A Sonangol, petrolífera estatal angolana, pagou entre Maio de 2016 e Novembro de 2017, 135 milhões de dólares (110 milhões de euros) com consultores, valor que serviria para adquirir um novo Boeing 737, revelou hoje a administração da empresa. Por outras palavras, eram mais do que as mães…

Em conferência de imprensa, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino, disse que quando tomou posse encontrou um número elevado de empresas de consultoria e exagerado de consultores, que, em alguns casos, subalternizavam os trabalhadores angolanos.

De acordo com Carlos Saturnino, as principais empresas de consultoria são a Wise Inteligence, BCG, VdA, PwC, UCALL, ODKAS, MCKINSEY, BORN, Neves de Almeida&Almeida Consultores e Korn Ferry. Acrescentou que outras empresas se juntavam a essas, como a Matter Business Solution, a DMCC e a Ironsea Consulting.

Segundo Carlos Saturnino, a partir do surgimento da Ironsea Consulting e da DMCC, a Wise Inteligence deixou de ter visibilidade.

“Ou seja, estas duas empresas aparecem, dá a impressão, para substituir a Wise. Facto curioso, Wise Intelligence, Matter Business Solution, Ironsea Business Solution trabalhavam como o mesmo endereço, as três domiciliadas no mesmo sítio, as duas Matter e Ironsea Consulting inicialmente utilizando a mesma conta bancária”, revelou.

“Se tiverem a curiosidade procurem quantos trabalhadores tinham cada uma dessas empresas, Matter Business Solution e Ironsea Consulting e tem dados muito interessantes a verificar. Primeiro, não encontramos registo de duas a três pessoas, uma das pessoas que apareceu nos documentos, como trabalhando a 100% nessa empresa Matter no Dubai, antes trabalhava no escritório da Sonangol, como consultor na PwC, uma das pessoas que aparece como consultora dessa empresa, no Dubai, é ao mesmo tempo uma das responsáveis da empresa UCALL, que fazia entrevistas e outros trabalhos dentro do grupo, uma outra pessoa é o senhor Mário Silva que também está ligado a alguma dessas empresas de consultoria, como outras que têm negócios com a Sonangol, como a Exem Energy, etc.”, referiu.

Carlos Saturnino referindo-se ao dinheiro gasto no pagamento a essas empresas disse que o mesmo “podia ser melhor utilizado” com a compra de um “Boeing de última geração 737, que custa à volta de 112 milhões de dólares”.

“Podíamos dar um avião novo à Sonair (subsidiária do grupo Sonangol) e ainda sobra dinheiro para as peças sobressalentes”, ironizou.

Questionado se nota da parte do Estado vontade e determinação de responsabilizar criminalmente a antiga gestão da Sonangol, Carlos Saturnino disse que a Sonangol se encontra sob auditoria normal encomendada pelo Ministério das Finanças, aguardando-se a sua conclusão para a obtenção de números finais credíveis.

“Os casos que aqui mencionamos como as transferências que foram feitas no dia 16 de Novembro à noite ou dia 17 já foram reportados e entregues a instâncias apropriadas. Esta administração da Sonangol não foi colocada aqui para procurar casos para pôr no tribunal, nós viemos para fazer gestão”, disse.

Carlos Saturnino substituiu Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, na presidência do Conselho de Administração da Sonangol, tendo sido empossado no cargo a 16 de Novembro de 2017.

Isabel dos Santos foi Presidente do Conselho de Administração da Sonangol entre Junho de 2016 e Novembro de 2017, até ser exonerada pelo novo Presidente da República, João Lourenço.

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