A Corporação Financeira de África (AFC) acordou com o Banco de Exportações e Importações da China (BEIC) um empréstimo de 300 milhões de dólares para financiar o desenvolvimento de projectos no continente africano, foi hoje anunciado. A romaria a Pequim está imparável. Sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) está garantido.

“A disponibilização deste instrumento financeiro do BEIC marca a entrada da AFC na China, que demonstra o foco estratégico da AFC em construir uma coligação variada de investidores para diversificar as actividades de financiamento de forma a incluir todas as fontes de capital institucional na Ásia, além dos parceiros atuais na Europa e na América do Norte”, lê-se num comunicado.

A AFC é uma instituição financeira multilateral, à semelhança do Banco Africano de Desenvolvimento e do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank), com sede em Abuja e detida maioritariamente pelo banco central da Nigéria, tendo como parceiros algumas das principais instituições financeiras mundiais, de acordo com a informação no seu site.

“Além da liquidez a médio prazo, este instrumento financeiro vai aumentar o financiamento contingente, que é particularmente importante para a gestão de riscos de liquidez, bem como abrir outras hipóteses de financiamento e relações com as entidades privadas e públicas chinesas”, acrescenta o comunicado.

“Nas últimas duas décadas, a China passou de um investidor relativamente pequeno para um dos maiores parceiros comerciais de África hoje”, disse o presidente da AFC, Samaila Zubairu.

A China é um dos maiores parceiros comerciais de África e no último Fórum de Cooperação China-África, em Setembro, o gigante asiático anunciou uma meta de 60 mil milhões de dólares em ajuda ao investimento e empréstimos a África.

Oferta Pública de Aquisição de… África

O Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou no dia 3 de Setembro, no Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), em Pequim, 60 mil milhões de dólares (51 mil milhões de euros) em assistência e empréstimos para países africanos, no formato de assistência governamental e através do investimento e financiamento por instituições financeiras e empresas.

Quinze mil milhões de dólares serão disponibilizados em empréstimos isentos de juros ou com condições preferenciais, vinte mil milhões em linhas de crédito, dez mil milhões num fundo especial para o desenvolvimento de mecanismos financeiros e cinco mil milhões para financiar importações oriundas do continente, detalhou Xi Jinpin.

O também secretário-geral do Partido Comunista da China afirmou que Pequim vai encorajar as empresas do país a investir pelo menos dez mil milhões de dólares nos países africanos, durante o mesmo período, e avançou com o perdão de dívidas para os países com menos possibilidades.

“Para os países menos desenvolvidos ou altamente endividados, sem costa marítima ou pequenas nações insulares, que têm relações diplomáticas com a China, a dívida contraída junto do Governo chinês isenta de taxas de juro, que venceria no final de 2018, será perdoada”, afirmou Xi Jinping.

O líder chinês estabeleceu ainda os objectivos da cooperação para os próximos anos, com destaque para as áreas industrial, agricultura, infra-estrutura, ensino e segurança.

“Vamos apoiar África a alcançar a segurança alimentar, em 2030 (…) e implementar 50 programas de assistência para a agricultura”, disse Xi Jinping, que prometeu ainda mil milhões de yuan (126 milhões de euros) em assistência humanitária aos países afectados por desastres naturais.

Pequim compromete-se ainda a lançar, em conjunto com a União Africana, um projecto de conectividade entre as infra-estruturas do continente, que incorpore energia, transporte, informação, telecomunicações e recursos hídricos.

“Vamos trabalhar com África para desenvolver um único mercado de transporte aéreo e abrir mais voos directos entre China e África”, acrescentou. Xi Jinping prometeu também distribuir 50.000 bolsas de estudo para estudantes oriundos de países africanos.

No âmbito da Defesa, o líder chinês prometeu apoio aos países do continente no combate à luta contra o terrorismo, nas áreas mais afectadas por grupos violentos.

“Continuaremos a prestar apoio militar à União Africana e apoiaremos os países da região subsaariana e dos Golfos de Adem e da Guiné, para que mantenham a segurança e combatam o terrorismo nestas áreas”, disse.

A China, que no ano passado abriu a sua primeira base militar no estrangeiro, no Djibuti, no Corno de África, continuará também a apoiar o combate à pirataria e estabelecerá um fundo para impulsionar a cooperação em matéria de missões de paz e manutenção da ordem, disse.

Xi Jinping sublinhou que o investimento chinês no continente não acarreta “condições políticas” e que a China “não interfere nos assuntos internos de África e não impõe a sua vontade sobre África”.

Era costume dizer-se que quando a esmola é grande o pobre desconfia. Não é, contudo, o caso. Sobretudo porque a esmola, apesar de enormíssima, não é dada aos pobres mas, antes, aos ricos. E a estes pouco importa se a China está a pilhar os recursos naturais de África e a conduzir estes países para a armadilha do endividamento, ao conceder crédito a países financeiramente débeis ou corruptos.

O líder chinês lembrou, no entanto, que “ninguém pode minar a grande unidade entre os povos da China e de África”. “Ninguém pode negar os feitos alcançados pela nossa cooperação, através de suposições e imaginação”, disse Xi Jinping.

Em consonância com a China está o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres, que garante que as Nações Unidas vão “continuar a apoiar o esforço da China na concretização de parcerias” e a promover a cooperação entre os países africanos.

Num dos discursos que marcou a abertura do evento em Pequim, António Guterres sustentou que a relação entre a China e os países africanos pode ser crucial para garantir “uma globalização justa” e um desenvolvimento inclusivo, uma prioridade para as Nações Unidas.

“Este fórum (…) é a concretização de duas principais prioridades das Nações Unidas: de perseguir uma globalização justa e promover um desenvolvimento que não deixe ninguém para trás”, sublinhou António Guterres.

O desenvolvimento sustentável, o reforço da boa governação, o aprofundamento da cooperação entre os países do hemisfério sul, a concretização de políticas fiscais que promovam o progresso e combatam a corrupção e a lavagem de dinheiro são desafios fundamentais que se colocam em África, afirmou o secretário-geral da ONU.

“Juntos, China e a África podem unir o seu potencial para assegurar um pacífico, durável e equitativo progresso para benefício de toda a Humanidade”, defendeu Guterres.

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