Queremos alertar a ERCA (Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana) – sucursal do MPLA – que um jornal oficial do regime publicou esta fotografia de uma estrada de Angola, que é a via para o desenvolvimento de Mbanza Congo, município do Cuimba, província do Zaire.

Por Veríssimo Kambiote

Esta metáfora é muito mais cáustica do que muitas metáforas humorísticas publicadas nas redes sociais, como críticas construtivas para a melhoria da qualidade de vida no nosso país.

A ERCA deveria estar mais atenta a estas fotografias, piores que as caricaturas das redes sociais, que prejudicam a imagem do nosso país.

Já passou muito tempo desde a despromoção de José Eduardo dos Santos à condição de reformado. Já não poderemos culpar o José Ribeiro pelas mentiras que publicava no jornal da Angola do MPLA, quando dizia que o nosso país tinha as melhores e mais seguras estradas do mundo.

Agora o jornal da Angola do MPLA passa o tempo a dizer que é necessário ter muita fé e esperança. Todavia, a fé e a esperança parece que não conseguem tapar os buracos da estrada em Mbanza Kongo.

O Victor e o Caetano dizem que “Angola vive um novo ciclo político que tem sido marcado por mudanças significativas, na forma de gestão da coisa pública e na defesa dos interesses da maioria”.

Ao vermos esta fotografia chegamos à conclusão de que a população de Mbanza Kongo é uma minoria e observa uma grande indiferença e negligência na defesa dos seus interesses.

O nosso Presidente, durante a campanha eleitoral, prometeu que iria fazer mais e melhor com menos dinheiro, através de uma gestão adequada dos recursos financeiros. Agora chegamos à conclusão de que prometeu fazer mais e melhores buracos nas estradas.

Tentando seguir as picadas dos fluxos mentais do deputado especializado nos bifes de atum, elas não podem levar à conclusão de que os buracos são culpa do colonialismo, do Savimbi, da UNITA, da guerra civil iniciada pelo MPLA ou da crise financeira internacional.

A culpa não é dos marimbondos porque eles não viajam na estrada de Mbanza Kongo. Eles viajam em aviões de luxo, em primeira classe.

A culpa também não é do trânsito em julgado do caso Manuel Vicente. Este processo viajou directamente de Lisboa para Luanda e nunca foi a Mbanza Kongo, porque foi depositado no arquivo morto do MPLA, em Luanda. Não sai de Luanda e está guardado nas catacumbas do segredo da injustiça.

A culpa também não é dos aviões que o Presidente usa para os passeios internacionais. Na estrada de Mbanza Kongo não aterram nem levantam voo os aviões presidenciais. Eles levantam voo e aterram sempre no aeroporto 4 de Fevereiro.

Será que o marimbondo João Melo, ministro da propaganda, e os marimbondos da ERCA irão ser obrigados a dar uma ferroada no jornal da Angola do MPLA por não publicar notícias e imagens boas, que sirvam de inspiração para escrever mais poemas de amor?

Será que o ministro da propaganda, João Melo, vai ordenar que se organize uma contra-manifestação contra este tipo de publicação, como aquelas que sugeria contra os defensores da democracia?

Nós já acreditamos que tudo o que é de mais absurdo poderá acontecer, depois de termos ouvido o João Lourenço dizer, durante a campanha eleitoral, que iria fazer mais e melhor e o jornal da Angola do MPLA opinar que “vivemos num novo ciclo político que tem sido marcado por mudanças significativas, na forma de gestão da coisa pública e na defesa dos interesses da maioria” . O que de mais significativo se observou até agora foi a desvalorização do kwanza em 70%.

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