O ministro das Finanças angolano disse hoje que a dívida de Angola à China ronda os 23 mil milhões de dólares (19.659 milhões de euros). Archer Mangueira, que se encontra na capital chinesa a acompanhar a comitiva o Presidente João Lourenço à terceira cimeira do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), referiu que para amortizar a dívida de Angola à China terão de descobrir a pólvora, ou seja, ser criados projectos que potenciem um encaixe financeiro a médio e longo prazos.

Numa altura em que o Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que o “gigante” asiático vai perdoar a dívida com as nações africanas com mais dificuldades e com as quais tem relações diplomáticas, Archer Mangueira não adiantou se Angola vai ou não beneficiar desse perdão.

No quadro do perdão anunciado por Xi Jinping estão as nações africanas consideradas menos desenvolvidas ou com fraca capacidade económica.

No primeiro trimestre do ano em curso, as trocas comerciais entre os dois países cresceram 22,4%, tendo atingido 6.800 milhões de dólares (5.812 milhões de euros).

Neste período, a China vendeu a Angola produtos avaliados em 481 milhões de dólares (411 milhões de euros) e comprou mercadorias avaliadas em 6.320 milhões de dólares (5.408 milhões de euros).

Em 2017, o comércio entre os dois países cresceu 43,42%, para 22.340 milhões de dólares, com a China a comprar mercadorias a Angola no valor de 20.047 milhões de dólares (20.553 milhões de euros), maioritariamente petróleo, e a vender a Luanda bens no montante de 2.297 milhões de dólares (1.963 milhões de euros).

Enquanto isso, o chefe de Estado, João Lourenço, manifestou ao seu homólogo da China, Xi Jinping, o desejo de ver aumentado o investimento directo de empresas chinesas na produção de bens de amplo consumo,

João Lourenço, que discursava no III Fórum de Cooperação China-África, no Palácio do Povo, em Pequim, indicou que este investimento pode ser feito através do estabelecimento de parcerias mutuamente vantajosas com empresários angolanos, na partilha de tecnologia e de conhecimento científico e na formação de quadros angolanos.

Lembrando que a nova legislação angolana se tornou mais atractiva para o investidor nacional e estrangeiro, João Lourenço disse estar criado um melhor ambiente de negócios. Na interpretação de Pequim, o Presidente em vez de investidores queria dizer doadores.

O chefe de Estado defendeu, para assegurar o êxito dos programas bilaterais de cooperação, o estabelecimento de “mecanismos práticos que possibilitem o acesso aos recursos financeiros necessários para o sucesso das medidas de políticas estabelecidas pelas nações africanas.”

Para o efeito, João Lourenço considera “necessário” que as instituições bancárias africanas e da China desempenhem um papel importante “com o objectivo de tornarem real esta vontade política de ambos os lados” em proporcionar os recursos e desenvolver projectos que garantam um desenvolvimento que se revele “mutuamente vantajoso”.

Segunda-feira, também em Pequim, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, informou que Angola e China concordaram em adiar para fins deste mês as negociações para a definição de um novo quadro geral de cooperação financeira.

À margem da cimeira, Manuel Augusto esclareceu que não devem ser assinados acordos no sector financeiro e adiantou que se está na fase final das negociações, “que permitirão concluir o acordo em breve”.

“É possível que este acordo [sobre a definição do quadro geral de cooperação financeira] seja assinado na China ainda este ano”, disse, salientando que Pequim está disposta a financiar projectos em África, mas uma das contrapartidas, tal como definiu o seu Presidente, é a transparência nos países que queiram concorrer a esse financiamento.

A participação ao mais alto nível de Angola no FOCAC tem em vista culminar as negociações para uma nova linha de crédito chinês destinada ao financiamento de vários projectos.

Fonte oficial declarou que, globalmente, Angola tenta fechar uma linha de crédito de 11.700 milhões de dólares (10.028 milhões de euros) para projectos de infra-estruturas, através do Banco Industrial e Comercial da China, segundo o FOCAC, que cita o sítio de notícias CLBrief (Breves sobre a China e a Lusofonia).

No entanto, Manuel Augusto deu conta de que a delegação angolana vai assinar um memorando e um acordo durante a Cimeira.

“O memorando vai estabelecer um quadro qualitativo e não necessariamente quantitativo da nossa cooperação”, esclareceu.

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