Todos somos Mbanza Congo

O Governo angolano quer utilizar a cidade de Mbanza Congo, classificada desde 2017 como património da Humanidade, em beneficio das populações da região, avançando nomeadamente com uma disciplina universitária específica, disse hoje a ministra da Cultura.

A ministra Carolina Cerqueira falava hoje, em Luanda, numa cerimónia oficial, tendo garantido que a realização do festival FestiCongo, sobre a cultura dos povos do antigo Reino do Congo, consta do vasto programa de valorização daquela cidade, capital da província do Zaire, e um dos desafios do sector da Cultura em 2018.

“Vamos ter o FestiCongo em Mbanza Congo, todos nós somos Mbanza Congo e cada um deve sentir que a expansão, valorização e sua internacionalização é uma tarefa de todos nós”, apontou.

Ao fazer o balanço cultural de 2017 e de apresentação de perspectivas e desafios para 2018, a ministra explicou que, no quadro da valorização da cidade de Mbanza Congo, haverá lugar à inserção de uma disciplina universitária sobre o Reino do Congo, cujo património foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

“Vamos encontrar uma forma de trabalhar com a UNESCO, para encontramos uma forma de termos uma cadeira na Universidade Agostinho Neto [Luanda] sobre o Reino do Congo. E temos já garantias da UNESCO para encontrarmos monitores para este propósito”, sublinhou.

A Comissão de Património Mundial da UNESCO declarou a 8 de Julho de 2017 o centro histórico da cidade de Mbanza Congo, norte de Angola, como património mundial.

A secular cidade angolana de Mbanza Congo foi candidatada pelo Governo angolano a Património Cultural da UNESCO, sendo a primeira validada no país por aquele organismo da ONU.

O projecto “Mbanza Congo, cidade a desenterrar para preservar”, que tinha como principal propósito a inscrição desta capital do antigo Reino do Congo, fundado no século XIII, na lista do património da UNESCO, foi oficialmente lançado em 2007.

A candidatura de Angola destacava que o Reino do Congo estava perfeitamente organizado aquando da chegada dos portugueses, no século XV, uma das mais avançadas em África à data.

A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude e que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros.

Segundo Carolina Cerqueira, a valorização e dignificação das figuras históricas será outra prioridade do Ministério da Cultura, defendendo por isso trabalho conjunto com o Ministério da Educação para a “inserção dos nomes dos reis, rainhas e de combatentes angolanos nos manuais escolares”.

Carolina Cerqueira apontou a necessidade de trabalhar para que as línguas nacionais tenham o papel relevante ao nível da Cultura angolana: “tive já a ocasião de anunciar o Prémio Nacional das Línguas Nacionais que começará a ser tratado já este ano”.

“Vamos também fazer o resgate dos vários instrumentos musicais de todo o país”, observou.

No capítulo da protecção dos artistas e profissionais de Cultura, a governante entende que a classe artística nacional “deve estar unida”, garantindo que a defesa será feita através de uma carteira profissional e de um fundo.

“E temos de deixar de pensar que o Ministério da Cultura que tem de resolver esses problemas. O Ministério da Cultura serve de elo e instrumento que vai sensibilizar para chamar a atenção de outras instituições para a necessidade que há de valorizar os homens e mulheres da Cultura”, sustentou.

Folha 8 com Lusa

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2 Thoughts to “Todos somos Mbanza Congo”

  1. Kwzola dya Nzambi

    Vao fazer, vao fazer, nao passam disso. Conversa, nao fazer nada. Todos somos Mbanza Congo, olhe eu nao sou, se ela é, parabéns.

  2. Mak

    Pouca vergonha e nem vergonha tem com este povo soberano com uma cultura . milenario.

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