A Organização Mundial de Saúde (OMS) gasta em viagens cerca de 200 milhões de dólares (179 milhões de euros) por ano, mais do que despende no combate a alguns dos maiores problemas de saúde, como a SIDA, foi hoje divulgado. É “adorável” ficar num hotel de luxo para analisar o problema dos sem-abrigo.

De acordo com documentos da OMS, a que a agência de notícias AP teve acesso, o que a OMS gasta em ajudas para lutar contra alguns dos maiores problemas de saúde pública, caso da SIDA, tuberculose e malária é bastante inferior do que gasta anualmente em viagens realizadas pela organização.

À medida que ONU tem vindo a pedir mais dinheiro para dar resposta às crises mundiais na área da saúde, também tem vindo a lutar – justifica de forma pouco convincente – contra as despesas (muitas sumptuosas) que faz com as viagens e outras mordomias.

Embora a ONU tenha introduzido novas regras na tentativa de travar um orçamento crescente para as viagens dos seus funcionários, os documentos internos alertam para o facto de estarem a ser quebradas as regras de controlo de despesas com viagens.

“Há funcionários que procuram ter regalias, tais como a reserva de bilhetes de avião em classe executiva e a reserva de quartos em hotéis de cinco estrelas”, refere a AP, citando documentos internos da OMS.

No ano passado, a OMS gastou cerca de 71 milhões de dólares com a SIDA e com a hepatite e para travar a propagação da tuberculose despendeu 59 milhões de dólares.

Numa recente viagem à Guiné-Conacri, onde a directora-geral da OMS, Margaret Chan, elogiou as equipas de saúde na África Ocidental por terem triunfado na luta contra o vírus Ébola, ela instalou-se na maior suíte presidencial no hotel Palm Camayenne em Conacri.

O preço da suíte é de 900 euros (1.008 dólares) por noite, sendo que a OMS se recusou a dizer quem tinha pago à guia que a acompanhou. Sobre o assunto apenas referiu que os hotéis são, por vezes, pagos pelo país anfitrião. Pois!

Mas, afinal, qual é problema dos gastos sumptuosos e ofensivos da OMS? Nenhum. Todos sabemos que qualquer ajuda, qualquer análise, qualquer estratégia só funciona quando os seus protagonistas têm, pelo menos, três boas refeições por dia (mesmo que os destinatários dessa ajuda nem uma tenham) e durma nos melhores hotéis das regiões visitadas (mesmo que os destinatárias dessa ajuda durmam na rua).

Em Angola, por exemplo, os que têm, pelo menos, três refeições por dia têm razões para cantar e rir. E com esses que a OMS dialoga. Quanto aos milhões que nem um prato de pirão têm, bem esses logo se verá.

Em todo este contexto, perante a debilidade física dos mais necessitados, a OMS diagnosticou a enfermidade e concluiu que ela só se curaria com doses industriais de antibióticos. Vai daí, mandou vários contentores de medicamentos para as regiões mais afectadas. Tempos depois chegou a notícia de que as vítimas continuavam a morrer.

“Não pode ser”, gritaram os responsáveis da OMS, bem instalados nos melhores hotéis e de barriga cheia. E foram ver, in loco, o que se passava. Descobriram então que os antibióticos continuavam dentro dos contentores.

Foi então que um Mais Velho de um recôndita sanzala africana se aproximou da delegação da OMS e explicou tudo:

“É que os antibióticos são para tomar todos os dias depois das refeições. Como nós aqui nem uma refeição por dia temos…”

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