O Presidente da República destacou hoje, em Luanda, a importância dos serviços de inteligência na garantia da defesa e soberania de Angola. João Lourenço falava na cerimónia de tomada de posse do novo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), general Fernando Garcia Miala.

Oo Palácio Presidencial, o Chefe de Estado disse que o general Fernando Miala, embora empossado numa conjuntura de paz no país, não deixa de ter grandes desafios na sua missão.

Segundo o Presidente, a experiência deste responsável militar, que já havia exercido o cargo há anos atrás, vai contribuir para a melhoria da eficácia do trabalho dos serviços de inteligência. “Fomos buscar alguém que, como poucos, passou praticamente por todos os serviços de inteligência no nosso país”, aferiu.

No Salão Nobre do Palácio Presidencial, antes do acto de posse, o Presidente da República e Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, João Lourenço, por inerência de funções, promoveu Fernando Garcia Miala ao grau de general.

Durante a presidência de José Eduardo dos Santos, a 20 de Setembro de 2007, Fernando Garcia Miala, antigo director dos Serviços de Inteligência Externa de Angola (demitido um ano antes), chegou a ser condenado a quatro anos de prisão efectiva pelo Supremo Tribunal Militar (STM), pelo crime de insubordinação, tendo cumprido a pena.

Três outros colaboradores de Fernando Miala foram condenados a dois anos e seis meses de prisão efectiva.

Os arguidos foram acusados de prática de crime de insubordinação, por não terem comparecido numa cerimónia de desgraduação no Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, por ordem do seu chefe, o general Francisco Furtado.

Miala foi igualmente acusado de interferir nas missões da escolta do chefe de Estado, de realizar escutas não autorizadas, além do furto de aparelhos de escuta, e de se envolver em relações alegadamente “promíscuas” com membros da Comunicação Social, mas estes crimes não ficaram provados em tribunal.

Recorde-se que a 24 de Fevereiro de 2006, a direcção da “secreta”, então liderada por Fernando Garcia Miala, coadjuvado por Miguel Francisco André, Maria da Conceição Domingos, Ferraz António e Constantino Vitiaca, foi exonerada e os militares passados compulsivamente à reserva, por alegada tentativa de golpe de Estado e assassinato ao Presidente da República, segundo um comunicado saído na altura.

Fruto dessa situação foi formada uma comissão de Sindicância, liderada pelos generais Kopelipa e José Maria, que trataram de retirar muitos dos documentos do SIE para a Casa Militar.

Dado de realce é o facto de nunca terem os investigadores ouvido em declarações o general Miala, que caricatamente, viria a ser um ano depois acusado e preso a 13 de Julho de 2007, pelo crime de insubordinação acima referido.

Foi com base nestas incoerências aliada ao facto de não se terem apresentado conclusões, que se instalou um mau estar, em que fontes militares disseram ao Folha 8, estarem os dois generais (Kopelipa e José Maria), a ser ouvidos por não terem conseguido apresentar provas ao Presidente da República.

Estranhamente, William Tonet viria também a ser processado pelo director da Polícia Judiciaria Militar, Hélder Pita Gróz, acusado de denegrir a sua instituição e as forças armadas, pelo simples facto de ter dito terem os dois generais ido às suas instalações prestar declarações.

Finalmente, um artigo do jornalista Jorge Eurico publicado no “Notícias Lusófonas” e reproduzido depois no F8, sobre a presença de tropas cubanas que estariam afectas à guarda presidencial da Presidência da República, em que o queixoso era o chefe do Estado Maior General das FAA, Francisco Furtado.

Durante os últimos anos do consulado de 38 anos de José Eduardo dos Santos a sociedade angolana sabia que só morto Fernando Miala daria descanso aos seus algozes, desde logo porque o dono do país, José Eduardo dos Santos, nunca perdoou ao general a sua crescente popularidade. E, como mandam os ditames da “democracia” angolana, ninguém pode ser mais popular do que o dono do reino.

Popularidade nascida com a Fundação Criança Futuro que, com o empresário Valentim Amões , Fernando Miala patrocinava.

Numa carta anónima que circulou em Luanda, os responsáveis do projecto “Criança Futuro” foram ameaçados de morte. No dia 19 de Janeiro de 2008, no Huambo, o avião em que viajava Valentim Amões caiu e ele morreu…

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