Apenas um pequeno preâmbulo neste primeiro parágrafo: desde que fui honrado com o privilégio de escrever regularmente uma – chamemos-lhe crónica, aceitei de imediato porque me deram liberdade total e também porque me revejo na filosofia e conduta do Folha 8 apesar de discordar de algumas poucas coisas e de não ser angolano nem descendente de angolanos, o que compenso com a minha visão de um V Império sonhado pelo Padre Vieira, consubstanciado por Pessoa e amadurecido com Agostinho da Silva, e que vai do Minho até Timor como disse alguém cujo nome é impronunciável- tomei as seguintes decisões:

Por Brandão de Pinho

– Não falhar apesar de na minha vida pessoal e profissional não ser o melhor exemplo.

– Não ser condescendente com os angolanos.

– Opinar na qualidade de português mas também de angolano, o que foi mais fácil do que eu antevia.

– Não recorrer ao Google e Wikipédia para falar do que quer que seja. Ou seja, irei dizer e afirmar tudo de um fôlego como Camilo dizia talvez caçoando da concorrência o que revelará a minha ignorância e passíveis necessidades de correcção. Mas assim nunca mais esquecerei essas coisas pois suponho que ninguém goste de ser corrigido mas, no meu caso, maximizarei isso para armazenar na memória irreversivelmente.

– Comportar-me humildemente, mas sabedor das minhas capacidades e qualidades que considero acima da média de qualquer outro ser humano, seja ele o que for, de onde for, o que for e como for. Como disse um bispo angolano, de Cabinda creio, citando um companheiro do Porto: “Com os homens sempre de pé, genuflexão só perante Deus (ou deuses, ou deusas)”

– Usar de preferência a norma ortográfica euro-africana mas aqui ou ali o AO90 do qual sou crente mas não praticante na medida em que esse acordo defende os interesses da lusofonia a médio e longo prazo.

Assim sendo, e dado que o turismo é uma indústria bem mais rentável que o petróleo e os diamantes, gostaria de abordar duas questões que no meu entender seriam extremamente úteis para o turismo angolano.

1- Os chamados retornados, com quem por motivos profissionais convivo amiúde, e que ao falarem de Angola não raras vezes se emocionam num misto de emoções de saudade e amor com revolta e tristeza pela forma como decorreu o processo de descolonização, saído da mente brilhante de um oportunista do pós-Abril tal qual como os oportunistas do MPLA que se agarraram aos despojos de uma mudança de ciclo, executada sem a necessária tranquilidade e planeamento e condições para se protegerem todos os cidadãos, independentemente da etnia, língua indígena, província, estatuto social, cor de pele e filiação política.

Algo teria de ser feito para convidar e compensar os pejorativamente denominados por retornados, epíteto que até era injusto pois Angola era bem mais civilizada e moderna que a própria capital da metrópole, o que fazia deles bem mais civilizados do que os metropolitanos, como aliás provaram em todas as áreas em Portugal.

2- Descendentes de escravos oriundos do territórios onde hoje fica Angola e Cabinda, sobretudo americanos com poder de compra ou até brasileiros (mais os do Rio de Janeiro ao que parece), pois não há dúvida que nesse campo os portugueses (que legitimamente têm tanto direito a viver em angola como angolanos pois no Sec. XVI chegaram e instalaram-se e posteriormente ainda vieram muitos outros grupos étnicos da África Ocidental), mesmo que com o beneplácito por escrito do Vaticano, através dos entrepostos comerciais e feitorias africanos levaram o conceito de escravatura e selvagismo a um nível, que, mesmo eu sendo patriota e sabendo ler a história de uma forma hermenêutica, reconheço que de um ponto absolutamente desumano.

Tenho pena desses comerciantes. Não deveria ser fácil dormir de noite e não cair nalgum vício entorpecente e anestesiante perante cenários que só de começar a pensar me indignam e tento logo olvidar. É que não estamos a falar de servos que os Romanos iam buscar à Grécia para serem tutores da sua prole e comer às suas mesas enquanto discutiam filosofia ou as virtudes da democracia.

Estamos a falar sim, de um tratamento animal que em Portugal e União Europeia, agora, Século XXI, nem às galinhas e porcos se pode dar, quer na criação quer no transporte, se bem que tribos Banto e alguma da sua realeza fossem verdadeiramente quem capturava os escravos e os vendia aos malvados lusitanos, sabendo bem para o que iam tal como quem os comprava sabia donde e como vinham.

Neste ponto tal como na guerra colonial e na guerra civil só há uma coisa a fazer: esquecer, perdoar e contextualizar deixando que os historiadores e cientistas sociais nos transmitam as suas conclusões no tempo e altura certos, quantas vezes desfasadas das que nos foram obrigadas a acatar como se não tivéssemos o livre arbítrio para individualizar o nosso pensamento e formar a nossa própria opinião.

São de borla estas dicas Exma. Sra. Ministra do Turismo. Traga gente para cá para gastar dinheiro pois estamos no Éden, mas claro que não pode haver um sistema de corrupção enraizado e institucionalizado porque… sei lá… isso faz espécie às pessoas. Gorjeta ou até um Presente ou Lembrança são uma coisa, Gasosa é outra. E essa Gasosa ainda tem mais gás se for solicitada por agentes do Estado que nem se apercebem da gravidade do que estão a fazer. Se calhar é preciso elaborar algumas reformas para virem excursionistas às manadas. Fale com o “Big Boss” por obséquio, Excelência. Seja uma Patriota. Aproveite para ter um lugar nos livros de História e ser motivo de orgulho para esposa e filhos e demais familiares e amigos, Amigo.

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