O novo director Nacional dos Serviços Prisionais de Angola, organismo afecto ao Ministério do Interior, comissário-prisional principal Jorge Mendonça, teme assumir o gabinete deixado pelo seu antecessor por conhecer o estado debilitado da instituição.

Segundo fontes do F8, Jorge Mendonça encontrou praticamente os cofres dos serviços prisionais vazios e os agentes com o nível de descontentamento altíssimo, principalmente os pertencentes à Unidade Especial de Segurança e Intervenção (UESI), substituta do Destacamento Especial dos Serviços Prisionais (DESP).

O desvio das promoções, atribuído ao antigo chefe do organismo, comissário-prisional principal António Fortunato (foto), é apontado como a razão do elevado descontentamento do grupo de 200 agentes da UESI, estes formados pelo Comando Geral da Polícia Nacional para aderir à Polícia de Intervenção Rápida (PIR), isto em 2010. A promoção deveria contemplar os agentes com o mínimo de cinco anos de trabalho.

As patentes estavam à venda, num esquema rigorosamente coordenado pelo director financeiro, identificado pelo nome de Gino, que acusam de ter estado ao serviço de António Fortunato. Nesta acção, dizem as fontes, também se contava com a participação dos filhos do ex-director, igualmente efectivos dos serviços prisionais, estes que desde a exoneração do pai não têm comparecido nos respectivos postos de trabalho.

Os membros da UESI que contactaram o F8 adiantam que preferem estar ao serviço do Comando Geral da Polícia Nacional, para o qual se alistaram e treinaram, entretanto “emprestados” aos serviços prisionais inicialmente para um período de quatro anos. E assim pedem ao novo comandante da Polícia Nacional Alfredo Mingas “Panda” que coloque fim ao “empréstimo”.

“Os que têm estado a fazer guarnição na casa do Fortunato e das mulheres dele estão mais cansados ainda, e até fazem escoltas para irem ao mercado fazer compras”, lamentaram.

Outro desfalque de António Fortunato consiste na venda dos fardamentos, botas e passes de serviço dos efectivos. Durante a sua gestão, os agentes tinham de pagar pelo uniforme e passe em formato pvc que, legalmente, deveriam usufruir gratuitamente. Neste esquema, as fontes garantem que o referido director financeiro era o “testa de ferro” do chefe nacional.

Parte do uniforme, com realce para as botas, foram desviadas para uma empresa de segurança privada que alegam pertencer a António Fortunato. Os passes de serviço eram vendidos por dois mil e 500 Kwanzas, e um agente conta que se sentiu obrigado a comprar para ter como identificar-se à polícia perante uma acção em que envolvia arma de fogo. Antes, este agente, como a maioria, preferia trabalhar sem a identificação por “ter consciência que o passe é um direito do funcionário”.

Dentre as dívidas deixadas por António Fortunato destacam-se os atrasos no pagamento das prestações mensais referentes ao contrato com a empresa responsável pela cozinha da cadeia de Calomboloca. Esta empresa foi contratada mediante uma adjudicação directa procedida pelo organismo prisional e, por isso, não recebe os pagamentos directamente dos cofres do Ministério das Finanças. Este dinheiro, adiantam, foi desviado pelo anterior director nacional dos serviços prisionais.

Jorge Mendonça aguarda pelo novo orçamento do Estado para colocar as “mãos na massa”. O novo director já chefiou o organismo e foi recuperado à semelhança do comandante nacional da Polícia Nacional.

Ao contrário do que se esperava – prestação de contas e responsabilização -, António Fortunato foi nomeado director do gabinete jurídico do Ministério do Interior sem qualquer consequência.

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