João Lourenço, general, ministro da Defesa e candidato do MPLA a Presidente de Angola nas eleições de 23 de Agosto apelou hoje ao “voto certo” dos angolanos em quem é o… único. Isto é, depois de Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, esse único é (vejam só!)… João Lourenço. E se ele o diz…

O cabeça-de-lista do MPLA às eleições gerais de 23 de Agosto discursava hoje na província do Huambo para “um banho de povo”, como o próprio classificou, naquela que marcou, para o partido no poder em Angola, a abertura oficial da campanha eleitoral, iniciada domingo e que decorre até 21 de Agosto.

João Lourenço apelou ainda ao “voto certo” aos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA para que alcancem “uma vitória forte e convincente”, que contrarie o ambiente que as outras cinco formações políticas concorrentes estão a criar “de antecipadamente dizer que houve batota no jogo”.

O também vice-presidente do MPLA criticava as suspeições levantadas por partidos da oposição sobre a preparação do processo eleitoral, que acusam de não ter sido transparente.

É evidente, reconheça-se, que é um processo transparente. O problema só está no facto de que o significa de “transparente” não é o mesmo para a oposição e para quem está no Poder há 42 anos. Segundo o MPLA, haverá processos mais transparentes do que aqueles que, como em 2008 e 2012, até conseguiram que os mortos votassem no MPLA, ou que em algumas assembleias de votos fossem mais os votos do que os votantes?

“Não dá para confiar neles, não são sérios, o árbitro ainda não fez o seu trabalho e já está a ser condenado. (…) Não são sérios e a melhor forma de contrariá-los é dar cinco a zero”, disse João Lourenço, sublinhando que o MPLA não quer uma “vitória tímida”.

É claro que, como resultado do seu ADN, o MPLA não diz que o árbitro também joga na equipa de João Lourenço, que as regras de jogo foram estabelecidas pelo MPLA, que o MPLA é o dono do campo, da bola e do cronómetro etc..

Numa intervenção de cerca de uma hora para milhares de pessoas (há quem diga que foram milhões), João Lourenço afirmou que, dos seis partidos concorrentes, o único com obra para mostrar é o MPLA.

João Lourenço é um político de rara inteligência. Então o MPLA que está no Poder deste a independência, em 1975, “é o único com obra para mostrar”? É obra. E a conclusão é de uma sagacidade digna de um Prémio Nobel. Aliás, também poderia dizer – já agora – que os massacres do 27 de Maio de 1977 foram praticados pela Oposição. Seria na mesma aplaudido pelos seus escravos que pensam apenas com a cabeça que têm mais perto dos joelhos.

“Só o MPLA tem obra importante para mostrar, em benefício de Angola e dos angolanos”, disse o candidato, lembrando que o partido, no quarto lugar no boletim de voto, investiu, nos últimos 15 anos de paz, em estradas, portos, energia, água, escolas, hospitais, habitação social, entre outros.

Também investiu, diga-se em abono da verdade, noutras coisas. Com o MPLA Angola tornou-se um dos países mais corruptos do mundo, consegue liderar o ranking mundial da mortalidade infantil e investiu tanto, mas tanto, nos angolanos que o país hoje só tem… 20 milhões de pobres.

A título de exemplo, João Lourenço realçou que em 15 anos de paz o Governo do MPLA investiu “seriamente” na construção de infra-estruturas de construção e distribuição de energia. Os candeeiros apagados, mesmo em Luanda, são prova disso. O lixo e falta se saneamento básico reflectem, e muito bem, a excelente política do MPLA.

“Foram construídas barragens hidroeléctricas, que o colono (português) em 500 anos não conseguiu fazer. O que é que eles faziam do nosso diamante, do nosso café? Nós sabemos, o dinheiro que era ganho aqui, mandavam para a metrópole, por isso é que as barragens hidroeléctricas que deixaram no nosso país, em comparação com estas que nós construímos em 15 anos, aquilo são brinquedos autênticos”, disse.

Brilhante. Mais uma vez João Lourenço mostra o seu nanismo cerebral e o seu nano-quociente intelectual. Então não é que ele queria que os portugueses tivessem deixado em 1973/74 barragens hidroeléctricas similares às que o seu regime construiu 30 anos depois?

O dirigente do MPLA, sublinhando as inúmeras “coisas boas” feitas até aqui, admitiu que há “noção” de que nem tudo está feito e que é preciso “fazer muito mais”.

“É preciso que reconheçamos as nossas falhas, só há progresso, evolução, se nós reconhecermos as nossas falhas. Vimos pedir aos eleitores o vosso voto para ‘melhorar o que está bem e corrigir o que está mal’ (lema da campanha) e temos a certeza de que, com o vosso apoio, vamos vencer mais esse grande desafio”, referiu com a visível convicção de quem tem a certeza de que já ganhou.

A corrupção é um desses males a ser corrigido, como vem defendendo (isto é como quem diz) João Lourenço desde a fase da pré-campanha, tarefa que exigirá “coragem e capacidade”.

“Que fique claro que, se falharmos neste combate à corrupção, então falharemos também na melhor organização da nossa economia”, observou João Lourenço.

Segundo o político, melhorar o ambiente de negócios é importante para atrair o investimento privado estrangeiro, do qual Angola necessita “como quem precisa do ar para respirar”, para a criação de empregos e diminuição da pobreza.

“O investimento estrangeiro é bem-vindo, mas temos noção de que um dos grandes entraves é que nós temos, primeiro, de fazer um combate muito sério à corrupção e vamos fazê-lo com o apoio do povo”, frisou perante os aplausos dos escravos domesticados e dos acólitos formatados.

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