A reabilitação das vias de acesso ao Morro do Moco, o ponto mais alto do país, com 2.620 metros, bem como a implementação, neste mesmo local, de vários equipamentos sociais para torná-lo mais atractivo, figuram entre as principais acções da administração municipal do Londuimbali, âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento dos Município (PIIM). Registe-se, entretanto, que em vários municípios do Huambo há gente a morrer à fome. Quais? Caála, Bailundo, Mungo, Cachiungo e… Londuimbali.

Ao confirmar o facto à ANGOP, o administrador do Londuimbali, 92 quilómetros a Nordeste da cidade do Huambo, Luís Garcia Caíca, disse tratar-se de um total de 33 quilómetros de estradas, subdivididas em duas áreas de acesso ao ponto mais alto do país, que se encontra na zona limítrofe com o município do Ecunha.

O responsável referiu que o PIIM, lançado a 28 de Junho do corrente ano pelo Executivo angolano, contempla a construção de vários equipamentos sociais, com realce para um posto de atendimento médico e medicamentoso aos turistas, nesta altura, com uma média diária de 50 visitantes, entre nacionais e estrangeiros.

Luís Garcia Caíca informou que o Programa Integrado de Intervenção dos Municípios contempla igualmente outros projectos de impacto económico-social do município do Londuimbali, com realce para a infra-estruturação e melhoria do saneamento básico.

Disse também que as autoridades do município pretendem tornar o Morro do Moco num dos maiores destinos dos turistas nacionais e estrangeiros, como forma de reduzir o índice de desemprego e criar novas fontes de arrecadação de receitas públicas, no quadro da diversificação económica.

Outro desafio, segundo o gestor do município do Londuimbali, tem a ver com a captação de investimento privado, para uma melhor exploração do monte, uma das Sete Maravilhas de Angola, através da expansão da hoteleira e dos serviços de restauração, para torná-lo num local diversificado em termos de atracção turística.

O Morro do Moco conserva muitos e valiosos recursos faunísticos e minerais que, aliados às suas incomparáveis rochas e grutas na montanha, fazem dele um lugar de referência nacional e internacional.

Além de diversos tipos de árvores e animais, entre chimpanzés e cabras do mato, bem como 200 espécies de aves, nascem nele os rios Balombo, Chavassa e um outro com o próprio nome do monte.

A designação Moco deriva da expressão “Omoko”, que em língua nacional umbundu significa faca. Segundo reza a história, certo dia, um caçador perdeu a sua única faca (omoko), durante a sua actividade no monte, e de regresso à aldeia convidou alguns homens para o ajudarem a encontrar o seu artigo, tão valioso para a caça e de lá nunca mais regressaram.

Com uma população de 154.235 habitantes, no município do Londuimbali existem 22 pontos de atracção turísticas por explorar e cinco estabelecimentos hoteleiros.

Turismo de fome no Londuimbali

A má nutrição severa (em português corrente significa “fome”) causou já este ano (de Janeiro a Maio) a morte de 73 crianças, em 1.341 casos registados, na província do Huambo. Comparativamente a igual período do ano passado é um aumento de 30%. Coisa pouca, dirá o MPLA.

De acordo com declarações prestadas à ANGOP pela supervisora de Nutrição no Planalto Central, Cármen Adelaide Agostinho Mossovela, no período em referência faleceram 73 crianças (embora sejam do Huambo presume-se que sejam… angolanas), por malnutrição severa (fome), de um total de 1.341 doentes atendidos pelas autoridades sanitárias locais.

A supervisora de nutrição mostrou-se preocupada com o aumento de casos provenientes, na sua maioria, das zonas rurais dos municípios do Huambo, Caála, Bailundo, Mungo, Cachiungo e Londuimbali.

Cármen Adelaide Agostinho Mossovela lembrou que durante todo ano de 2018, as autoridades sanitárias haviam registado 123 óbitos, de um universo de 1.632 casos diagnosticados.

A responsável apontou o desmame precoce do bebé, por negligência ou ignorância das mães, a carência dos alimentos, o consumo de produtos industrializados ao contrário dos naturais e a guarda do menor por uma outra pessoa, como sendo as principais causas da malnutrição

Deste modo, quase parecendo acreditar (ou será que acredita mesmo?) que Angola é um Estado de Direito, Cármen Adelaide Agostinho Mossovela apelou às mães a cumprirem com as regras de aleitamento materno, que deve ser obrigatório e exclusivo nos primeiros seis meses e, posteriormente, introduzir outros alimentos, em prol do desenvolvimento saudável da criança, que, por sua vez, deve ser amamentada até aos dois anos de vida.

Não seria mau (mas isso o Governo não deixa que se diga) reconhecer que, num universo de 20 milões de pobres, as nossas crianças continuam a ser geradas com fome, a nascer com fome e a morrer pouco depois com… fome.

Cármen Adelaide Agostinho Mossovela elucidou que o aleitamento materno, além de ser o melhor alimento para os bebés nos primeiros dias de vida, ajuda a prevenir o câncer da mama, referindo que, entre os sintomas da doença, destaca-se o emagrecimento excessivo, edemas nos membros inferiores, a falta de apetite e outros indicadores.

Angola está com uma taxa de “desnutrição crónica” na ordem dos 38%, com metade das províncias do país em situação de “extrema gravidade de desnutrição”, onde se destaca o Bié com 51%”, anunciaram no dia 13 de Junho de 2018 as autoridades. Mais uma medalha para o MPLA, fruto de uma má governação que dura desde 1975.

A informação foi transmitida nesse dia pela chefe do Programa Nacional de Nutrição de Angola, Maria Futi Tati, durante um seminário de lançamento da “Plataforma Multissectorial de Nutrição em Angola”, realizado, em Luanda, considerando a situação “muito séria e preocupante”.

“O grau de desnutrição, principalmente a crónica, a nível do país é muito sério. Temos que trabalhar bastante, estamos com uma desnutrição crónica com uma taxa de 38% e o padrão preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de menos de 20%”, disse.

De acordo com a responsável, “nenhuma das 18 províncias angolanas está em normalidade nutricional”, ou seja, “todas as províncias estão com problemas sérios de desnutrição”, demonstrando que “o país está mal”.

Que está mal já todos nós sabemos há décadas. Só o MPLA, que está no governo desde 1975 desconhece essa realidade. E desconhece porque é algo que não afecta os altos dignitários do regime.

Folha 8 com Angop

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