João Lourenço e a sua equipa governativa estão a deixar o anterior executivo a milhas. Como um Usain Bolt, JLo completaria os 100 metros e, comparativamente, Eduardo dos Santos ainda estaria a fazer os primeiros metros da prova. É obra. Pena é que esta capacidade não seja aplicada, de facto e de jure, à boa governação de Angola mas, antes, à liderança do anedotário nacional.

Fazendo uso do que aprendeu ao longo da vida com o MPLA (em 1976 já era Membro da Comissão Directiva da JMPLA no Lobito), agora potenciado com os ensinamentos do Mestre JLo, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse hoje, em Luanda, que os recursos provenientes do petróleo devem financiar a diversificação da economia nacional, para um novo ciclo de estabilidade menos dependente dos hidrocarbonetos.

Com esta descoberta, cuja originalidade, perspicácia e patriotismo revelam que La Palice era um aprendiz, o ministro (com)prova que, afinal, foi preciso João Lourenço chegar a Presidente para que – ao fim de quase 43 anos – alguém no MPLA descobrisse a “pedra filosofal” com a constatação de que os recursos provenientes do petróleo devem financiar a diversificação da economia.

E se agora, não sendo ainda Presidente do MPLA, João Lourenço tem uma equipa fenomenal que até conseguiu descobrir, entre outras pérolas, que os recursos provenientes do petróleo devem financiar a diversificação da economia, imaginem o que não fará quando o trono do partido for por si ocupado. Varemos certamente um ministro a explicar que as couves devem ser plantadas com a raiz para baixo, que quando chove cai água ou, ainda, que os rios devem nascer nas… nascentes.

Manuel Nunes Júnior, que fez hoje a abertura do Conselho Consultivo Alargado do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos, disse que entre 2013 e 2016 o sector petrolífero angolano registou taxas de crescimento negativas, à excepção de 2015, devido a problemas operacionais, tais como a manutenção das instalações e equipamentos, declínio natural dos campos em produção e atraso na entrada em produção de novos campos.

“Precisamos de reverter esta situação através da célere aplicação da legislação recentemente aprovada no domínio do petróleo e gás, do aumento das taxas de recuperação e do relançamento da exploração em geral”, disse Manuel Nunes Júnior.

De acordo com o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, embora se verifique uma diminuição do peso do sector petrolífero na economia nacional, essa redução não se traduziu ainda numa alteração estrutural das exportações e das receitas do Estado, sobretudo das receitas em moeda externa.

“De tal modo que quando o preço do petróleo baixa significativamente no mercado internacional toda a nossa economia é afectada negativamente e de modo severo”, disse o governante, realçando que a solução é diversificar a economia nacional.

Convenhamos que o país e, bem vistas as coisas, todo o mundo ficaram a perder pelo facto de só agora se ter descoberto todo o elevadíssimo potencial estratégico, profissional, intelectual, académico e patriótico de Manuel Nunes Júnior. E os méritos são inteirinhos de João Lourenço.

Há quem recorde que não é bem assim. São certamente invejosos ligados à oposição política ou activistas da verdade. É verdade que Manuel Nunes Júnior foi, entre 2002 e 2003, Vice-Ministro das Finanças; Secretário do Bureau Político do MPLA para a Política Económica e Social em 2003; de 2008 a 2010 Ministro da Economia; em 2010 Ministro de Estado e da Coordenação Económica; de 2012 a 2017 Presidente da 5.ª Comissão de Economia e Finanças, etc. etc. etc..

Seja como for, só agora é que depois dos seus elevados, aturados e exaustivos estudos foi possível concluir cientificamente que os recursos provenientes do petróleo devem financiar a diversificação da economia nacional.

O Ministro apontou ainda a necessidade de se acelerar a produção de gás natural não associado para fornecimento à LNG, fábrica de gás angolana.

Segundo Manuel Nunes Júnior, para o investimento na área mineira é necessário a produção de informação geológica, nesse sentido será reestruturado o Instituto Geológico de Angola, com especial ênfase para a capacitação dos seus recursos humanos e no mesmo sentido será implementada a nova metodologia de execução do Plano Nacional de Geologia.

Por sua vez, o ministro dos Recursos Naturais e Petróleos, Diamantino Pedro Azevedo, disse que desde que assumiu a pasta, em Setembro, a actuação esteve virada para a realização de acções de carácter urgente e para a resolução da situação crítica que a indústria petrolífera vivia na altura, devido à baixa do preço do petróleo, bem como da insatisfação das empresas petrolíferas que operam em Angola face ao excesso de burocracia, incumprimento dos compromissos e obrigações financeiras, falta de investimentos em exploração para o aumento das reservas, entre outros.

E enquanto não aparece outro elemento da equipa de João Lourenço a descobrir que o êxito está no fabrico e venda de pentes para carecas e de luvas para manetas, fiquemos felizes por termos um governo que faz deste anedotário uma obra-prima do mestre. Ou será uma prima do mestre de obras?

Folha 8 com Lusa

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