ANGOLA. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) considerou hoje que órgãos de comunicação “tiveram uma actuação desequilibrada e parcial a favor do MPLA” durante a campanha eleitoral e que por isso “não cumpriram com o seu papel”.

A posição foi assumida em declarações à agência Lusa pelo secretário-geral do SJA, Teixeira Cândido, afirmando que a conclusão é fruto da monitoria que o sindicato fez aos órgãos de comunicação social e com os “maiores desequilíbrios” registados, disse, na cobertura da Rádio Nacional de Angola (RNA), Televisão Pública de Angola (TPA) e na televisão privada (com capitais do MPLA) angolana TV Zimbo.

“Na terceira semana, que vai de 4 a Agosto até o dia 14 de Agosto, por exemplo, para termos um dado concreto, a TV Zimbo concedeu 227 minutos ao MPLA e concedeu abaixo de 30 minutos a todos outros partidos políticos, com a excepção da CASA-CE que teve 31 minutos”, explicou.

Acrescenta que a rádio estatal concedeu 127 minutos ao MPLA, pelo que “os órgãos de comunicação social não foram isentos, não foram imparciais, não foram equilibrados tal como impõe a Constituição e a Lei Orgânica das sobre as Eleitos Gerais que impõe tratamento igual aos partidos políticos”.

Teixeira Cândido referiu também que a Rádio Despertar, afecta ao partido do “Galo Negro”, “foi totalmente desequilibrada a favor da UNITA”, onde 70% dos seus espaços noticiosos foram concedidos ao maior partido da oposição, sobrando os 30% restantes para os outros partidos concorrentes.

O sindicalista informou ainda que o SJA vai produzir o último relatório da campanha eleitoral na terça-feira, tendo sublinhado que o Jornal de Angola foi o órgão de comunicação social público “mais equilibrado”.

Realçou que no cômputo geral, a Rádio Ecclesia – Emissora Católica de Angola, apresentou a cobertura “mais equilibrada e independente” da campanha eleitoral.

Teixeira Cândido recordou que aos órgãos de comunicação social está reservado um papel de intermediários, de espaços a partir do qual todos partidos políticos pudessem fazer a sua campanha.

“Facto que na generalidade não aconteceu”, atirou.

Na sua monitoria adiantou, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos “apenas contabilizou os principais serviços noticiosos e não incluiu matérias respeitantes ao Governo, mas apenas as campanhas políticas”.

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