojamento fosse feito com os moradores. Esse é um grande passo e esperemos que o processo decorra com toda a tranquilidade e não seja manchado com estes incidentes”, afirmou.

Quando questionada sobre o porquê de uma manifestação à porta da câmara municipal, que está a financiar a maior parte dos realojamentos em Vale de Chícharos, a deputada esclareceu que essa decisão “não foi da autoria do Bloco”.

“Só estamos aqui a apoiar no local onde as pessoas escolheram para isso. A câmara é um órgão do poder local e presumo que seja por isso a escolha, por ser um órgão político que também tem responsabilidades nessa matéria, especialmente nas questões do realojamento”, explicou.

Talvez não tivesse sido má ideia, tal como em 2016, Sandra Cunha apresentar-se com um cartaz com a imagem de Jesus Cristo, não a dizer que “Jesus também tinha 2 pais”, mas a afirmar que Ele era, afinal, racista.

(*) Com Lusa

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