O primeiro Banco de Leite Humano (BLH) angolano está em fase final de montagem e a unidade, com inauguração prevista para Outubro, vai “ajudar a redução da mortalidade infantil” no país, foi hoje anunciado. Há um ano, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, garantia que o país iria ter um Banco de Leite Materno “ainda no segundo semestre de 2018”.

“T emos que ser optimistas, grande parte deste projecto é financiado por doações e acreditamos que ainda neste segundo semestre será possível termos o nosso banco de leite a funcionar”, afirmou a ministra em declarações aos jornalistas no dia 1 de Agosto de 2018.

A governante que falava à margem da cerimónia de abertura da Semana Mundial da Amamentação, sublinhou que razões financeiras impossibilitaram a implementação deste Banco que deve funcionar na maternidade Lucrécia Paim, em Luanda.

“Este é um projecto que já tem alguns anos e que por esta altura deveria ter sido implementado, por razões financeiras e outras ainda não está preparado ou iniciado”, explicou. Pois é. Mas será que o Fundo Monetário Internacional (como novo “dono” da nossa economia) deixa?, foi a pergunta que o Folha 8 fez nesse mesmo dia.

O Banco de Leite Materno é uma instituição de saúde que se dedica a colectar, analisar, armazenar, preservar e entregar leite materno doado.

Sílvia Lutucuta fez saber igualmente que o departamento ministerial que dirige já trabalhava com a direcção da maternidade Lucrécia Paim, a maior do país, para a “curto prazo” conseguir começar com o projecto de aleitamento materno naquela maternidade.

“As instalações já estão, os equipamentos foram em grande parte doados, têm que chegar ao país e também precisamos de formar quadros com as competências necessárias para que este projecto seja um facto”, sustentou.

Em Angola, segundo revelou hoje a ministra, e como Folha 8 revelou no texto “Ao menos não brinquem com as nossas crianças”, apenas 38% das crianças são amamentadas exclusivamente até ao sexto mês.

Hoje, segundo a coordenadora do Núcleo Nacional de Amamentação de Angola, Elisa Gaspar, a montagem de equipamentos do BLH já decorre, numa altura em que técnicos angolanos para manutenção dos equipamentos estão igualmente a ser formados.

“Daqui a duas semanas chega a outra equipa de professores que vai dar as aulas práticas porque somos 25 técnicos angolanos formados em banco de leite, entre fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos” disse a coordenadora, em declarações aos jornalistas, em Luanda.

Falando no acto de abertura da Semana Mundial de Amamentação que decorreu na Maternidade Lucrécia Paim, maior de Angola, em Luanda, a responsável assinalou a importância da data exortando as mães a “amamentarem regularmente os filhos” e “também a doarem o seu leite”.

“Temos um banco de leite que está quase a ser inaugurado, então precisamos de bastante leite para oferecer a crianças prematuras ou de mães seropositivas, entre outras”, afirmou.

A médica pediatra adiantou que a unidade hospitalar conta actualmente com 50 doadoras, referindo que campanhas de sensibilização a nível da comunidade e instituições decorrem com o propósito de alterar a importância da doação do leite materno.

Questionada sobre os mecanismos de fiscalização e conservação do futuro BLH, cuja inauguração está prevista para Outubro próximo, Elisa Gaspar assegurou que a nível do banco haverá “um trabalho rigoroso”.

“É um trabalho muito rigoroso, porque não podemos infectar o leite, ele passa por um processo químico, biológico e físico”, sublinhou.

Para a também bastonária dos médicos angolanos, a implementação no país de um banco de leite, com capacidade para conservar 100 litros, vai “ajudar à redução da mortalidade infantil em Angola”.

“Experiências científicas dizem-nos que os países que têm o banco de leite reduziram a mortalidade infantil, então é esse o nosso desejo”, assinalou.

Na ocasião, o Núcleo Nacional de Amamentação de Angola homenageou a mulher que mais dou leite à Maternidade Lucrécia Paim, dez litros desde Fevereiro, que se manifestou “feliz e disposta” em continuar a doar o seu leite para outros bebés.

“Como eu tenho mesmo muito leite, então eu tirava primeiro para o meu bebé, mas como o banco de aleitamento do hospital já tinha aberto, então decidi deixar para alguns bebés que não têm a oportunidade de as mães poderem dar o leite natural”, disse Domingas Sabino aos jornalistas.

A Semana Mundial de Amamentação decorre de 1 a 7 de Agosto sob o lema: “Amamente, dê ao seu filho o que há de melhor”.