O Ministro das “Ralações” Exteriores da Re(i)pública da Angola do MPLA, Manuel Augusto, anunciou que o nosso país irá receber a visita de vários presidentes da África Austral, para celebrar o “dia da libertação africana”. Esta iniciativa visa comemorar a “grande vitória na Batalha do Coito-Carnaval”, dia 23 de Março.

Por Domingos Kambunji

A História diz-nos que alguns dias após esse dia em que o MPLA anunciou a “grande vitória na Batalha do Coito-Carnaval, as FAPLAs levaram um enorme arraial de pancadaria na batalha que designaram por “Assalto Final”, quando as forças do Zédu, a fugir, “até batiam com os calcanhares no cu”.

Se esta estória não fosse tão trágica seria bastante cómica. Os generais do Zédu, para a batalha “Assalto Final”, convidaram estações de televisão internacionais que fizeram a reportagem em directo. Só que as coisas deram para o torto… em vez de as reportagens mostrarem a celebração de uma enorme vitória do MPLA, mostraram uma acelerada fuga aflitiva dos camaradas na tentativa de salvarem a vida.

Um dos comandantes desta batalha “Assalto Final” foi o famoso general do MPLA Higino Carneiro, o que, quando esteve como governador do Cunene, dizia que foi o fundador da Indústria da Madeira naquela província. Essa “industria” consistiu apenas em cortar árvores!…

O MPLA iniciou a guerra civil para impor uma ideologia marxista-leninista. Matou muitas centenas de milhar de angolanos, tentando copiar as purgas de José Estaline na Rússia, para, depois de verificar que defendia valores matumbos e retrógrados, mudar de ideologia e passar a defender aquilo que combatia.

Nessa ocasião diziam que o Zédu era um escolhido por Deus, o “Faz-tudo”, o Arquitecto da Paz, um Grande Pensador, um Grande Amigo dos Angolanos. Essa moda também já está desmodada. Agora o JLo é que é o escolhido por Deus, o “Faz-tudo”, um grande pensador, um grande amigo dos angolanos, até ele passar de moda. O Zédu agora é acusado de ser ladrão, corrupto, traidor, inimigo do povo angolano…

É provável que num pretérito dia 23 de Março se tivessem “libertado” alguns países africanos. Essa “libertação” não se estendeu à Re(i)pública da Angola do MPLA, onde, actualmente, o salário mínimo nacional é de cerca de 60 euros mensais, muito menos do que ganham, por dia, os trabalhadores dos países “neocolonialistas, imperialistas, inimigos do povo”… que o MPLA dizia combater. Nesta fase do ciclo económico internacional, a economia desses países “neocolonialistas, imperialistas, inimigos do povo”… está a crescer. A economia da Angola do MPLA não passa da cepa torta, continua muito doente e se não fosse as receitas provenientes da venda do petróleo…

O MPLA não libertou Angola, colonizou-a com os generais cleptómanos que ocuparam os cargos de kapangas do presidente, um grupo oligárquico onde está incluído o ex-Ministro da Defesa da Corrupção, o actual presidente conivente.

Que “libertação” foi essa quando o nosso país ocupa o lugar número 165, a nível mundial, no combate à corrupção?

Que “libertação” foi essa quando o nosso país, que possui uma população inferior a 30 milhões de cidadãos e tem 20 milhões de pessoas a viverem na pobreza?

Que “libertação” foi essa quando o nosso país ocupa as posições cimeiras, a nível mundial, em mortalidade infantil? Que libertação foi essa quando no nosso país continuam a morrer pessoas de fome (o MPLA designa por subnutrição)? Que libertação foi essa quando continuam a ficar crianças fora do sistema escolar por falta de escolas e de professores? Que libertações foi essa quando a qualidade do Ensino no nosso país é miserável? Que libertação foi essa quando continuam a morrer milhares de pessoas devido a epidemias e outras doenças facilmente combatíveis em países civilizados?

Que prosperidade é essa quando, passadas mais de quatro décadas de governação do MPLA, o nosso país, de acordo com uma avaliação do Legatum Institute de Inglaterra, em 2018 era dos países mais atrasados a nível mundial: Qualidade da Economia: lugar 141; Qualidade de Negócios: lugar 146; Qualidade da Governação: lugar 142; Qualidade do Ensino: lugar 129; Qualidade da Saúde: lugar 139; Direitos Humanos: lugar 129; Qualidade do Ambiente: lugar 146.

Os lançadores de foguetes dirão: “Mas isso é culpa do Zédu”!

Então o JLo não foi conivente? Algum dia ouviram dizer que o JLo apresentou um pedido de demissão do cargo de Ministro da Defesa da Corrupção do Zédu por discordar da política seguida?

Não seria melhor usar o dinheiro gasto e a comida dos banquetes que irão ser oferecidos aos “digerentes” da África Austral, nas comemorações da Batalha do Coito-Carnaval, para alimentar quem passa fome na Re(i)pública da Angola do MPLA?

A culpa da actual situação vergonhosa é da megalomania matumba dos altos “digerentes” do MPLA e, pelo visto, a doença parece ser crónica!

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