A Fundação Mo Ibrahim (MIF) vai anunciar, no próximo dia 29, o lançamento do 12º Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) anual, altura em que os dados serão comunicados publicamente. Para assinalar o lançamento, Mo Ibrahim vai participar em directo no Facebook Live para discutir ao vivo os principais resultados e as tendências verificadas este ano na evolução da governação pública em África.
[dropcap]M[/dropcap]o Ibrahim será acompanhado por um painel de especialistas africanos, representantes das vozes emergentes da nova geração do continente, Yvonne Apea Mensah do Gana, e Nasi Rwigema da África do Sul, que vão contribuir com as suas próprias opiniões sobre as conclusões do Índice deste ano. O painel vai também responder às questões colocadas no momento pelos utilizadores online.
Na sequência do lançamento, a Fundação Mo Ibrahim irá promover, em parceria com o Mecanismo Africano de Avaliação pelos Pares (African Peer Review Mechanism – APRM), um debate ao mais alto nível para discutir as conclusões a 2 de Novembro, sexta-feira, em Pretória, na África do Sul.
O Índice Ibrahim de Governação Africana constitui um instrumento sem paralelo que faculta a análise mundial mais abrangente da qualidade da governação nos países africanos. Através do Índice, a Fundação Mo Ibrahim procura capacitar os governos, os cidadãos, as empresas, o meio académico, os decisores políticos e os analistas para que usem as suas conclusões como uma ferramenta de avaliação rigorosa do fornecimento de bens e serviços públicos e na orientação da discussão sobre a governação em África. Neste sentido, os dados são livremente disponibilizados todos os anos através do Portal de Dados do IIAG.
Compilando uma recolha de dados de dez anos, o IIAG 2018 está numa posição privilegiada para medir as tendências na governação, fornecendo uma análise aprofundada da forma como a qualidade de governação tem evoluído nos últimos cinco anos (2013-2017), no contexto da última década (2008-2017) e na identificação de quais foram, ou poderão vir a ser, os factores-chave de transformação de África.
Em cada publicação anual, a Fundação Mo Ibrahim – com a colaboração do Conselho Consultivo do IIAG – procura continuamente melhorar a estrutura, o conteúdo e a metodologia do IIAG. Com a revisão anual do relatório, a Fundação actualiza todas as tabelas do Índice.
As versões anteriores do IIAG incluíam dados a partir de 2000 em diante. O IIAG 2018 faculta pela primeira vez dados de governação comparáveis apenas para a última década, reforçando assim a robustez das conclusões.
Pela primeira vez, uma avaliação da inclusão dos jovens faz parte do IIAG. Através do indicador Promoção da Integração Socioeconómica dos Jovens (fornecido pela Global Integrity), o Índice avalia a existência de estratégias e políticas governamentais para o incremento da integração socioeconómica dos jovens.
O IIAG deste ano conta com um foco de análise adicional que incide sobre o enquadramento de temáticas e assuntos mais abrangentes, incluindo as oportunidades económicas para os cidadãos de África, o crescimento demográfico, a transparência e a responsabilidade social.
A análise por década inclui os mais recentes desempenhos de governação, elevando a fasquia em áreas como Saúde, em que os países devem adoptar modelos de referência mais actuais.
O IIAG conta com análises relativas a 102 indicadores em 35 instituições de dados africanas e globais independentes, que abrangem os 54 países africanos em áreas como Segurança e Estado de Direito, Participação e Direitos Humanos, Oportunidade Económica Sustentável e Desenvolvimento Humano.
O Portal de Dados possui uma interface intuitiva que oferece análises personalizadas dos escalões, classificações e tendências de governação para cada país. Os utilizadores podem criar e imprimir tabelas e gráficos com base nos dados.
A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006, orientada para a importância decisiva da liderança e da governação em África. Ao proporcionar ferramentas de apoio ao progresso da liderança e da governação, a Fundação visa promover a mudança relevante no continente.
A Fundação, que não tem por objecto a concessão de subvenções, concentra-se na definição, na avaliação e no aperfeiçoamento da governação e da liderança em África através de quatro iniciativas principais:
Índice Ibrahim de Governação Africana; Prémio Ibrahim de Excelência na Liderança Africana; Fórum Ibrahim e Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.
Ellen Johnson Sirleaf venceu em 2017
[dropcap]E[/dropcap]llen Johnson Sirleaf venceu o Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana de 2017. A ex-presidente da Libéria foi elogiada pelos seus esforços e por liderar a recuperação do país após a guerra civil.
Ellen Johnson Sirleaf, que serviu dois mandatos como presidente da Libéria de 2006 a 2017, foi a quinta vencedora do Prémio Ibrahim, que reconhece e comemora a excelência na liderança Africana.
O Prémio Ibrahim tem como objectivo distinguir líderes que, durante o seu mandato, desenvolveram seus países, fortaleceram a democracia e os direitos humanos pelo benefício compartilhado de seus povos, e avançaram o desenvolvimento sustentável.
Na nota de divulgação, o Comité elogiou a liderança excepcional e transformadora de Ellen Johnson Sirleaf, diante de desafios sem precedentes e renovados, para liderar a recuperação da Libéria após muitos anos de uma guerra civil devastadora.
Ao anunciar a decisão, Salim Ahmed Salim, Presidente do Comité do Prémio, disse: “Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria. Tal jornada não pode estar sem algumas falhas e, hoje, a Libéria continua a enfrentar muitos desafios. No entanto, durante os seus doze anos no cargo, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor”.
Ellen Johnson Sirleaf tornou-se presidente da Libéria no dia 16 de Janeiro de 2006, depois de vencer as eleições nacionais de 2005. Serviu o seu primeiro mandato 2006-11 e foi reeleita com sucesso para um segundo mandato, 2012-17. Desde 2006, a Libéria foi o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana. Isso levou a Libéria a subir dez lugares na classificação geral do Índice durante esse período.
Durante os seus doze anos de liderança, Ellen Johnson Sirleaf lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor. No processo, restaurou a dignidade e o orgulho dos liberianos no seu país. Durante a sua presidência, manteve-se firme e determinada para ter êxito em nome do povo da Libéria. De 2006 a 2014, antes da crise do Ébola ter atingido o país, a economia da Libéria cresceu a uma taxa anual média de mais de 7%.
Ellen Johnson Sirleaf enfrentou a prisão, o exílio e risco pessoal no caminho até à liderança, e ainda perseverou na procura por um governo honesto para o seu povo. Corajosamente abraçou oponentes e lutou por mudanças geracionais, e abriu o caminho para o seu sucessor seguir a recuperação. As suas conquistas inspiraram e deram confiança a milhões de mulheres no serviço público. Além da sua liderança na Libéria, ela sempre foi uma campeã para a África.
O seu sucesso é o sucesso da África e o testemunho do poder de uma liderança excepcional. Hoje, Ellen Johnson Sirleaf pode orgulhar-se desta vitória, como destinatária do Prémio Ibrahim 2017 para a Excelência na Liderança Africana.
Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prémio, Mo Ibrahim disse: “Estou satisfeito que o Comité do Prémio tenha decidido fazer de Ellen Johnson Sirleaf a laureada do Prémio Ibrahim. Em circunstâncias muito difíceis, ela ajudou a guiar a sua nação para um futuro pacífico e próspero, e preparou o caminho para seu sucessor seguir. Estou orgulhoso de ver a primeira mulher Laureada Ibrahim e espero que Ellen Johnson Sirleaf continue a inspirar mulheres na África e além”.
Ellen Johnson Sirleaf juntou-se a Hifikepunye Pohamba da Namíbia (2014), Pedro Pires de Cabo Verde (2011), Festus Mogae do Botswana (2008) e Joaquim Chissano de Moçambique (2007) como Laureada do Prémio Ibrahim. Nelson Mandela foi nomeado o Laureado Honorário inaugural em 2007.
Os candidatos ao Prémio Ibrahim são todos ex-chefes executivos de estado ou governo africanos que deixaram o cargo nos últimos três anos, tendo sido democraticamente eleitos e que cumpriram seu termo constitucionalmente mandatado.
