Nós temos a certeza de que se o Pacheco Francisco, num país civilizado, fosse entrevistado para exercer o cargo de Secretário de Estado do Ensino Pré-Escolar e Geral sairia REPROVADO! Mas como estamos em Angola, como estamos num país formatado há 43 anos pelo MPLA…

Por Domingos Kambunji

O Presidente, que anda muito ocupado com as visitas e as férias no estrangeiro, não tem tempo para prestar atenção aos disparates que diz esta aberração intelectual? Como é que este patrulheiro pode estar ao serviço da Educação da nossa juventude?

O Pacheco Francisco diz que “os directores das escolas devem trabalhar na consciencialização dos professores para evitar a transição de alunos sem saber ler e escrever”. É muito disparatado este secretário de Estado.

Os directores das escolas devem trabalhar, isso sim, para que os alunos aprendam a ler, escrever, contar e pensar. Pensar holisticamente parece ser uma exigência muito grande da nossa parte para a grande maioria dos dirigentes do MPLA.

Ao ler os disparates deste secretário de Estado veio-nos à mente um sistema escolar de um país onde o ensino, pelo menos até ao décimo segundo ano, é totalmente gratuito e o Estado tem que arcar com todas as despesas, mesmo todas as despesas, inerentes ao ensino/aprendizagem.

Nesse sistema de ensino os professores e as escolas são responsabilizados pelos resultados que obtêm e existem, a partir do terceiro grau, exames estaduais para avaliar os níveis de aprendizagem. As escolas até podem apresentar bons resultados mas a verdadeira avaliação é efectuada pelas provas de aferição.

Neste sistema de ensino existem PIE (planos individuais para os estudantes) que façam parte do ensino especial ou que revelem atrasos no desenvolvimento em áreas específicas. O sistema também contempla a existência de professores intervencionistas que implementam planos de acção para ajudar nas aprendizagens os alunos que revelem atrasos no progresso escolar. Para além disso, existem equipas multidisciplinares para defender os interesses psico-sociais dos estudantes.

Se os estudantes não evidenciarem progresso positivo, os profissionais do ensino/aprendizagem são responsabilizados pelos resultados negativos. Essa responsabilização pode ter como consequência o despedimento dos professores e de pessoal de apoio.

A nossa revolta reside no facto de a Re(i)pública da Angola do MPLA, um país que exige ser respeitado internacionalmente, compra material de guerra moderno e caro e possui generais e outros dirigentes corruptos com níveis de riqueza superiores aos seus congéneres de países desenvolvidos e democráticos, ter kapangas para a Educação tão matumbos.

Nos países modernos e desenvolvidos designa-se os primeiros anos do ensino como Elementar. Na Angola do MPLA a designação é Primário. Pensamos que seria mais adequado usar o nome Ensino Primitivo.

Quando cerca de 50% dos alunos que concluem o quarto grau do ensino elementar em Angola não sabem ler nem escrever, isso seria motivo mais do que suficiente para exigir o despedimento (exoneração, como o João Lourenço gosta de dizer) dos professores, dos directores das escolas, do secretário de Estado do ensino pré-escolar e geral e do Ministro da Educação, devido à evidente incompetência.

Esses alunos que fazem parte do grupo de cerca de 50% que não sabem ler e escrever, quando concluem a quarta classe, vão para professores da Universidade Agostinho Neto ou para professores da Universidade José Eduardo dos Santos?

Angola necessita de verdadeiros pedagogos para exercerem as funções de Secretários de Estado da Educação, não de patrulheiros/polícias de trânsito que, sem querermos ser polémicos, nada mais são de que analfabetos sistémicos.

Aliás,  há por esse mundo fora muitos angolanos a desempenhar funções de ensino com elevado sucesso e que poderiam, eventualmente, ingressar no Ensino em Angola. Têm, contudo, o ónus (verdadeiro crime de lesa-pátria) de não serem do… MPLA.

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