Descontos entre os dez e vinte por cento dos preços dos bilhetes de passagem para as rotas domésticas entraram em vigor a partir de zero hora de 19.02.2018 na companhia aérea nacional, TAAG. Apesar disso, a contestação continua.

Por Pedrowski Teca

Porém num comunicado de imprensa hoje divulgado, as Linhas Aéreas de Angola esclarecem que essas reduções serão aplicadas apenas para os bilhetes que forem adquiridos com antecedência, uma posição criticada por não ser uma tarifa fixa, tão pouco acessível.

De acordo com essa nova política de gestão de reservas e emissão de bilhetes de passagem nas rotas domésticas, os bilhetes para a classe económica ou executiva, adquiridos com 7 dias de antecedência, beneficiarão de um desconto de 10 por cento sob a tarifa em vigor, enquanto os bilhetes adquiridos com 14 dias ou mais de antecedência, beneficiarão de 20 por cento de desconto, sob a tarifa disponível no sistema de vendas da TAAG.

“As actuais classes da económica e executiva (Y e C) manter-se-ão e estará disponíveis para os clientes que não pretenderem adquirir os seus bilhetes de passagem com antecedência”, diz a TAAG.

Recorde-se que a TAAG tem sido alvo de críticas e manifestações no leste do país, com maior incidência nas províncias da Lunda Norte e Moxico, onde cidadãos têm protestado contra os preços de bilhetes de viagens domésticos, que são mais caras do que a de algumas viagens internacionais.

Na Província do Moxico, os cidadãos realizaram uma manifestação de protesto contra os preços dos bilhetes da TAAG no passado dia 15, mas antes disso, ocorreu uma tentativa de manifestação na Lunda Norte, no dia 3 deste mês, que foi proibida pelas autoridades.

A jornalista e também organizadora da marcha na Lunda Norte, Rita Filomena Mununga, divulgou um comunicado sobre o sucedido, explicando que a manifestação estaria suspensa até sair o resultado do estudo que a TAAG estava a desenvolver sobre os preços dos bilhetes das rotas doméstica e que seria apresentada no prazo de duas semanas.

“Mas enquanto isso, não ficaremos parados, remeteremos uma carta de protesto à TAAG, com os devidos fundamentos, tal como pretendíamos fazer no passado dia 3, no final da marcha. Ou seja, a marcha vai depender da resposta da TAAG, se for favorável à nossa pretensão, a manifestação ficará cancelada, se não for, sairemos à rua, pois, a redução de 20% anunciada pela TAAG só é válida para quem comprar o bilhete com um mês de antecedência”, lê-se.

O Folha 8 contactou telefonicamente a jornalista Rita Filomena Mununga, que reagiu à decisão da TAAG.

“Isso não satisfaz as necessidades da população. Isso nem sequer é uma tarifa fixa. De acordo com as conversas e apelos que temos recebido das populações aqui na Lunda Norte, o que se exige é uma redução fixa dos preços dos bilhetes de voo na ordem mínima dos 40 por cento”, disse.

Segundo a jornalista, o mau estado da estrada nacional 230, principalmente o desabamento das pontes existentes naquela via, ameaçam cortar a ligação do leste de Angola ao resto do país.

Rita Mununga explicou que a situação da Lunda Norte é mais preocupante porque não há alternativas. A organizadora explicou que apesar do preço ainda elevado, na província do Moxico os preços do Bilhete são 36.000 Kz e a população também tem os caminhos-de-ferro (comboios) como alternativa.

No entanto, as medidas da TAAG não se aplicam aos voos com destino à Província de Cabinda, pelo facto de este destino já ter beneficiado de uma tarifa especial na ordem dos 33 mil kwanzas, contra os 46 mil praticados anteriormente, à luz de um Decreto Presidencial emitido em Novembro de 2017 quando da 1ª sessão ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros.

Administrador pede demissão

O administrador da TAAG, Linhas Aéreas de Angola, William Boulter, que assumiu a área comercial desde Setembro de 2015, resignou-se ao cargo, nos últimos dois dias, por razões de saúde.

A informação foi avançada pela TAAG através de um comunicado hoje divulgado, tendo caracterizado o seu serviço à transportadora aérea nacional como “inestimável”.

A nota informa que o administrador foi o responsável pelo desenvolvimento do conceito de “hub”, bem como da assinatura de diversos acordos com outras congéneres para benefício da companhia angolana de bandeira.

William Boulter, que se juntou à TAAG primeiro como administrador executivo integrado na equipa de gestão da Emirates, foi nomeado coordenador-adjunto da comissão de gestão em Julho passado, ocupando desde Dezembro o cargo de administrador para a área comercial. É um dos sobreviventes da gestão da Emirates, que em Julho rescindiu a parceria com a empresa nacional.

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