O Secretariado da Presidência para a Comunicação e Imagem da UNITA emitiu um comunicado para defender a honra do Presidente Isaías Samakuva, que se transcreve na íntegra. O modelo é o mesmo que o MPLA usava para fazer a defesa do seu líder, José Eduardo dos Santos.

“Ao contrário do que algumas pessoas veicularam nas redes sociais e nos écrans de televisão, o Dr. Isaías Samakuva é uma pessoa plena de valores ético-morais, séria, humilde e disciplinada perante as normas da organização em que está inserido. Aliás, só por isso tem merecido carinho e reiterada escolha dos militantes em sucessivos Congressos em que renovou o mandato, e dos angolanos que têm votado nas propostas eleitorais da UNITA.

Para melhor compreensão da verticalidade do Dr. Isaías Samakuva perante as normas disciplinares da UNITA, é importante ater-nos ao artigo 15º dos Estatutos, sob a Epígrafe “Disciplina Partidária” que dispõe as regras fundamentais da disciplina e concluiremos que não impôs a ninguém a sua vontade:

“a) Subordinação activa de todos os membros aos Estatutos e seu Regulamento Interno e à Direcção do Partido;
b) Subordinação da minoria à maioria;
c) Tomada a decisão, os indivíduos que estiverem em minoria devem respeitar escrupulosamente o parecer da maioria e cumprir a decisão democraticamente tomada;
d) É concedida à minoria, caso julgue defender uma opinião correcta e haja interesse comum em prosseguir o debate, o direito de pedir a convocação de um máximo de duas reuniões do mesmo órgão, a fim de reexaminar o assunto. A decisão da última reunião é a definitiva; e)Subordinação dos órgãos de escalões inferiores aos superiores”.

O que muitos precisam saber é que o Dr. Isaías Samakuva reiterou à Comissão Política, a sua vontade de deixar a liderança da UNITA e servir o Partido numa posição diferente.

O que muitos precisam saber também, é que a convocação do Congresso Extraordinário, mencionado na declaração em que o Presidente Samakuva reiterou o seu desejo de deixar o seu cargo, carecia da aprovação da Comissão Política. É por esta razão que o assunto foi levado a este órgão do Partido.

A falta de unanimidade em torno desse assunto, entre os membros da Comissão Política levou a que o mesmo fosse à votação, tendo o resultado sido claramente expressivo a favor do cumprimento do mandato para o qual Isaías Samakuva foi eleito no Congresso de 2015.

Enquanto membro da UNITA, no exercício do mais elevado cargo, o Dr. Isaías Samakuva é o primeiro a dar exemplo de lealdade e obediência aos princípios disciplinares da organização. Se, enquanto pessoa e por vontade própria, o Dr. Isaías Samakuva exprimiu o desejo que ia na alma, tendo declarado que deixaria a liderança da Partido, enquanto membro de uma organização é obrigado a sujeitar-se às regras do jogo estabelecidas, subordinando-se à maioria.

Tal como foi largamente divulgado, os resultados da votação acabaram por contrariar a intenção do Presidente Samakuva. Ou seja, os que querem que Isaías Samakuva se retire da liderança do Partido e se realize o Congresso Extraordinário são uma minoria: 24 votos (12,24%) na Comissão Política. A maioria deseja e com razão, que Isaías Samakuva termine o mandato para o qual foi eleito no último Congresso, representando 169 (86,22%). Houve ainda na Comissão Política uma porção de membros que não definiram claramente a sua posição, votando nulo. Esses não representaram mais do que 3 votos (1,53%).

Felizmente, na UNITA, as decisões são tomadas colegial e democraticamente. Se o ponto de vista do Presidente representar uma porção minoritária de membros, essa decisão não pode ser aprovada e tem sido assim ao longo desses anos de existência do Partido.

De salientar que durante o processo preparatório da III Reunião da Comissão Política, as reuniões dos Comités Municipais e Provinciais que fizeram o balanço das actividades desenvolvidas ao longo do ano de 2017, e avaliaram o desempenho do Partido no processo eleitoral que culminou com as eleições de 23 de Agosto, na sua maioria recomendaram a não interrupção do mandato do Presidente.

Afinal, a Comissão Política, apenas manifestou coerência com a vontade expressa pelas bases do Partido, que representam a maioria dos militantes da UNITA.

Perdoem-nos todos os irmãos angolanos que alimentaram a sua expectativa, em nome dos quais escreveram, em termos pouco simpáticos Nuno Álvaro Dala e outros.

Reiteramos que a UNITA é uma organização política madura, tem os seus interesses bem definidos que interpretam os mais profundos anseios dos angolanos, em nome dos quais a UNITA e a sua direcção vão continuar a lutar.

Apesar de não carecerem de aprovação pública, as decisões tomadas pelos órgãos de direcção da UNITA, precisam somente ser respeitadas, pois as mesmas resultam de uma análise profunda e aturada e reflectem as aspirações dos angolanos.”

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