O partido no poder, MPLA numa clara visão neocolonial continua de mãos dadas com uma abjecta e persistente incoerência histórica. Por um lado, diz ser Angola independente de Portugal e constituir um novo ente jurídico internacional, no concerto das nações mundiais, desde 11 de Novembro de 1975, quando abdicou, “de jure” de ser província, para se converter em República Popular de Angola.

No entanto, “de facto” a realidade é diferente, em função dos complexos da maioria dos altos dirigentes do MPLA, que por tudo e por nada, adoptam e copiam todas as referências portuguesas, da sardinha às leis e ao vinho.

Um dos casos mais emblemáticos é os ex-colonizados, ou serão colonizados, ainda (?), festejarem com pompa e circunstância as datas dadas às cidades, pelos portugueses, como o dia 25 de Janeiro de Luanda.

Como existe a matumbez histórica, por parte dos complexados dirigentes do partido no poder, estes consideram, vergonhosamente, ter Luanda sido fundada pelo fidalgo explorador português, Paulo Dias de Novais, em 25 de Janeiro de 1576 e baptizada como São Paulo de Assunção de Loanda.

Tivessem orgulho de ser autóctones angolanos e, na certa, certos dirigentes do partido no poder, se recordariam que aquando da chegada deste navegador português, Luanda tinha pessoas, ordenamento urbano, um poder da cidade, uma vez ser, à época, uma das mais importantes capitais do Reino do Kongo, que fixou na Baía e Ilha de Luanda o seu Ministério das Finanças, com base no Zimbo que era uma das moedas do Reino.

O reconhecimento feito pelos portugueses da existência da moeda (Zimbo) e de um poder angolano, colocam por terra as teses dos complexados angolanos.

O Zimbo, caracterizado por pequenos búzios, foi durante muito tempo o capital circulante na hora da troca. Como instrumento de troca entrou em queda em 1616, dando lugar aos panos como moeda mais generalizada com origem no Congo e Luango.

Estes panos traduziam riqueza em paralelo aos escravos que também durante longos anos serviram de peso monetário para o comércio.

O sal também teve o seu valor como moeda de troca especialmente quando viesse da Kissama e das salinas de Benguela. Depois veio o cobre, um dos metais que desde 1801 despertou interesse dos portugueses, cuja proveniência era um dos segredos mais bem guardados dos povos que fundiam.

O marfim também fez história, o cauris, as contas feitas de missangas, as fazendas, a macuta, moeda de cobre angolano.

Até 1864 a actividade económica em Angola era feita essencialmente sobre os mecanismos tradicionais de sistema de permuta de géneros.

O “Cauris” era concha branca de rara beleza. A sua generalização em Angola e no Congo teve lugar a partir do século XVI e foi consequência das relações comerciais dos mercadores portugueses que, por via marítima, o importavam do Oriente.

Neste percurso de Valores Pré-Monetários de Proveniência Exterior, circularam no actual território de Angola, a partir do Séc. XVI, as contas e missangas das mais variadas cores e feitios, que acabaram por suplantar as conchas, em especial o “Zimbo” e o “Cauris” na sua função de moeda.

Se as autoridade nacionais de hoje querem comemorar uma data, por favor, recorram à história dos nossos ancestrais e não dos portugueses, para que um dia, à luz do direito internacional, não termos de reconhecer, que ainda somos uma colónia.

Partilhe este Artigo