A Polícia do Huambo, Bié, Lunda Sul… diz que a criminalidade está a aumentar. O Manuel Rui Monteiro diz que em Angola vive-se em segurança e que até viajou, durante a noite, para uma província do Norte sem qualquer incidente.

Por Domingos Kambunji

1- Viajar durante a noite é a melhor maneira para evitar ver os enormes buracos que existem na estrada da demagogia e da violação dos direitos humanos, construída pelo MPLA em Angola, durante demasiadas décadas.

O Manuel Rui Monteiro, de facto, está muito habituado a viajar durante a noite, com a máxima segurança. Foi assim que viajou, com a máxima segurança, durante a noite dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 e durante todo o tempo da ditadura do cleptómano José Eduardo dos Santos.

Uma metáfora do Reginaldo Silva, que lemos há alguns anos, serve para retratar na perfeição estes camaleões que agora se transformaram em democratas da vigésima quinta hora. O Reginaldo dizia mais ou menos isto: naquele tempo havia poetas que durante o dia participavam nos fuzilamentos do 27 de Maio e à noite iam para casa escrever poemas de amor.

Dizem que os governantes do MPLA disseram que, num gesto de “caridade”, irão oferecer aos familiares das vítimas do 27 de Maio as certidões de óbito dos angolanos que o Agostinho Neto e os seus capangas mandaram fuzilar. A certidão de óbito não é o suficiente para reparar os danos, morais, psicológicos e de outro tipo, pelas atrocidades cometidas pelo MPLA.

Os crimes contra a humanidade não prescrevem e os autores desse e de outros massacres continuam a andar por aí, bem na vida, gozando os prazeres e os benefícios que lhes foram proporcionados pela ditadura do MPLA. Seria da máxima justiça que esses cangaceiros fossem identificados e responsabilizados judicialmente pelos crimes que praticaram.

Quem irá escrever e assinar essas certidões de óbito? O Manuel Rui Monteiro? Elas serão acompanhadas de um poema como aquele em que Manuel Rui Monteiro engodou e enganou as Meninos do Huambo, quando dizia que “as estrelas são do povo”. Na realidade as estrelas foram e serão apenas dos dirigentes do MPLA e seus capangas, como mostra a tradição.

Vem-nos à memória um poema do António Kaquarta em que ele diz: ”Quando as crianças acreditaram que as estrelas são do povo, as que não morreram por falta de pão, o angolano “Estado Novo” meteu-as na prisão”!

2- A visita de João Lourenço a Portugal caracterizou-se por um relativo sucesso em relações públicas. Estamos à espera que ela produza efeitos positivos no relacionamento sócio-económico entre os dois países.

Uma imagem que nos motivou algum nojo foi ver o autor das Notícias Palacianas, ex-monangambé arauto fanático de José Eduardo dos Santos, outro camaleão, democrata da vigésima quinta hora, a servir de “mordomo” numa conferência de imprensa do presidente de Angola. Este tipo de personagens não inspira muita confiança na construção da estrada para a democracia em Angola, porque mudam de discurso com a maior facilidade, dependendo das forças que direccionam estes cata-ventos.

João Lourenço deixou a ideia de que irá candidatar-se a um novo mandato. Seria um bom gesto se abandonasse a presidência do MPLA, para se transformar num presidente supra-partidário, e que concorresse a título individual, não escondido na lista de um partido.

O presidente de Angola deverá ser o presidente de todos os angolanos e não apenas o presidente da República da Angola do MPLA.

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