Com a medida do Banco Nacional de Angola encerrar sem prévios procedimentos administrativos, enquanto banco central, o Banco Postal, ligado a um dos filhos do ex-presidente, voluntária ou involuntariamente, as pessoas poderão ficar com a sensação do combate à corrupção, no consulado do Presidente João Lourenço se circunscrever aos filhos e próximos de José Eduardo dos Santos.

Saído da política activa, os seus camaradas de partido decidiram atribuir-lhe a chancela, que se revelou ser de latão, de presidente emérito do MPLA, mas afinal, na velha táctica da víbora, de distrair, elevando a vítima aos píncaros, para depois lhe desferir o golpe fatal, com o veneno, capaz de o deixar, completamente infectado e nu.

Não se deve escancarar desta forma uma aversão a determinados actores, quando todos da equipa, uns mais do que outros, meteram e beneficiaram, ilicitamente, incluindo o próprio governador, responsável pelo descalabro do sistema bancário, dos fundos públicos, fraudulentamente, desviados.

Será o governador José de Lima Massano capaz de justificar a licitude da sua riqueza?

Não se pode tentar iludir o povo, durante tanto tempo, de um combate que deve ser sério, imparcial e competente, mas apenas direccionado aos fracos. Sim fracos, pois os filhos de Dos Santos, ele mesmo é-nos considerado próximo, estão tão vulneráveis, que nem um simples escrivão do tribunal ou investigador do SIC, sob medo de retaliação, os trata, ao abrigo do art.23. da CRA (Constituição da República de Angola) Princípio de Igualdade.

Ninguém, no juízo perfeito, dúvida que esta prole beneficiou muito, na teta pública, para enriquecer. Mas foram os únicos? Seguramente, que não! Infelizmente alguém querendo inventar a roda, pretende convencer que eles todos ou estavam na cadeia, no exílio ou desterrados na Baía dos Tigres.

Mas o gráfico mostra precisamente o contrário. Os corajosos e heróis de hoje, foram os mesmos covardes de ontem que idolatravam o “arquitecto da paz” e “líder clarividente”.

Ainda que as razões do BNA sejam legítimas, a rapidez do processo, com a celeridade da instrução por parte da PGR, com a duração de cerca de 6 horas e o juiz determinar e julgar a providência cautelar, de um processo sinuoso, em pouco mais de 4 horas, compromete a independência dos órgãos de justiça, que parecem vergados ao poder partidocrata presidencial.

É para estranhar? É novidade? Não! No tempo do outro Senhor, o juiz Januário também foi coagido a transformar lapiseiras em canhões e um livro em tanques de guerra, que se dirigiam com os jovens 15+2, em direcção ao Palácio para darem um golpe de Estado.

O regabofe já vem de longe…

Finalmente para quem alardeou uma transição pacífica e exemplar, estará agora a comer porcaria, porquanto, o sentido de raiva, ódio que se está a passar à opinião pública, demonstra duas coisas:

a) o MPLA pretende limpar a imagem bastante desgastada de má governação e roubalheira mas, sem estratégia, lança uns poucos, às feras;

b) Fazer esquecer a fraude eleitoral, descaracterizando alguns camaradas do próprio partido, catalogados de corruptos e marimbondos, para consolidar também a imagem do novo líder, por ter atacado a antiga família real.

Afinal, fica destapado que quem estiver a poente do Rio Luguembungo, nunca poderá augurar, neste consulado, com sã e imparcial justiça, isso entre eles, agora imaginemos com o geral, incluindo muitos dos que batem palmas, poderão ser tratados, pior do que os cães.

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