Nas relações com Portugal, Angola (ou seja, o MPLA) deve adoptar a posição da raposa e ser muito prudente, disse à VoA o analista angolano de relações internacionais zoológicas, Bernardino Neto. Isto na sequência de uma evolução genética que começa na tartaruga e passa pela abelha e pela avestruz…

Por Norberto Hossi

Bernardino Neto comentava a melhoria das relações entre os dois países na sequência da decisão das autoridades judiciais portuguesas de, por imposição (apesar de velada) do poder político, entregarem ao MPLA o processo de corrupção contra o ex-vice-presidente Manuel Vicente, actualmente deputado (do MPLA) na Assembleia Nacional.

Bernardino Neto disse que as relações entre os dois países podem ser vistas pelo “cenário da tartaruga, o cenário da abelha e o cenário da avestruz”. Ou seja, num pleno e integral ambiente de jardim zoológico.

No “cenário da tartaruga” as relações desenvolvem-se num processo muito lento, vulnerável “a problemas da história apesar da boa vontade”. “O cenário da tartaruga é lento e por isso há que ter cuidados”, disse Bernardino Neto, certamente estribado nos ensinamentos adquiridos no jornal zoológico do MPLA, também conhecido por Jornal de Angola.

Já no “cenário da abelha” as relações são marcadas pela busca do “mel” que são os investimentos, mas acompanhados de “ferroadas” quando há problemas, afirma Bernardino Neto, fazendo uso do seu doutoramento zoófilo na vertente de zooarqueologia.

“Quando Portugal tem problemas Angola é um bom mercado”, disse o zoo-analista para quem, contudo, as elites angolanas (que, como se sabe, só existem no MPLA) têm tido “uma visão pouco prudente” no modo como fazem investimentos em Portugal.

“Quando temos a postura de um estado soberano então Angola para Portugal é uma abelha”, acrescentou este zoófogo especialista internacional com, presume-se, pós-doutoramento em educação patriótica.

Já no “cenário da avestruz” tenta-se ignorar todos os problemas da história e do passado, algo que o analista angolano disse ser uma atitude de muitos “intelectuais portugueses”, sendo que os seus congéneres angolanos de primeira (os do MPLA) estão muito acima deles, mesmo muito acima. Veja-se o paradigma Bernardino Neto.

“Eu prefiro olhar com alguma desconfiança, ficar no cenário da raposa, estar sempre de atalaia”, disse o zoofágico analista enquanto aguarda pela sua próxima presa, putrefacta ou não.

A tese zurrada por esta espécie zoológica similar a outras, casos de Luvualu de Carvalho, Bento Kangamba, João Pinto ou Adelino de Almeida, oscila entre o histrionismo e a boçalidade. Mesmo assim, é sempre bom saber o que pensam ou, melhor, o que lhes dizem para pensar.

Tal como a maioria dos nossos pouco (ou nada) ilustres opinadores, esta espécie de analistas latrineiros presume qualquer coisa e como presume, entende que presumir é matéria de facto. E quando não presume, aposta em todo o género de estratagemas, qual deles o pior.

A veia artística destes zoófilos latrineiros, que está em cena há quase 43 anos, continua bem visível e é aceitável por quem é obrigado a pensar com a barriga… vazia. A sociedade por quotas, MPLA Lda. está a fazer bem o seu papel. Só conta até 10 porque, de facto, para ir além disso teria de se descalçar. Basta ver o caso presente de Bernardino Neto.

E se um dos mais emblemáticos capítulos do anedotário zoológico de Angola foi escrito por Luvualu de Carvalho que, no papel de embaixador itinerante do regime, descobriu que os nossos jovens activistas eram terroristas e estavam acompanhados por agentes secretos da NATO, também Bernardino Neto tem o direito de escrever outro capítulo sobre a evolução camaleónica dos militantes do MPLA.

Embora tudo isto não passe de uma farsa com o fim em aberto, os principais autores têm de se impor, tentando mostrar ao mundo que, embora o seu estado natural seja estar de quatro, conseguem de vez em quando ficar erectos… alguns minutos.

Partilhe este Artigo