O dia Mundial Sem Tabaco é celebrado a 31 de Maio e tem como objectivo principal alertar a população acerca dos riscos do tabaco, cujo consumo é uma das principais causas de mortalidade prematura em todo o mundo. Por ano morrem sete milhões de fumadores.

Por Idalina Diavita (*)

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco mata mais de sete milhões de pessoas por ano, 583 mil por mês e 19.200 por dia. Acresce que mais de 600.000 pessoas são fumadores passivos.

Só na Europa o tabaco é responsável pela morte de 1,2 milhões de pessoas em cada ano.

Os fumadores têm em média menos dez anos de vida do que os não fumadores, sendo o tabaco responsável por 25% a 30% da totalidade de cancros, por 80% das doenças pulmonares crónicas obstrutivas e por 90% dos cancros do pulmão.

O consumo de tabaco mata mais de sete milhões de pessoas por ano, salienta a OMS, apelando para a proibição da sua promoção e ao aumento das taxas e do preço dos produtos.

Os números foram publicados num relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde – na véspera do Dia Mundial Sem Tabaco -, no qual é avaliado o impacto do tabaco na saúde e na economia, mas também, e pela primeira vez, no ambiente.

“O tabaco é uma ameaça para todos”, afirmou a directora-geral da OMS, Margaret Chan, em comunicado, sublinhando que representa “um agravamento da pobreza”, além de “levar as famílias a fazerem más escolhas alimentares e de poluir o ar”.

Todos os anos, mais de sete milhões de pessoas morrem devido ao tabagismo, um valor muito superior aos quatro milhões de mortes que eram contabilizadas no início do século XXI, de acordo com números da OMS.

Actualmente, o tabaco é a principal causa evitável de doenças não transmissíveis e mata metade dos fumadores.

O tabagismo afecta sobretudo as pessoas mais pobres e constitui uma causa importante de disparidades em matéria de saúde entre ricos e pobres, de acordo com a OMS, que indica que mais de 80% das mortes se irão registar em países com baixos ou médios rendimentos até 2030.

O tabagismo representa também um fardo económico para o planeta: a cada ano, os custos para particulares e para governos ultrapassa os 1.250 mil milhões de euros em despesas com saúde e perda de produtividade, o que representa 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Se forem tomadas medidas drásticas para controlar o tabagismo, os governos podem salvaguardar o futuro dos seus países, proteger os consumidores e não consumidores contra estes produtos mortais, gerando receitas para financiar a saúde e outros serviços sociais e preservar o ambiente da devastação causada pelo tabaco.”

De acordo com o relatório da organização, o tabaco também prejudica o ambiente, já que os resíduos que deixa são o tipo de resíduos mais espalhado no mundo e “contêm mais de 7.000 produtos químicos tóxicos que envenenam o ambiente, incluindo agentes cancerígenos”.

No total, cerca de dois terços dos 15 mil milhões de cigarros vendidos a cada dia são deitados fora em zonas onde danificam o ambiente.

A cultura do tabaco também é parcialmente responsável pela desflorestação, acrescenta aquela organização, referindo que cada 300 cigarros consumidos significam uma árvore perdida.

Para a OMS, o tabaco poderá causar, durante o século XXI, mil milhões de mortes no mundo.

Para superar este flagelo, a agência especializada das Nações Unidas pede “medidas fortes”, como a proibição do marketing e da publicidade a cigarros e a proibição de fumar em lugares públicos fechados e locais de trabalho, além de um aumento dos impostos e dos preços de produtos de tabaco.

O caso de Angola

O quadro actual sobre o tabagismo e suas consequências em Angola ainda é desconhecido, uma vez que o país é assolado por outras patologias que acabam por ofuscar os danos do consumo do tabaco, dizia em Agosto de 2016, em Luanda, a chefe do departamento de promoção da saúde do Ministério da Saúde, Filomena Wilson.

Segundo a responsável, que na altura falava à imprensa à margem do “Workshop sobre o protocolo de eliminação do comércio ilícito de produtos de tabaco em Angola”, foram feitos estudos em algumas províncias de Angola, onde indicam que os jovens principalmente em idade escolar fumam com uma percentagem considerável.

Para si, o que mais preocupa é que os jovens não fumam cigarros fabricados, mas outros produtos mais nocivos.

“Nós temos tido alguns estudos que revelam que muitas vezes as mortes súbitas e doenças cardiovasculares são derivadas do tabaco”, acrescentou.

Advertiu também que o tabaco constituiu a primeira causa de morbi-mortalidade com relação às doenças crónicas não transmissíveis, razão pela qual a OMS recomenda que a questão do tabagismo esteja ligada a diversas doenças crónicas não transmissíveis sendo factor de risco.

Filomena Wilson fez saber que existe uma relação pendente com a convenção quadro da OMS para o controlo do tabaco que está relacionado com assinatura do protocolo para a eliminação do comércio ilícito dos produtos de tabaco em Angola.

(*) Com agências

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