Sacos de areia à porta e moto-bombas marcam, por estes dias, a realidade dos fiéis da Igreja da Nossa Senhora do Cabo, na ilha de Luanda, uma das mais antigas igrejas da capital angolana, constantemente inundada devido às chuvas.

A realidade daquela igreja, que conta pelo menos 350 anos, agrava-se a cada ano desde a construção de um muro na base naval que existe nas imediações e que provoca o surgimento de uma bacia de água na via pública sempre que chove.

Após três grandes chuvadas, com fortes enxurradas, em menos de uma semana, a realidade do templo está à vista, conforme explicou à Lusa o padre António Barbosa Rodrigues, pároco da igreja da Nossa Senhora do Cabo.

“As preocupações são muitas porque nos impede de celebrar. Quando ela está inundada não conseguimos celebrar a nossa eucaristia”, começa por explicar o padre, que lidera aquela paróquia há cinco anos.

As constantes inundações, a última das quais no fim-de-semana, provocam danos sobretudo ao nível das madeiras do templo secular da ilha de Luanda, das portas aos bancos onde se sentam os fiéis para ouvir a missa.

“Tem os bancos já todos remendados, porque incham e desincham [com água]. A nossa sorte é que é uma boa madeira, mas se fosse essa nova, prensada, já não teríamos bancos”, desabafa.

Construída por colonos portugueses ainda no século XVI, o templo foi reconstruído em 1669, após a reconquista de Luanda à ocupação holandesa, passando a denominar-se igreja de Nossa Senhora do Cabo, devido à sua localização no extremo daquela ilha, que na verdade tem estreita ligação ao resto da cidade.

As chuvas fortes que têm caído em Luanda na última semana levaram a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, e o governador provincial, Adriano Mendes de Carvalho, a visitar o templo. O padre conta que foi mesmo necessário disponibilizar, novamente, moto-bombas para retirar a água do interior e permitir a realização, atrasada, da missa.

“A água invade a igreja em minutos, basta a intensidade da chuva para encher”, lamenta o pároco, que se habituou, na época chuvosa, que em Angola vai de Setembro a Maio, a ter sacos de areia à porta, como protecção.

“Fizemos aí uns diques, para ver se água não entra, e isso junta-se ao que já temos feito, a resolução tem sido paliativa e é necessário mesmo uma intervenção grande, a nível das instâncias superiores, do Governo”, conta.

É que além dos problemas na igreja, a bacia que é criada no exterior, a água da chuva também escorregue para as casas à volta, pelo que o padre admite ter que vir a construir, embora conta vontade, um muro à porta da igreja, para conter a água.

“Como a água não tem para onde ir, ela espalha-se pelo bairro e o que as pessoas têm feito é levantar o muro nas suas entradas”, explica, enquanto assume o desejo por obras definitivas no local.

“Tenho esperança que isso seja resolvido”, atira.

Lusa

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