Não deixa de provocar um sentimento de nojo ao observar alguém que, durante a campanha eleitoral, afirmava que iria lutar contra a corrupção estar neste momento a vangloriar-se por o Parlamento nacional ter aprovado uma lei para a legalização da corrupção, eufemisticamente designada por Lei do Repatriamento de Capitais.

Por Domingos Kambunji

Quando Barack Obama tomou posse na Presidência dos Estados Unidos da América informou os bancos estrangeiros de que se estes pretendessem manter o sigilo bancário de contas pertencentes a cidadão estadunidenses ficariam impedidos de efectuar negócios nos EUA. Rapidamente esse muro caiu e os bancos facilitaram essas informações.

O presidente norte-americano não poderia exigir o repatriamento desse dinheiro porque ele estava legalmente depositado nos estrangeiro, proveniente de actividades comerciais legais, especialmente por parte de empresas altamente tecnológicas.

Donald Trump baixou os impostos para incentivar a vinda desses capitais, legais, para os EUA, afim de injectar sinergias na economia. Algumas dessas empresas prometem investir no relançamento de alguns sectores industriais.

Angola, que possui as indústrias da demagogia e corrupção mais avançadas de todo o sistema solar, também tem cidadãos com contas bancárias multimilionárias em países estrangeiros. A solução que o governo/parlamento do MPLA encontrou para essas situações anómalas foi a de legislar para legalizar a roubalheira. Aos ladrões que repatriarem os capitais será garantido o maior sigilo, num gesto de elevada cumplicidade dos dirigentes políticos dos poderes executivo e legislativo.

Em Angola os dirigentes do MPLA gozam de um nível de impunidade que não tem limites e o sistema judicial está preocupado apenas em acusar e julgar, entre muitos outros, William Tonet, Rafael Marques ou Revus que desmascaram a roubalheira descarada.

A investigação das ligações de Trump à Rússia têm vindo a provocar muitas mossas em alguns colaboradores de Trump. Foram detectadas contas bancárias em bancos estrangeiros com dinheiros provenientes de actividades ilegais e receitas pessoais com fuga aos impostos. Alguns desses colaboradores de Trump correm o risco de virem a ser julgados e condenados a penas de prisão que poderão ir até aos trinta anos.

Em Angola nada se investiga porque a Nova Era já era, é exactamente como a era a anterior, de onde vieram os actuais dirigentes governamentais. Daí a doentia mania como o Presidente defende o Manuel Vicente.

Alguém disse que se o Manuel Vicente der com a língua nos dentes haverá necessidade de refazer o MPLA, porque os “altos” dirigentes e os dirigentes do “Come i Tê” Central do MPLA, os que dão as “ordens superiores” irão todos para a cadeia, se os juízes não continuarem a ser os nojentos sipais obedientes ao Presidente.

Entretanto o Tio Zonera da “nova era” vai continuando a exonerar, só para disfarçar, e a nomear os “altos” dirigentes da era anterior. Quanto estiver cansado dos que nomeou e irá voltar a nomear os que exonerou.

O “segredo institucional” que facilita a legalização dos milhões dos Grandes Ladrões não permitirá aos angolanos saber se o Presidente também repatriou o que enricou!

A alcateia de Grandes Ladrões do MPLA continua a pensar que o crime compensa, que vale a pena roubar.

Até os mais distraídos percebem que a Lei do Repatriamento de Capitais visa legalizar as actividades criminais do partido maioritário. Não seria de esperar o contrário do partido que sofre de cegueira social, daí haver 20 milhões de pobres, uma vergonha nacional. Se esses milhões de pobres reclamarem por a situação estar “feia” correm o risco de irem para a cadeia, porque em Angola as forças militares da nação estão fortemente equipadas para espancar e condenar quem protestar por haver pouco dinheiro para a Saúde e para a Educação.

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