No tempo do Ernesto
o marimbondo era mais modesto.
Se queria viajar
era obrigado a voar.
Hoje em dia é diferente,
o marimbondo é ministro da comunicação social,
governador, deputado, presidente…
Agora nada é semelhante,
o marimbondo não tem precisão
de bater as asas para voar.
Apesar de dizer que o país está na ruína,
o marimbondo aluga um luxuoso avião,
com dinheiro emprestado pela China,
e vai, muito bem engravatado,
ao estrangeiro
pedir dinheiro
para apontar no livro do fiado.
No tempo do Ernesto
o marimbondo era mais modesto
porque ainda não tinha sido promovido
a dirigente do Partido
que tanto tem roubado.
Hoje se alguém atirar uma pedrada
ao marimbondo engravatado,
essa pessoa deverá ser acusada
de tentativa de golpe de estado
e poderá servir de alimentação a um jacaré
ou morrer esfomeado
como aqueles habitantes do Bié.
(Os chefes do partido
que tanto tem roubado
decidiram que é proibido
dizer que morre-se esfomeado,
porque ficou decidido
no Comité Central
que em todo o território nacional
apenas falece-se subnutrido!).
No tempo do Ernesto
o marimbondo era mais modesto,
não tinha tão cheia a pança
e não organizava conferência de imprensa
para propagandear a demagogia
dos dirigentes do partido,
onde é proibido ler poesia.

Por Veríssimo Kambiote

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