O presidente do MPLA, João Lourenço, aponta (volta a apontar) a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade como os principais males a combater pelos “muitos” danos que causam a economia. Será difícil saber quem são os corruptos, os bajuladores e similares? Não. Desde logo porque estão todos no MPLA.

Por Orlando Castro

João Lourenço declarou (voltou a declarar) que só será possível construir um futuro melhor, se houver coragem de “realmente” corrigir o que está mal e melhorar o que está bem. Falta saber se a coragem é exigida do topo para baixo, ou apenas do meio para baixo. Aguardemos. Sentados, obviamente.

O Presidente do MPLA declarou ainda que a corrupção, o nepotismo, a bajulação e a impunidade que se implantaram no país (há 43 anos governado pelo MPLA), contra os quais se deve lutar e vencer, afectam a confiança dos investidores, minam a reputação e a produtividade de Angola.

Embora a constatação seja apenas um grão de areia no deserto do Namibe, é bom ver o Presidente do MPLA, Presidente da República e Titular do Poder Executivo reconhecer a incapacidade, a falta de vontade e incompetência do seu partido durante todos estes anos.

João Lourenço disse que, nesta cruzada, o MPLA deve tomar a dianteira (o que significa que estava numa posição mais baixa), assumir o papel de vanguarda, mesmo que os primeiros a tombar sejam militantes ou altos dirigentes do partido que tenham cometido crimes ou que pelo seu comportamento social estejam a sujar o bom nome da organização partidária.

Bom nome que tem, aliás, sido conspurcado desde a sua fundação. Isto apesar de, segundo parece, João Lourenço não reconhecer nos massacres do 27 de Maio de 1977 uma mancha, uma nódoa, um crime de lesa humanidade cometido pelo MPLA.

João Lourenço sublinhou que a história do MPLA esteve sempre associada a causas nobres (27 de Maio?) que orgulham, como a conquista da independência e a defesa da soberania nacional, a contribuição na luta pela libertação dos povos da África Austral contra o regime do apartheid, paz e a reconciliação entre os angolanos, desde que os angolanos de primeira (os do MPLA) sejam a casta dominante.

O Presidente do MPLA exortou para que não se confunda nunca a necessidade de se promover uma classe empresarial forte e dinâmica de gente honesta, que produz bens e serviços e cria empregos, com aqueles que têm enriquecimento fácil e ilícito, a custa do erário público, que é património de todos os angolanos.

Será difícil saber quem são esses prevaricadores? Não. Desde logo porque estão todos no MPLA, muitos ocuparam as cadeiras do Poder ao lado de João Lourenço, outros foram seus colegas de Armas, outros foram seus parceiros privados, muitos continuam na governação do país.

“No caso destes últimos serem militares ou dirigentes, não permitiremos que comportamentos condenáveis desta minoria gananciosa manche o bom nome deste grande partido, que foi criado com suor e sangue para defender uma causa nobre”, referiu João Lourenço.

Veremos se as palavras terão efeitos práticos ou se não passam de dialéctica fátua. É que este mesmo diagnóstico tem sido feito, e repetido, ao longo dos anos sem que se vislumbre alguma medicação curativa ou mesmo profiláctica. Para acabar com a corrupção não basta trocar de corruptos. É preciso muito mais. É preciso, é essencial, é condição “sine qua non” que os dirigentes do MPLA tenham aquilo que nunca tiveram: autoridade moral.

O líder do MPLA apelou que se abrace a luta difícil, mas honrosa, que vai salvar a economia angolana, o país e garantir um futuro melhor para às gerações vindouras. Mais do que apelos, que tal João Lourenço dar o exemplo, mostrando à sociedade o seu património, directo e indirecto?

João Lourenço fala da necessidade de construir um partido onde ser do MPLA não signifique alcançar benesses com facilidade ou estar mais próximo de ser nomeado ministro, governador ou embaixador, mas de servir Angola e os angolanos.

Os 20 milhões de pobres gostariam de acreditar no Presidente do MPLA. Mas, enquanto esperam pelo paraíso prometido pelo partido em 1975, vão continuar a ter aulas de educação patriótica para apenderem a viver sem comer e a morrer sem ficarem doentes.

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